A surpresa dos membros do deve ter sido considerável. Em vez de descobrir dois homens intimidados e impressionados pela solenidade dessa assembleia, eles ouvem Pedro exprimir-se com notável segurança. Lucas ressalta, aliás, que o apóstolo está então «cheio do Espírito Santo» (Atos 4.8), mostrando assim que essa ousadia não repousa unicamente em suas qualidades pessoais.
Mais ainda, certos aspectos de sua argumentação lembram os do próprio Senhor Jesus. Pela maneira como Pedro responde a seus acusadores e fundamenta seu raciocínio nas Escrituras, o leitor reencontra certos traços do ministério do Mestre. A ação do Espírito Santo certamente não é alheia a essa segurança e a esse notável domínio da situação.
2- O espanto dos membros do Sinédrio
Ninguém parecia esperar tal atitude. Lucas faz questão de ressaltar o espanto dos membros do , que reconhecem em Pedro e em João homens do povo, desprovidos de formação rabínica reconhecida (Atos 4.13). No entanto, essas mesmas autoridades descobrem com surpresa que esses homens simples possuem uma segurança e uma sabedoria que elas não conseguem reduzir ao silêncio.
Essa cena lembra as promessas feitas por Jesus a seus discípulos. Ele lhes havia anunciado que, quando fossem levados diante dos tribunais, o Espírito Santo lhes daria as palavras necessárias (Mateus 10.19-20; Lucas 12.11-12). Os acontecimentos relatados por Lucas aparecem assim como o cumprimento concreto dessas palavras.
3- O milagre coloca os juízes em apuros
A ironia da situação é particularmente notável. Aqueles que tinham vindo julgar Pedro e João encontram-se eles próprios em apuros. A presença do antigo coxo, milagrosamente curado, torna toda contestação particularmente difícil. A evidência do milagre perturba o raciocínio dos membros do e os priva de qualquer argumento decisivo.
Incapazes de negar os fatos, veem-se obrigados a fazer sair os acusados para deliberar entre si (Atos 4.14-15). O tribunal encarregado de condenar os apóstolos vê-se assim diante de uma realidade que não consegue nem explicar nem refutar.
4- Pedro, principal porta-voz dos apóstolos
Lucas dá destaque principalmente a Pedro, que aparece como o principal porta-voz do grupo apostólico durante os primeiros anos da Igreja. Esse papel já é perceptível nos Evangelhos (Mateus 16.16; João 6.68-69) e se confirma nos primeiros capítulos de Atos.
Contudo, Lucas ressalta também a segurança de João (Atos 4.13). Ignoramos se ele tomou a palavra durante essa comparecência, uma vez que o relato se concentra essencialmente em Pedro. Esse silêncio não significa, porém, que João tenha permanecido passivo; ele testemunha antes a escolha literária de Lucas, que privilegia a figura de Pedro nessa primeira parte de sua obra.
5- Uma nova ilustração da promessa do Senhor
Algumas semanas antes, esses mesmos discípulos haviam abandonado o seu Mestre no momento de sua prisão (Mateus 26.56). Agora comparecem diante das mesmas autoridades religiosas com uma segurança que surpreende até seus adversários.
O contraste é impressionante. Os chefes do povo pensavam provavelmente intimidar dois simples galileus, mas descobrem testemunhas decididas, cuja ousadia lembra a do próprio Senhor Jesus. Mais uma vez, a oposição das autoridades religiosas torna-se para os apóstolos a ocasião de dar testemunho de Cristo ressuscitado.
6- O Sinédrio diante de um problema insolúvel
O embaraço dos membros do anuncia a continuação do relato. Incapazes de negar o milagre e de refutar os argumentos de Pedro, as autoridades religiosas vão buscar outro meio de pôr fim à pregação apostólica.
Examinaremos no estudo seguinte a reação do e as medidas que ele tentará tomar para reduzir os dois apóstolos ao silêncio.
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