INF336

A resposta de Pedro

Ao estudar atentamente a resposta de Pedro diante do Sinédrio (Atos 4.8-12), constata-se que ela apresenta muitas semelhanças com a maneira como o próprio Jesus…

17 min 25 versículos 5 livros

A resposta de Pedro

Ao estudar atentamente a resposta de Pedro diante do (Atos 4.8-12), constata-se que ela apresenta muitas semelhanças com a maneira como o próprio Jesus respondia às autoridades religiosas. Provavelmente não se trata de uma simples coincidência. Pedro viveu vários anos ao lado de seu Mestre e foi profundamente marcado por seu ensino e por sua maneira de se expressar.

Eis alguns paralelos notáveis.

  1. Uma resposta calma e direta

Como Jesus diante do (Mateus 26.57-68), Pedro não se deixa intimidar pelo prestígio de seus interlocutores. Responde com respeito, mas sem nenhuma submissão servil:

«Príncipes do povo e anciãos de Israel» (Atos 4.8).

Encontramos aqui a segurança que Jesus havia prometido a seus discípulos:

“O que haveis de dizer vos será dado naquela mesma hora” (Mateus 10.19-20).

Lucas, aliás, ressalta:

“Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse…” (Atos 4.8).

  1. O milagre torna-se ponto de partida para anunciar Jesus

O faz uma pergunta de ordem prática:

“Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?” (Atos 4.7).

À semelhança de Jesus, Pedro vai além da pergunta imediata e conduz toda a discussão para a sua pessoa central:

“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno” (Atos 4.10).

O próprio Jesus havia usado com frequência perguntas ou circunstâncias para conduzir seus ouvintes a verdades mais profundas (Mateus 22.41-46; João 5.19-47).

  1. Uma acusação devolvida aos acusadores

Pedro declara:

“Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos” (Atos 4.10).

Essa fórmula lembra os muitos confrontos de Jesus com os líderes religiosos, quando ele revelava a responsabilidade espiritual deles (Mateus 21.33-46; Mateus 23.13-36).

Como seu Mestre, Pedro não procura defender a si mesmo. Coloca seus juízes diante da própria responsabilidade.

  1. O recurso às Escrituras

Pedro cita:

«A pedra que vós, construtores, rejeitastes tornou-se a pedra angular» (Atos 4.11).

Trata-se de Salmos 118.22.

Ora, o próprio Jesus havia aplicado essa passagem a si mesmo diante desses mesmos dirigentes:

“Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular?” (Mateus 21.42).

É difícil não ver aqui uma lembrança direta das palavras do Mestre.

  1. Uma afirmação exclusiva da salvação

Pedro conclui:

«Em nenhum outro há salvação» (Atos 4.12).

Essa exclusividade lembra as afirmações de Jesus:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14.6).

“Eu sou a porta” (João 10.9).

O centro da mensagem de Pedro continua sendo exatamente o de Jesus.

  1. Os mesmos adversários

O paralelo é ainda mais impressionante quando se nota que Pedro se dirige provavelmente a vários homens que haviam participado do julgamento de Jesus:

  • Anás (João 18.13);
  • Caifás (Mateus 26.57);
  • os anciãos e os escribas (Mateus 26.59).

Algumas semanas antes, Pedro seguia Jesus de longe e o negava (Mateus 26.69-75). Agora, ele retoma diante desses mesmos homens os próprios argumentos de seu Mestre.

Conclusão

Existem, portanto, profundas semelhanças entre a defesa de Pedro e a de Jesus. A estrutura de sua argumentação, o recurso às Escrituras, a maneira de devolver aos acusadores a sua própria responsabilidade e, sobretudo, o lugar central dado à pessoa do Messias lembram fortemente o ensino do próprio Jesus. Tem-se realmente a impressão de que Pedro assimilou a maneira de pensar e de testemunhar de seu Mestre.

Essa semelhança constitui talvez um dos primeiros cumprimentos da promessa de Jesus:

“O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre” (Lucas 6.40).

Assim, por trás das palavras de Pedro, é de certo modo a voz de seu Mestre que continua a ressoar diante do , pela ação do Espírito Santo (João 14.26; Atos 4.8).