CHR006

Os «dias seguintes» assinalados por João

L'article analyse les marqueurs temporels dans l'Évangile de Jean pour établir une chronologie des débuts du ministère de Jésus, tout en cherchant à harmoniser ces récits avec ceux des synoptiques.

125 min Evangelho cronologia João Jesus 176 versículos 17 livros

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Introdução

Les marqueurs temporels dans l'Évangile de Jean : une analyse chronologique des débuts du ministère messianique

Este estudo constitui um dos elementos da nossa pesquisa dedicada ao estabelecimento de uma cronologia da vida do Messias Jesus a partir da profecia das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27). Deve ser compreendido em ligação com os outros estudos desta série, cada um trazendo dados complementares históricos, calendários e bíblicos. O conjunto desses trabalhos forma uma análise coerente que visa reconstituir, com a maior precisão possível, o encadeamento dos acontecimentos relatados nos Evangelhos.

L'Évangile selon Jean présente une succession d'événements liés au commencement du ministère public de Jésus, articulée autour du témoignage de Jean le baptiste et de l'appel des premiers disciples. Contrairement aux Évangiles synoptiques, le quatrième Évangile ne décrit pas directement le baptême de Jésus ni la période des quarante jours de tentation dans le désert. Son récit s'ouvre néanmoins par une série d'indications temporelles précises, notamment à travers l'expression récurrente « le lendemain » (João 1.29 ; João 1.35 ; João 1.43), qui structure plusieurs journées consécutives avant les (João 2.1).

O significado exato desses marcadores cronológicos suscitou numerosas discussões entre os exegetas. Alguns consideram que a ordem dos acontecimentos relatados por João difere sensivelmente da dos sinóticos, em particular quanto ao lugar da tentação depois do batismo (Mateus 4.1-11 ; Marcos 1.12-13 ; Lucas 4.1-13). Essa aparente divergência levanta uma questão fundamental: como harmonizar os dados joaninos com os de Mateus, Marcos e Lucas a fim de obter uma reconstrução coerente do início do ministério de Jesus?

Neste estudo, procederemos a uma análise detalhada do conjunto dos textos envolvidos, examinando atentamente as indicações temporais, geográficas e narrativas fornecidas pelos diferentes autores. Proporemos em seguida uma reconstituição cronológica que permita integrar as informações de João às dos Evangelhos sinóticos.

A cronologia proposta permanece hipotética e se baseia em nossas análises e no uso de conversores de calendário contemporâneos. Nesse quadro, situamos o batismo de Jesus na quinta-feira, 4 de outubro do ano 29, e proporemos uma harmonização que inclua tanto os dados cronológicos de João quanto o período de tentação no deserto.

I. Os quatro marcos temporais de João

João introduz o início do ministério público do Messias Jesus por meio de várias indicações cronológicas sucessivas.

Essas passagens fornecem, portanto, quatro indicações temporais que estruturam o relato joanino do início do ministério de Jesus. Embora essa sucessão de acontecimentos provavelmente parecesse clara aos primeiros leitores de João, hoje ela levanta várias dificuldades de interpretação, sobretudo quando se procura compará-la com os relatos dos Evangelhos sinóticos.

Para compreender melhor o pensamento do autor, convém examinar atentamente a ordem dos acontecimentos que ele relata, bem como a função das expressões temporais que emprega. Ao redigir seu Evangelho, João conhecia verossimilmente as tradições já relatadas por Mateus, Marcos e provavelmente Lucas. Assim, as diferenças observadas não devem ser interpretadas como contradições, mas antes como o resultado de uma seleção e de uma organização particulares dos acontecimentos segundo o objetivo teológico e narrativo próprio de João.

É igualmente importante ressaltar que João não descreve nem o batismo do Messias Jesus nem o período da tentação no deserto. Essa ausência abre a possibilidade de que os acontecimentos relatados em João 1.19-51 e João 2.1 — em particular a visita da delegação enviada a João Batista e o chamado dos primeiros discípulos — se situem depois do período dos quarenta dias de tentação mencionado pelos Evangelhos sinóticos (Mateus 4.1-11 ; Marcos 1.12-13 ; Lucas 4.1-13).

II. Cronologia do período do batismo ao chamado dos primeiros discípulos

1- O batismo e suas manifestações

Les Évangiles synoptiques fournissent plusieurs indications permettant de reconstituer la chronologie générale des événements compris entre le baptême de Jésus, la période de tentation dans le désert et l'appel des premiers disciples. L'Évangile selon Jean complète ensuite cette séquence par une série de repères temporels centrés sur le témoignage de Jean le baptiste et les premières rencontres entre Jésus et ses disciples.

Lucas 3.21-22 indica que Jesus se apresentou para o batismo num contexto em que muitas pessoas vinham receber o batismo de João. O texto deixa assim entrever uma cena pública, na presença de várias testemunhas. Mateus precisa que Jesus veio da Galileia para ser batizado por João (Mateus 3.13) e destaca a hesitação inicial de João Batista, consciente da superioridade espiritual daquele que recebia (Mateus 3.14). Marcos relata que esse batismo aconteceu no Jordão (Marcos 1.9), provavelmente em Betânia, do outro lado do Jordão, segundo as indicações de João 1.28.

Durante o batismo, ocorreu um acontecimento excepcional. Os três Evangelhos sinóticos relatam que uma voz celestial se fez ouvir depois que Jesus saiu da água (Mateus 3.17 ; Marcos 1.11 ; Lucas 3.22). As diferenças de formulação podem ser explicadas naturalmente como duas maneiras complementares de relatar a mesma proclamação divina. Mateus conserva uma formulação dirigida às testemunhas: «Este é o meu Filho amado, em quem me agrado» (Mateus 3.17), ao passo que Marcos e Lucas transmitem uma palavra dirigida diretamente a Jesus: «Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado» (Marcos 1.11 ; Lucas 3.22). É possível que essas palavras tenham sido ouvidas por várias pessoas presentes no local.

2- A tentação no deserto

Imediatamente depois desse acontecimento, tem início o período de tentação no deserto. Marcos precisa que «logo» o Espírito impeliu Jesus para o deserto (Marcos 1.12), enquanto Mateus indica que ele foi conduzido até lá para ser tentado pelo diabo (Mateus 4.1). Lucas também relata esse período de quarenta dias (Lucas 4.1-2). Essas indicações levam a situar a tentação imediatamente depois do batismo.

Esse período de quarenta dias possui forte significado bíblico. Lembra os quarenta anos de Israel no deserto (Números 14.33-34), mas também os quarenta dias de Moisés no monte (Exodo 34.28) e os de Elias a caminho do Horebe (1 Reis 19.8). Onde Israel fracassou no deserto, o Messias permanece perfeitamente fiel à palavra de Deus. Todas as suas respostas ao tentador se apoiam na Escritura, principalmente no livro de Deuteronómio (Deuteronômio 8.3 ; Deuteronômio 6.16 ; Deuteronômio 6.13).

Depois de deixar a região do Jordão, Jesus se retira verossimilmente para uma região desértica da Judeia, propícia ao isolamento e à oração. Durante quarenta dias, jejua e sofre as tentações do diabo (Mateus 4.2 ; Marcos 1.13 ; Lucas 4.2). Os Evangelhos parecem indicar que as tentações atingem o auge no fim desse período de jejum, quando a fraqueza física se torna extrema. Ao término dessa provação, anjos vêm servi-lo (Mateus 4.11 ; Marcos 1.13). É provável que o próprio Jesus tenha relatado mais tarde esse episódio a seus discípulos, já que nenhuma outra testemunha humana poderia estar presente no deserto.

3- A volta e a visita da delegação

Après cette période de retrait, Jésus revient dans la région où Jean le baptiste exerce son ministère. C'est dans ce contexte que l'Évangile selon Jean situe l'arrivée de la délégation envoyée par les autorités religieuses de Jérusalem (João 1.19-28). Selon cette reconstitution chronologique, Jean le baptiste avait donc déjà baptisé Jésus lorsque cette délégation vint l'interroger. La déclaration de Jean : « Au milieu de vous se tient celui que vous ne connaissez pas » (João 1.26) prend alors tout son sens : le Messie était déjà présent au milieu du peuple, bien qu'il ne fût pas encore publiquement reconnu.

4- A sequência dos encontros

No dia seguinte a esse encontro com a delegação, João vê Jesus aproximar-se e declara publicamente: «Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (João 1.29). Testemunha então ter visto o Espírito descer sobre ele por ocasião do batismo (João 1.32-34).

No dia seguinte de novo, João está com dois de seus discípulos quando aponta mais uma vez Jesus como «o Cordeiro de Deus» (João 1.35-36). Em seguida a esse testemunho, os dois discípulos começam a seguir Jesus (João 1.37). Um deles é expressamente identificado como André, irmão de Simão Pedro (João 1.40). O outro discípulo não é nomeado, mas vários exegetas consideram que poderia tratar-se do próprio apóstolo João, conforme o hábito que ele tem em seu Evangelho de não se designar diretamente.

André vai depois encontrar seu irmão Simão e lhe anuncia: «Achamos o Messias» (João 1.41). Simão é então levado a Jesus, que lhe dá o nome de Cefas, traduzido por Pedro (João 1.42).

No dia seguinte, Jesus decide ir à Galileia (João 1.43). Encontra Filipe e lhe dirige um chamado direto: «Segue-me» (João 1.43). Filipe, natural de como André e Pedro (João 1.44), junta-se imediatamente ao grupo dos discípulos.

Pouco depois, Filipe encontra Natanael e lhe anuncia ter achado aquele de quem Moisés e os profetas falaram: Jesus de Nazaré (João 1.45). Natanael manifesta de início reservas quanto a Nazaré (João 1.46), mas acaba aceitando encontrar Jesus. Quando Jesus revela um conhecimento sobrenatural a seu respeito, Natanael reconhece nele o Filho de Deus e o rei de Israel (João 1.47-49).

Essa sucessão de acontecimentos conduz finalmente às mencionadas em João 2.1, que marcam o início público dos sinais realizados por Jesus na Galileia.

IV. A data do batismo de Jesus

1- O quadro profético

OrdemAcontecimentoReferências
1Batismo do Messias Jesus no Jordão, provavelmente em Betânia, do outro lado do Jordão(Mateus 3.13-17) ; (Marcos 1.9-11) ; (Lucas 3.21-22) ; (João 1.28)
2Declaração celestial que identifica Jesus como o Filho amado(Mateus 3.17) ; (Marcos 1.11) ; (Lucas 3.22)
3Partida imediata para o deserto da Judeia(Mateus 4.1) ; (Marcos 1.12) ; (Lucas 4.1)
4Período de quarenta dias de jejum e de tentação(Mateus 4.2-10) ; (Marcos 1.13) ; (Lucas 4.2-13)
5Os anjos servem Jesus depois da tentação(Mateus 4.11) ; (Marcos 1.13)
6Volta de Jesus à região onde João batizavaHarmonização dos relatos sinóticos e joaninos
7Visita da delegação enviada de Jerusalém a João Batista(João 1.19-28)
8João anuncia que o Messias já está presente: «No meio de vós está alguém que não conheceis»(João 1.26)
9Primeiro «dia seguinte»: João aponta Jesus como «o Cordeiro de Deus»(João 1.29-34)
10Segundo «dia seguinte»: dois discípulos de João começam a seguir Jesus(João 1.35-39)
11André leva Simão a Jesus; Simão recebe o nome de Cefas (Pedro)(João 1.40-42)
12Terceiro «dia seguinte»: partida para a Galileia e chamado de Filipe(João 1.43-44)
13Encontro entre Jesus e Natanael(João 1.45-49)
14«Três dias depois»: as na Galileia(João 2.1-11)

A profecia das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27) permite, segundo o nosso estudo, situar com relativa precisão a última «semana» de anos mencionada pelo profeta. Esse período de sete anos parece dividir-se em duas partes iguais de três anos e meio:

  • A primeira parte corresponderia ao ministério de um profeta que prepara a vinda do Messias. Os Evangelhos identificam claramente esse personagem com João Batista (Isaías 40.3 ; Malaquias 3.1 ; Mateus 3.1-3).
  • A segunda parte diria respeito ao ministério público do Messias até a sua morte e ressurreição.

Segundo essa reconstrução, o início do ministério do Messias ocorreria no meio da septuagésima semana, isto é, por volta do mês de Tishri do ano judaico 3790. O batismo de Jesus constituiria assim o ponto de partida oficial de seu ministério público (Lucas 3.21-23).

2- As festas judaicas do mês de Tishri

Três grandes festas judaicas se sucedem precisamente durante esse período:

Festa Data hebraica Correspondência juliana
Rosh Hashaná (Ano-Novo civil) 3790 Por volta de 25 de setembro do ano 29
Yom Kippur (o Grande Perdão) 10 de Tishri de 3790 4 de outubro do ano 29
(festa dos Tabernáculos) 15 de Tishri de 3790 9 de outubro do ano 29

Surge, portanto, naturalmente a pergunta: qual festa convém melhor ao batismo de Jesus?

3- A hipótese do Yom Kippur

A festa de possui forte alcance simbólico. Faz parte, com Pessach e Shavuot, das três grandes festas de peregrinação do judaísmo (Exodo 23.14-17 ; Deuteronômio 16.16). Celebra em especial a presença de Deus no meio de seu povo durante a travessia do deserto (Levítico 23.42-43). Esse simbolismo combina particularmente bem com a encarnação do Messias (João 1.14).

No entanto, vários elementos nos levam antes a considerar a festa de Yom Kippur.

Luc précise en effet que Jésus avait « environ trente ans » lorsqu'il commença son ministère (Lucas 3.23). Si le baptême avait eu lieu exactement pendant , soit quelques jours plus tard, Jésus aurait probablement atteint précisément ses trente ans accomplis. Nous envisageons sa naissance au début de la fête de de l'an 2 Av. J.C.. Dans ce cas, l'emploi du terme « environ » par Luc paraît moins naturel. À l'inverse, un baptême situé au moment du Yom Kippour, quelques jours avant son trentième anniversaire exact selon notre chronologie, correspondrait davantage à cette formulation prudente de Luc.

A escolha do Yom Kippur apresenta também forte coerência teológica. Essa festa do Grande Perdão estava centrada em:

  • a expiação dos pecados;
  • o sacrifício;
  • a purificação do povo;
  • e a intervenção do sumo sacerdote (Levítico 16.29-34).

Ora, o batismo de Jesus inaugura precisamente o ministério daquele que João designará em seguida como «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (João 1.29). Essa correspondência tipológica entre a festa da expiação e a missão redentora do Messias reforça a plausibilidade dessa datação.

Propomos, portanto, que o batismo de Jesus tenha ocorrido verossimilmente em 10 de Tishri de 3790, o que corresponde aproximadamente a 4 de outubro do ano 29.

4- A ausência dos discípulos durante o batismo

Essa hipótese poderia também explicar a aparente ausência dos primeiros discípulos no momento do batismo. Durante o Yom Kippur, as famílias judaicas observavam esse dia com grande solenidade. É possível, portanto, que vários discípulos de João Batista estivessem temporariamente ausentes para reunir-se a seus familiares.

L'Évangile selon Jean semble indirectement confirmer cette situation. Lorsque Jean désigne Jésus comme « l'Agneau de Dieu » (João 1.35-37), ses disciples paraissent découvrir progressivement l'identité du Messie. S'ils avaient assisté personnellement au baptême et à la manifestation céleste rapportée par les synoptiques (Mateus 3.16-17 ; Marcos 1.10-11 ; Lucas 3.21-22), les explications répétées de Jean le baptiste seraient moins nécessaires.

Selon cette reconstitution chronologique, les disciples auraient rejoint Jean le baptiste dans les jours suivants, probablement après avoir voyagé depuis la Galilée vers la région où il exerçait son ministère. Nous pensons qu'il s'agissait de Béthanie située au-delà du Jourdain, mentionnée en João 1.28.

V. Visita das autoridades religiosas enviadas de Jerusalém

Nous ne pouvons pas dater avec précision la visite de la délégation envoyée depuis Jérusalem auprès de Jean le baptiste (João 1.19-28). Toutefois, plusieurs éléments nous conduisent à situer cet événement après le baptême de Jésus et après la période de tentation dans le désert.

Os Evangelhos sinóticos indicam, com efeito, que imediatamente depois do batismo Jesus foi conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo (Mateus 4.1 ; Marcos 1.12-13 ; Lucas 4.1-13). Esse período constitui uma etapa fundamental do início de seu ministério público. Jesus manifesta ali sua perfeita obediência a Deus e sua vitória sobre o mal. A cada uma das tentações, responde com as Escrituras, sublinhando assim a autoridade e o poder da Palavra de Deus diante dos ataques de Satanás.

À l'issue de cette épreuve, Jésus revient dans la région où Jean le baptiste exerce son ministère. Selon notre reconstitution chronologique, c'est dans ce contexte que se déroule la visite de la délégation mentionnée uniquement par l'apôtre Jean (João 1.19-28). Contrairement à Mateus 3.7-12, qui évoque simplement la présence de et de venant auprès de Jean, le récit johannique décrit une véritable enquête officielle menée par des représentants religieux envoyés depuis Jérusalem.

Il est donc possible que les et mentionnés par Matthieu ne correspondent pas nécessairement aux envoyés officiels décrits par Jean. Certains pouvaient être présents de leur propre initiative, attirés par l'importance croissante du ministère de Jean le baptiste, tandis que la délégation évoquée dans le quatrième Évangile relevait davantage d'une démarche institutionnelle des autorités religieuses de Jérusalem.

L'entretien rapporté en João 1.19-28 est principalement centré sur l'identité et la mission de Jean le baptiste. Aucun détail n'est donné concernant le baptême de Jésus ou la tentation dans le désert. Cette absence s'explique naturellement si ces événements avaient déjà eu lieu au moment de cette rencontre. La déclaration de Jean : « Au milieu de vous se tient celui que vous ne connaissez pas » (João 1.26) prend alors tout son sens, puisque Jean connaissait déjà l'identité du Messie à la suite du baptême.

VI. O primeiro «dia seguinte»

Ce repère chronologique fait directement suite au témoignage rendu par Jean le baptiste devant la délégation envoyée depuis Jérusalem (João 1.19-28). À cette époque, la réputation de Jean ne cessait de croître dans toute la Judée. Son activité au bord du Jourdain attirait de nombreuses foules, si bien que les autorités religieuses décidèrent d'envoyer des prêtres et des lévites afin d'enquêter sur son identité et sur ses prétentions.

O objetivo deles era provavelmente determinar:

  • qui était réellement Jean le baptiste ;
  • se reivindicava uma autoridade profética;
  • se representava uma ameaça religiosa ou política;
  • e sobretudo se poderia ser o Messias anunciado pelos profetas.

João respondeu sem ambiguidade: «Eu não sou o Cristo» (João 1.20). A entrevista se dá em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João batizava (João 1.28). Diferentemente do testemunho que presta em seguida a respeito de Jesus, João permanece aqui particularmente prudente. Diante dessas autoridades religiosas muitas vezes hostis, limita-se essencialmente a definir sua própria missão como a da «voz do que clama no deserto» (João 1.23 ; cf. Isaías 40.3).

A proclamação do Cordeiro de Deus

No dia seguinte a essa visita oficial, João avista Jesus, que provavelmente volta do período de tentação no deserto da Judeia. Declara então publicamente: «Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (João 1.29).

Desta vez, a linguagem de João se torna muito mais explícita. Ele já não se dirige a uma delegação oficial vinda de Jerusalém, mas às pessoas presentes à sua volta, provavelmente seus próprios discípulos e as multidões que o acompanhavam. João identifica agora abertamente Jesus como aquele sobre quem o Espírito desceu por ocasião do batismo (João 1.32-34) e afirma que ele é o Filho de Deus (João 1.34).

Cette déclaration marque un tournant majeur dans le récit johannique. Le ministère de Jean le baptiste atteint son objectif : préparer la venue du Messie et le révéler publiquement à Israël (João 1.31).

O alcance teológico do título «Cordeiro de Deus»

A expressão «Cordeiro de Deus» possui alcance teológico considerável. Evoca simultaneamente várias realidades do Antigo Testamento:

  • O cordeiro pascal (Exodo 12.1-13): na saída do Egito, o sangue do cordeiro protegeu da morte os primogênitos de Israel. Paulo identificará expressamente Cristo como «a nossa Páscoa» (1 Coríntios 5.7).
  • Os sacrifícios pelo pecado: no sistema levítico, o cordeiro era frequentemente oferecido em sacrifício de expiação (Levítico 4.32-35).
  • O Servo sofredor de Isaías: «Foi maltratado e oprimido, e não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro» (Isaías 53.7). Esse texto anuncia profeticamente aquele que carregará os pecados de muitos.

Jean le baptiste présente ainsi Jésus comme celui qui vient porter et ôter le péché du monde. Cette proclamation intervient immédiatement après la victoire de Jésus sur les tentations du désert, soulignant symboliquement sa parfaite fidélité à Dieu avant le commencement public de son ministère.

VII. O sentido da expressão «dia seguinte»

O termo grego empregado por João nessas diversas passagens corresponde à palavra epaurion (Strong 1887), geralmente traduzida por «no dia seguinte» ou «no dia posterior». Esse mesmo termo aparece várias vezes no relato joanino (João 1.29 ; João 1.35 ; João 1.43) e parece estruturar deliberadamente a progressão dos acontecimentos.

No primeiro caso (João 1.29), o contexto indica naturalmente que o «dia seguinte» sucede à visita da delegação enviada de Jerusalém (João 1.19-28). Nada no texto sugere que João tenha reunido artificialmente vários episódios distantes no tempo. Pelo contrário, o encadeamento narrativo parece fluido e coerente.

La notoriété de Jean le baptiste explique probablement l'intervention tardive des autorités religieuses. Son ministère connaissait un impact considérable dans toute la région. Même des et des venaient à lui pour recevoir le baptême (Mateus 3.7-12), bien que Jean dénonce l'absence de véritable repentance chez plusieurs d'entre eux. Cette influence grandissante a vraisemblablement conduit le à envoyer une délégation officielle afin d'évaluer la situation.

Nessa perspectiva, a expressão «dia seguinte» deve provavelmente ser entendida em seu sentido habitual de «dia posterior», sem que seja necessário ver nela uma simples transição literária com o sentido de «depois disso». João parece querer apresentar uma sucessão precisa de acontecimentos ligados ao início do ministério público de Jesus.

VIII. O segundo «dia seguinte»: o encontro decisivo com o Cordeiro de Deus

1- O contexto desse dia

João 1.35-36 (Bíblia Livre) :
O seguinte dia estava outra vez ali João, e dois de seus discípulos.E vendo por ali andar a Jesus, disse: Eis o Cordeiro de Deus.

Este segundo «dia seguinte» sucede à primeira proclamação pública de Jesus como «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (João 1.29). Segundo a nossa reconstituição cronológica, esse acontecimento se situaria no domingo, 18 de novembro do ano 29, embora essa datação permaneça hipotética.

2- A articulação com os Evangelhos sinóticos

O Evangelho segundo João não menciona expressamente nem o batismo de Jesus nem sua tentação no deserto. Harmonizando seu relato com os dos sinóticos, parece coerente situar esse encontro depois do período dos quarenta dias de tentação (Mateus 4.1-11 ; Marcos 1.12-13 ; Lucas 4.1-13).

Segundo as nossas conclusões, o batismo teria ocorrido na quinta-feira, 4 de outubro do ano 29, seguido imediatamente da partida de Jesus para o deserto da Judeia, onde foi tentado pelo diabo. Em seu retorno, ele teria voltado à região onde João Batista exercia seu ministério, antes do início oficial do chamado dos discípulos.

Essa harmonização sugere que os futuros discípulos encontram Jesus dois dias depois de sua volta do deserto. Eles ainda estavam em Betânia, do outro lado do Jordão, e parece agora que provavelmente não estavam presentes no batismo de Jesus.

3- A identidade dos dois primeiros discípulos

Nesse dia, dois discípulos de João Batista começam a seguir Jesus (João 1.37). O texto identifica um deles como André, irmão de Simão Pedro (João 1.40). O outro permanece anônimo, mas uma antiga tradição o associa ao próprio apóstolo João, autor do quarto Evangelho. Essa discrição seria característica de sua maneira de designar-se ao longo de todo o seu relato como «o discípulo a quem Jesus amava» (João 13.23 ; João 19.26 ; João 21.7, João 21.20).

Esse encontro marca uma etapa decisiva: esses homens descobrem progressivamente que Jesus de Nazaré é o Messias anunciado pelos profetas. É pelas palavras de João Batista que tomam conhecimento dos acontecimentos notáveis ocorridos por ocasião do batismo — a descida do Espírito e a voz celestial que atestava a identidade do Filho de Deus (João 1.32-34).

4- A questão da hora

João precisa que esse encontro ocorreu «por volta da hora décima» (João 1.39). Duas interpretações são possíveis:

Sistema de contagem Hora correspondente
Judaico (o dia começa ao nascer do sol) Cerca de 16 horas
(o dia começa à meia-noite) Cerca de 10 horas da manhã

Como o apóstolo João parece utilizar em outras passagens o sistema de cômputo — notadamente quando situa o julgamento de Jesus «por volta da hora sexta» (João 19.14), isto é, cerca de 6 horas da manhã —, a segunda hipótese permanece a mais coerente. André e João teriam passado, portanto, a maior parte do dia com Jesus.

5- O local de residência de Jesus

O texto revela um detalhe significativo: Jesus dispunha de um lugar onde permanecer temporariamente. Quando os dois discípulos lhe perguntam «Rabi, onde moras?», ele lhes responde «Vinde e vede» (João 1.38-39). Essa precisão indica que ele não estava simplesmente de passagem por Betânia, mas que pretendia permanecer ali algum tempo.

Ao chegar, provavelmente na sexta-feira anterior, Jesus teria procurado um abrigo adequado — sem dúvida uma tenda ou uma cabana modesta, segundo os costumes comuns das concentrações nessa região do Jordão. Sua formação de carpinteiro (Marcos 6.3) lhe teria sido útil nesse contexto. É verossímil que cada pessoa presente contribuísse para os trabalhos necessários ao funcionamento dessa comunidade temporária, sendo a hospitalidade e a partilha valores fundamentais dessa reunião em torno de João Batista.

6- Conclusão

Este dia 18 de novembro do ano 29 marca o início de uma aventura que transformará o mundo. Dois discípulos de João Batista, atentos ao testemunho de seu mestre, ousam seguir aquele que ele aponta como o Cordeiro de Deus. Ao passar esse dia com Jesus, adquirem a convicção de que ele é de fato o Messias esperado — uma convicção que André se apressará a compartilhar com seu irmão Simão logo no dia seguinte (João 1.41-42).

IX. O encontro com Simão

Segundo as nossas análises, no domingo, 18 de novembro do ano 29, André e João encontram Simão, irmão de André. Parece que esses três homens eram discípulos de João Batista e provavelmente haviam sido batizados por ele.

Simão é objeto de atenção particular, pois se tornará um discípulo influente dentro do grupo. João parece resumir aqui uma conversa mais longa e nos oferece apenas a conclusão. Jesus anuncia a Simão que ele se chamará de agora em diante Cefas.

O

VIII. O terceiro «dia seguinte»

Na segunda-feira, 19 de novembro, bem cedo, Jesus decide partir para a Galileia. Nenhuma precisão é dada pelos autores dos Evangelhos a respeito desse retorno à Galileia. Pensamos que ele volta a Nazaré, que fica perto de .

1- O chamado de Filipe

Ao partir, Jesus encontra Filipe e lhe dirige um chamado direto: «Segue-me» (João 1.43). João precisa que ele era natural de , como André e Pedro (João 1.44). Esses laços geográficos explicam provavelmente as relações já existentes entre vários dos primeiros discípulos.

A simplicidade do chamado ressalta também a autoridade particular exercida por Jesus desde o início do seu ministério. Nesse contexto, a fórmula «segue-me» pode ter duas interpretações. A primeira, segui-lo fisicamente no caminho para a Galileia, corresponde à realidade. Pensamos, contudo, que esse chamado reveste uma dimensão mais espiritual, convidando a seguir os ensinamentos de Jesus e a considerá-lo um novo Mestre.

2- A duração da viagem

O deslocamento para Nazaré se faz geralmente em cinco a seis dias. A distância entre Betânia, do outro lado do Jordão, e a Galileia exigia vários dias de caminhada pelo vale do Jordão ou pela Samaria.

3- O encontro com Natanael

«Filipe encontrou Natanael e lhe disse: "Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei e de quem também escreveram os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José."» (João 1.45)

Filipe encontra Natanael a sós e precisa: «achamos», porque já havia encontrado antes André, João e Simão Pedro. Essa declaração mostra que os primeiros discípulos já interpretam a vinda de Jesus à luz das Escrituras do Antigo Testamento (Deuteronômio 18.15 ; Isaías 9.5-6 ; Isaías 11.1-10).

4- O ceticismo inicial de Natanael

Natanael manifesta, todavia, certa reserva: «De Nazaré pode sair alguma coisa boa?» (João 1.46). Essa reação reflete provavelmente a baixa reputação de Nazaré naquela época. A aldeia era modesta e pouco mencionada nas fontes antigas. Filipe não procura desenvolver uma longa argumentação, mas responde simplesmente: «Vem e vê» (João 1.46).

O testemunho pessoal e o encontro direto com Jesus tornam-se assim o principal meio de convencer Natanael.

5- A revelação de Jesus

«Jesus viu Natanael aproximar-se dele e disse a seu respeito: "Eis aqui verdadeiramente um israelita em quem não há dolo." "De onde me conheces?", disse-lhe Natanael. Jesus lhe respondeu: "Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da , eu te vi." Natanael respondeu: "Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel."» (João 1.47-49)

Essa palavra parece revelar um conhecimento sobrenatural de Natanael e provoca imediatamente a sua confissão de fé. A possui na tradição judaica forte alcance simbólico e pode evocar:

  • a meditação das Escrituras;
  • a paz messiânica;
  • ou ainda a espera do reino (Miqueias 4.4 ; Zacarias 3.10).

A referência a «um israelita em quem não há dolo» contrasta com Jacó, cujo nome significa «aquele que suplanta» e que foi caracterizado pela astúcia em seus anos jovens (Gênesis 27.35-36). Natanael encarna assim o israelita autêntico, preparado para reconhecer o Messias.

6- A identidade de Natanael

Com exceção das diversas listas de apóstolos (Mateus 10.3 ; Marcos 3.18 ; Lucas 6.14), Natanael não é mencionado com esse nome nos Evangelhos sinóticos. Ele é evocado apenas no Evangelho de João, notadamente nesta passagem e naquela em que se indica que era natural de (João 21.2). Vários exegetas o identificam com Bartolomeu, mencionado nas listas apostólicas imediatamente depois de Filipe.

Esse encontro constitui uma etapa importante no reconhecimento progressivo da identidade messiânica de Jesus por seus primeiros discípulos.

IX. O terceiro dia: as bodas de Caná

1- O cálculo do «terceiro dia»

Procuramos determinar o ponto de partida desses três dias para conhecer a data dessas bodas. Estabelecemos que Jesus inicia sua viagem de volta à Galileia em 19 de novembro do ano 29. A expressão «terceiro dia» parece ligar diretamente as aos acontecimentos anteriores, ainda que o ponto de partida exato do cálculo permaneça discutido.

Segundo a nossa estimativa, a chegada à Galileia (provavelmente a Nazaré) está prevista para a quarta-feira, 21, ou a quinta-feira, 22 de novembro do ano 29. Filipe reencontra então Natanael, provavelmente na sexta-feira, 23 de novembro. O encontro entre Jesus e Natanael se dá no mesmo dia.

Por conseguinte, o «terceiro dia» mencionado em João 2.1, depois desse encontro com Natanael e Filipe, seria o domingo, 25 de novembro do ano 29, dia em que começam as bodas em .

2- Os possíveis laços familiares

As bodas constituem, na sociedade judaica do século I, um acontecimento comunitário de grande importância. Vários indícios deixam entrever uma proximidade particular entre a família de Jesus e os organizadores da cerimônia:

  • Maria intervém diretamente quando falta o vinho (João 2.3).
  • Jesus e seus discípulos são convidados juntos (João 2.2).
  • Natanael, natural de segundo João 21.2, aparece no contexto imediato do relato.

Com base nisso, alguns autores sugeriram que Natanael poderia estar intimamente ligado a essa união. Outros sustentam que a noiva poderia ser uma das irmãs de Jesus, o que explicaria a presença de sua família. Contudo, essas hipóteses permanecem especulativas: nenhum texto bíblico as afirma expressamente.

A presença de toda a família de Jesus nessas bodas sugere uma ligação mais profunda do que um simples convite amistoso. É plausível que Natanael, ou um de seus parentes, se casasse com um membro da família de Jesus. A hipótese mais crível, segundo a nossa análise, é que Natanael se casa com uma irmã de Jesus, pois tradicionalmente as bodas se realizam na aldeia do noivo ou na casa de seu pai — aqui , e não Nazaré (João 21.2).

3- O primeiro sinal

Nessas bodas, Jesus realiza seu primeiro sinal público ao transformar a água em vinho (João 2.7-9). João conclui:

«Este princípio de sinais fez Jesus em da Galileia; manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.» (João 2.11)

Esse primeiro milagre inaugura publicamente o ministério do Messias na Galileia e revela progressivamente a sua glória aos olhos de seus discípulos. A escolha do vinho como primeiro sinal possui rico alcance simbólico, evocando a alegria messiânica e a abundância do reino vindouro (Isaías 25.6 ; Amós 9.13-14).

Os

XI. Notas explicativas sobre os acontecimentos principais

1- O batismo de Jesus (Ponto 1)

OrdemAcontecimentoDataReferência
1Batismo do Messias Jesusquinta-feira, 4 de out. do ano 29Mateus 3.13-17 Marcos 1.9-11 Lucas 3.21-23
2A partida para o deserto da Judeiaquinta-feira, 4 de out. do ano 29Mateus 3.13 Marcos 1.9
3O período de tentaçãoDe sexta-feira, 5 de outubro, a quarta-feira, 14 de novembro do ano 29Mateus 4.1-11 Marcos 1.12-13 Lucas 4.1-13
4Os anjos servem o Messias Jesusquinta-feira, 15 de nov. do ano 29Mateus 4.11 Marcos 1.13
5O retornosexta-feira, 16 de nov. do ano 29João 1.35
6Visita da delegaçãosexta-feira, 16 de nov. do ano 29João 1.19-20
7O primeiro dia seguintesábado, 17 de nov. do ano 29João 1.29
8O segundo dia seguintedomingo, 18 de nov. do ano 29João 1.35
9A descoberta de André e João (?)domingo, 18 de nov. do ano 29João 1.40
10O encontro com Simão (Pedro)domingo, 18 de nov. do ano 29João 1.41
11Simão será chamado Cefasdomingo, 18 de nov. do ano 29João 1.42
12O terceiro dia seguintesegunda-feira, 19 de nov. do ano 29João 1.43
13Partida para a Galileiasegunda-feira, 19 de nov. do ano 29João 1.43
14Encontro com Filipesegunda-feira, 19 de nov. do ano 29João 1.43
15A chegada à Galileia (Nazaré?)Quarta-feira, 21 de nov. do ano 29 (ou quinta-feira, 22)
16Encontro de Filipe com Natanael (perto de Nazaré)sexta-feira, 23 de nov. do ano 29João 1.45
17Encontro de Natanael e Jesus (perto de Nazaré)sexta-feira, 23 de nov. do ano 29João 1.47
18Três dias depois, domingo, 25 de nov. do ano 29João 2.1

(Mateus 3.13-17 ; Marcos 1.9-11 ; Lucas 3.21-23)

Segundo a nossa reconstituição cronológica, o batismo de Jesus teria ocorrido na quinta-feira, 4 de outubro do ano 29. Esse acontecimento marca o início oficial de seu ministério público.

Les Évangiles synoptiques rapportent que Jésus vient auprès de Jean le baptiste pour être baptisé dans le Jourdain. Matthieu précise que Jésus vient de Galilée (Mateus 3.13), Marc indique que le baptême a lieu dans le Jourdain (Marcos 1.9), et Luc situe cet événement dans un contexte où le peuple venait recevoir le baptême de Jean (Lucas 3.21).

Esse momento é confirmado por uma manifestação divina excepcional: os céus se abrem, o Espírito desce sobre Jesus como uma pomba, e uma voz celestial o designa como o Filho amado de Deus (Mateus 3.16-17 ; Marcos 1.10-11 ; Lucas 3.22).

2- A tentação no deserto (Pontos 2-4)

(Mateus 4.1-11 ; Marcos 1.12-13 ; Lucas 4.1-13)

Em seguida ao batismo, Jesus é imediatamente conduzido pelo Espírito ao deserto. Marcos emprega uma formulação particularmente forte ao indicar que o Espírito o «impele» logo para o deserto (Marcos 1.12).

Essa partida mostra que o ministério do Messias começa com uma provação. Antes de qualquer pregação pública, Jesus se retira para um lugar isolado, longe das multidões e das expectativas humanas. Essa etapa lembra os grandes tempos de preparação espiritual na história bíblica, notadamente os de Moisés (Exodo 34.28) e de Elias (1 Reis 19.8).

Ao término da tentação, o diabo se afasta de Jesus e anjos vêm servi-lo (Mateus 4.11 ; Marcos 1.13). Essa intervenção marca o fim da provação e confirma a vitória do Messias sobre a tentação. O serviço dos anjos sublinha que Jesus, embora tenha realmente conhecido o cansaço, a fome e a fraqueza humana, permanece sob a assistência e a aprovação de Deus.

3- O primeiro «dia seguinte» (Ponto 7)

(João 1.29-34)

Le lendemain de la visite de la délégation venue de Jérusalem, Jean le baptiste voit Jésus venir vers lui et déclare publiquement : « Voici l'Agneau de Dieu qui enlève le péché du monde » (João 1.29).

Cette déclaration constitue l'une des affirmations théologiques majeures du début de l'Évangile de Jean. Jean le baptiste identifie désormais clairement Jésus comme celui qui accomplira l'œuvre du salut.

João testemunha também ter visto o Espírito descer sobre Jesus por ocasião do batismo: «Vi o Espírito descer do céu como pomba e permanecer sobre ele» (João 1.32). O batismo do Messias já passou, portanto, no momento dessa declaração, o que confirma que os acontecimentos de João 1.29-34 devem ser situados depois dos relatos sinóticos do batismo e da tentação.

4- O segundo «dia seguinte» (Ponto 8)

(João 1.35-39)

Le lendemain encore, Jean le baptiste se trouve avec deux de ses disciples lorsqu'il désigne une nouvelle fois Jésus : « Voici l'Agneau de Dieu » (João 1.36).

Em seguida a essa declaração, os dois discípulos começam a seguir Jesus (João 1.37). Um deles é expressamente identificado como André (João 1.40). O outro não é nomeado, mas vários exegetas consideram que poderia tratar-se do próprio apóstolo João.

Le récit souligne ici le rôle fondamental de Jean le baptiste : il prépare le chemin du Messie, reconnaît publiquement son identité, puis dirige volontairement ses propres disciples vers lui. Comme Jean le baptiste le dira plus tard : « Il faut qu'il croisse, et que je diminue » (João 3.30).

5- As bodas de Caná (Ponto 15)

(João 2.1-11)

João prossegue seu relato indicando:

João 2.1 (Bíblia Livre) :
E no terceiro dia houve um casamento em Caná da Galileia; e a mãe de Jesus estava ali.Noteduas ou três metretas cerca de 100 litros (1 metreta era aproximadamente 40 litros

Nessas bodas, Jesus realiza seu primeiro sinal público ao transformar a água em vinho (João 2.7-9). Esse milagre inaugural possui uma dimensão simbólica profunda. A água das purificações judaicas — contida em seis talhas de pedra destinadas aos ritos de purificação (João 2.6) — é transformada em vinho novo e excelente.

Essa transformação evoca a passagem da antiga aliança para a nova, do rito exterior para a alegria interior, da letra para o espírito. O vinho, símbolo de alegria e de festa na tradição bíblica, anuncia a abundância do reino messiânico (Isaías 25.6 ; Jeremias 31.12 ; Amós 9.13-14).

João conclui:

João 2.11 (Bíblia Livre) :
Este princípio de sinais Jesus fez em Caná da Galileia, e manifestou sua glória; e seus discípulos creram nele.

Esse primeiro milagre inaugura publicamente o ministério do Messias na Galileia e revela progressivamente a sua glória aos olhos de seus discípulos.

Conclusão

Observamos que as informações adicionais fornecidas por João podem ser integradas de maneira coerente aos dados dos Evangelhos sinóticos após uma análise minuciosa. Convém ressaltar que o objetivo principal dos autores desses textos não era fornecer uma biografia exaustiva. Por conseguinte, é imperativo recolocar, como num quebra-cabeça, os diversos fatos relatados em sua ordem cronológica, o que pode por vezes revelar-se complexo.

Parece claro que o objetivo de João, depois de estudar os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, era completar a cronologia deles, que julgava simplificada demais. As informações adicionais que fornece podem parecer contraditórias em relação às dos sinóticos se não forem examinadas com atenção.

A hipótese cronológica que propomos decorre diretamente dos textos. Somos obrigados, em particular para o período de tentação, a avaliar durações de deslocamento que nos parecem críveis.

Evidentemente, essa cronologia que propomos permanece uma hipótese. Faltam-nos provas para sustentar todas essas propostas, e conhecemos o adágio: «o que pode ser afirmado sem provas pode ser rejeitado sem provas».

Contudo, nosso objetivo não é afirmar que os acontecimentos se deram exatamente como propomos, mas simplesmente demonstrar que uma harmonia entre os relatos sinóticos e o de João permanece plausível.

Temos, apesar disso, a sensação de nos aproximar da verdade respeitando todas as informações de que dispomos.

Depois de uma análise aprofundada, constatamos uma notável coerência entre os quatro Evangelhos. Essa observação não surpreende, pois esses autores documentaram seus testemunhos de maneira rigorosa.