O artigo examina o incidente em que Jesus expulsa os comerciantes do templo, relatado de forma diferente nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Enquanto os sinópticos o situam pouco antes da crucificação, João coloca-o no início do ministério, descrevendo uma cena marcada pelo uso de um chicote. A divergência levanta a questão de ter ocorrido mais de uma vez. A ação de Jesus, embora simbólica, não provocou intervenção romana, evidenciando a sua estratégia de afirmar uma purificação espiritual.
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JesusTemplocomerciantesEvangelhospurificação
22 versículos
9 livros
Os autores dos Evangelhos citam por vezes, independentemente, os mesmos factos. Acrescentam o seu toque pessoal, enriquecendo a narrativa.
De tempos a tempos, encontramos histórias semelhantes, mas com diferenças tão grandes que já não conseguimos conciliá-las.
É o caso desta passagem em que Jesus, o Messias, expulsa os comerciantes do templo.
Neste caso, referem-se os escritores bíblicos ao mesmo acontecimento ou a dois factos distintos?
I. Os relatos de Mateus, Marcos e Lucas
Estes três textos sinópticos semelhantes relatam acontecimentos da semana da crucificação. Marcos salienta sobretudo a grande notoriedade de Jesus, que pode agir assim porque as autoridades do templo nunca ousariam prendê-lo diante dos seus seguidores.
Mateus, Marcos e Lucas não fornecem muitos pormenores sobre o acontecimento em si.
Segundo Marcos 11.11, na véspera, Jesus já observara o local antes de regressar a Betânia, onde residiam Marta, Maria e Lázaro. Pôde, portanto, refletir durante a noite sobre a conduta a adotar e escolher o melhor momento para agir.
Os vendedores instalados sob o pórtico de Salomão ocupavam também parte do átrio dos gentios. Além disso, segundo Marcos 11.16, atravessavam a esplanada para atrair clientes, tornando impossível o recolhimento e a oração. A intervenção de Jesus parece, pois, legítima.
Observamos que a alusão à destruição do templo nos sinópticos integra um discurso proferido, não no dia em que Jesus expulsa os vendedores, mas no dia seguinte, no .
As intervieram para acalmar a situação. Era crucial impedir que degenerasse e arrastasse o povo para uma revolta, pois o exército romano reprimiria a insurreição num banho de sangue.
Os três autores citam as palavras do Mestre, que retomam as de Isaías 56.7 e Jeremias 7.11.
Podemos interrogar-nos sobre a utilidade de tal ação, pois constatamos que nada parece agora capaz de travar este fenómeno.
Apesar disso, ao agir assim, Jesus afirma a sua autoridade, muito superior à dos responsáveis religiosos e do sumo sacerdote Caifás, que permanecem passivos perante estes abusos.
Em suma, os três relatos de Mateus, Marcos e Lucas harmonizam-se, mas o de João distingue-se consideravelmente.
Terá Jesus, o Messias, tentado purificar o templo por duas vezes?
II. O relato de João
Sabemos que João escreveu tardiamente e conhecia os escritos dos amigos. Contudo, relata esta peripécia desenvolvendo um pormenor inédito: Jesus faz um chicote e usa-o para expulsar todos, comerciantes e animais incluídos.
A cena, aparentemente brutal, não desencadeou a intervenção dos soldados , o que sugere um caráter relativamente discreto. Os discípulos limitam-se a observar, sem intervir! Quando João diz que expulsou todos os vendedores do templo, pensa certamente nos que estavam nas proximidades.
Uma intervenção de grande escala era impossível, pois os soldados , e também a guarda judaica do templo, interviriam rapidamente para prender o desordeiro. As ordens do prefeito Pôncio Pilatos eram precisas: nenhuma perturbação seria tolerada, sob pena de repressão sangrenta.
A multidão terá ocultado a intervenção. Constatamos que ninguém o imobilizou. Contra todas as expectativas, inicia-se um diálogo cortês.
Jesus não tencionava, aparentemente, expulsar todos os comerciantes do templo, o que seria impossível, mas apenas transmitir uma mensagem ao povo.
João descreve a história e acrescenta primeiro o seu comentário no versículo João 2.17. Depois regista uma conversa com judeus, certamente comerciantes do templo.
Não observamos qualquer reação das autoridades religiosas, o que parece confirmar que a intervenção de Jesus se manteve muito localizada.
João situa este relato no início do ministério do Mestre, em abril do ano 30, segundo a nossa cronologia.
III. Vários pontos do relato de João exigem uma explicação
As autoridades religiosas e romanas não intervêm, embora estejam atentas a qualquer tentativa de sedição. Podemos explicá-lo pelo alcance limitado desta intervenção, que passou despercebida a esses observadores.
A discrição dos discípulos leva-nos a perguntar se estavam presentes. O versículo João 2.17, ao salientar que recordam palavras do Mestre relacionadas com o acontecimento, parece confirmar a presença. Não sabemos, contudo, quantos eram.
Também pode surpreender a reação muito moderada dos comerciantes e cambistas. Os judeus piedosos não aceitavam que Caifás tivesse permitido a instalação destes comerciantes no recinto do templo. Ficavam sob o pórtico de Salomão e ocupavam parte do átrio dos gentios. Conscientes das reservas de muitos judeus, tinham interesse em acalmar a situação, que poderia degenerar rapidamente e provocar intervenções brutais do exército romano. Um diálogo cortês parece a melhor solução.
O versículo João 2.14 parece indicar verdadeiro espanto por encontrar vendedores na esplanada do templo. Após a renovação, Caifás autorizara-os a ocupar esses locais para controlar os animais e as transações. Antes, estavam no . O espaço considerável ocupado pelo comércio continuava a surpreender estes judeus vindos para rezar.
No versículo João 2.15, João indica que os expulsou a todos. Entendemos que se refere aos que estavam perto de Jesus. Com efeito, no contexto explosivo criado pelas decisões de Caifás, uma intervenção de grande escala teria necessariamente provocado uma resposta brutal do exército romano que vigiava a esplanada. Mas não foi o que aconteceu! Perante o ruído do mercado de animais e das negociações, a ação de Jesus não terá atraído a atenção de muita gente.
Jesus age sozinho, e os discípulos limitam-se a observar, o que sugere uma ação rápida. Embora fazer o chicote tenha levado algum tempo, vários terão perguntado para que serviria. O Mestre não bateu nos comerciantes, que certamente se colocavam como barreira para proteger as bancas.
O versículo João 2.16 indica que Jesus fala aos vendedores, acusando-os de terem transformado este lugar de oração num mercado de gado. Cita Isaías 56.7 e Jeremias 7.11.
O versículo João 2.14 menciona o templo, mas trata-se aqui da esplanada e, em particular, do átrio dos gentios.
Em conclusão, perante os factos relatados, devemos reconhecer que a ação de Jesus permaneceu discreta. Tem sobretudo um caráter simbólico: ao afirmar a sua autoridade, o Mestre não procurou uma revolta popular. Quanto à violência dos atos, é preciso reconhecer que ninguém ficou ferido e que Jesus queria apenas recordar a todos que o templo era, antes de mais, a casa de , Yahvé.
Trata-se de uma primeira intervenção, enquanto Mateus, Marcos e Lucas relatam uma segunda?
A nossa resposta assenta apenas na diferença dos factos relatados. A descrição de uma intervenção violenta do Mestre em João, ausente de Mateus, Marcos e Lucas, leva-nos a pensar em duas intervenções.
Esta reação surpreendente e invulgar dificilmente seria esquecida, pelo que pensamos que os autores dos sinópticos a omitiram intencionalmente.
Segundo João, Jesus participou em quatro festas da Páscoa em Jerusalém durante o ministério. Parece-nos evidente que, em todas elas, se indignaria com a desordem causada pelo grande mercado.
O ruído, a sujidade dos excrementos dos animais e sobretudo o comércio não combinavam com a solenidade do lugar, mesmo no átrio dos gentios, fora do lugar santo. Jesus poderia, pois, ter intervindo em todas as ocasiões!
Além disso, os quatro autores relatam um discurso relacionado com o templo.
Mas as semelhanças acabam aí, e as divergências são tais que se torna difícil conceber um único acontecimento.
Com efeito, cinco pontos demonstram esta diferença:
IV. Quantas vezes expulsou Jesus, o Messias, os comerciantes do templo?
_1 A data: o ano 30 em João e 33 em Mateus, Marcos e Lucas.
_2 Nenhuma intervenção das autoridades em João, enquanto nos sinópticos elas decidem claramente assassinar Jesus. O facto insignificante registado por João ganha grande dimensão nos sinópticos.
_3 João fala da construção do templo e da proposta por Jesus sobre a sua morte. Evoca os três dias de Jonas no ventre do peixe. Mateus, Marcos e Lucas não estabelecem essa ligação.
_4 Em João, o discurso limita-se a um diálogo com judeus, que julgamos serem os comerciantes, após o incidente; tudo decorre no átrio dos gentios. Em Mateus, Marcos e Lucas, o discurso é situado no dia seguinte, no .
_5 Em João, faz um chicote, o que não sucede em Mateus, Marcos e Lucas.
Concluindo, os dois acontecimentos são demasiado diferentes para se considerar que se trata do mesmo facto.
Devemos surpreender-nos por Jesus ter expulsado os vendedores ou derrubado as mesas por duas vezes, em festas da Páscoa?
Nas grandes festas, os vendedores deslocavam-se até à esplanada do templo para atrair compradores. Este local de recolhimento e oração transformava-se num mercado ensurdecedor. Os odores e o barulho dos animais, assim como os seus dejetos, acentuavam essa transformação. Muitos judeus não aceitavam esta decisão do .
Para qualquer judeu piedoso, a situação era revoltante, mas ninguém ousava agir, à exceção de Jesus, o Messias.
V. Um pouco de história
Antes da construção do templo de Salomão, os judeus geriam pessoalmente os princípios deste sacrifício pascal. Os levitas encarregavam-se de imolar e preparar os animais, pois muitas vezes uma parte devia ser queimada.
Os peregrinos compravam um cordeiro ou um cabrito; as autoridades religiosas do templo verificavam a conformidade do animal e realizavam o sacrifício. Parece que o peregrino degolava o animal e o sacerdote recolhia o sangue, que nunca devia ser consumido, por representar a vida, pertencente apenas a Deus Levítico 17.11.
No ano 30 a.C., os responsáveis religiosos, sob a autoridade do sumo sacerdote Hananel e do seu sucessor Jesus ben Fabi, nomeados por Herodes, o Grande, perceberam que lhes escapava o controlo da venda de animais. Decidiram transferir o grande mercado do diretamente para o templo, mais precisamente para o átrio dos gentios.
Graças a João 2.20, sabemos que o templo foi reconstruído em quarenta e seis anos. O trabalho, iniciado em -19 ou -20 a.C., deveria terminar por volta do ano 28.
O sumo sacerdote Caifás reorganizou, portanto, este mercado, aproveitando para o ampliar. Segundo João, Jesus intervém após esta reforma, cerca de dois anos depois, de acordo com as nossas deduções. Parece que os comerciantes desenvolveram rapidamente a atividade e ganharam terreno na esplanada do templo.
Comerciantes, negociantes, cambistas e autoridades religiosas, conscientes de que parte do povo desaprova este desenvolvimento, procuram minimizar as intervenções do novo Mestre.
A abundância financeira desta operação ultrapassa todas as previsões dos , que dominam o .
O resultado é extremamente vantajoso para estes sacerdotes. Impõem uma moeda específica, certamente o siclo de Tiro, pelo elevado teor de prata. Jerusalém não podia cunhar moeda própria.
A razão oficial de que a efígie de César era incompatível com a santidade do lugar parece esbater-se perante a realidade económica!
A maioria das moedas de prata, em especial o denário romano, referência da época, continha apenas 80% de prata, enquanto o siclo de Tiro atingia 95%. Este pormenor não escapara aos contabilistas do templo.
A taxa de câmbio favorecia os religiosos judeus, tanto mais que, antes de partirem, os peregrinos trocavam os siclos restantes pelas moedas de origem.
Este monopólio, favorável aos grandes sacerdotes, prejudicava os notáveis da cidade, pelo que Jesus podia beneficiar do apoio desta oposição.
Podemos imaginar o ruído deste comércio perto do lugar santo, perturbando as orações dos judeus fiéis.
O aumento contínuo dos preços impostos pelos sacerdotes levou a que os pobres já nem pudessem comprar um par de pombos.
Esta especulação revoltante, denunciada por Jesus, podia, portanto, encontrar apoios em várias classes da sociedade judaica.
VI. A justificação da violência
O relato de João distingue-se dos de Mateus, Marcos e Lucas. A brutalidade ocupa mais espaço, e a confeção de um chicote acentua essa impressão.
Pode este comportamento do Mestre justificar violências a pretexto de purificações religiosas? Infelizmente, a História demonstra que isso aconteceu demasiadas vezes. Aqui não pretendemos comentar a história, mas apenas considerar o texto de João.
No relato de João, à parte alguns incómodos e algum trabalho, ninguém sofreu danos, nem pessoas nem animais. Além disso, o Filho de Deus possuía uma legitimidade e uma autoridade que nenhum homem pode esperar ter.
Interpretar que todos os vendedores foram expulsos do templo é um grande exagero. Como vimos, a realidade é mais moderada. Alguns negociantes foram apenas perturbados temporariamente no trabalho. Estamos longe de uma revolução; a ação continua sobretudo simbólica. A grande maioria dos peregrinos e a guarda romana que vigiava a esplanada nada notaram de suspeito.
Se detetassem a mínima agitação anormal, suspeitariam de um início de rebelião e interviriam depressa e brutalmente. Jesus teria então terminado a Páscoa numa prisão da fortaleza Antónia.
Não podemos ignorar este ato brutal e surpreendente do Mestre. «O zelo da tua casa me devora», dirá João 2.17, para justificar, ou pelo menos explicar, esta ação.
Pensamos também nas censuras que Jesus dirigiu aos , chamando-lhes hipócritas Mateus 23.13, ou ao rei Herodes Antipas, a quem chamou raposa Lucas 13.32. «Geração incrédula e perversa, até quando vos suportarei?», dirá aos próprios discípulos Mateus 17.17, Marcos 9.19, Lucas 9.41.
Todas estas manifestações violentas demonstram o fosso entre o pensamento do Mestre e o dos que o rodeavam. A gravidade da situação exigia por vezes uma reação enérgica para provocar uma resposta positiva dos interlocutores.
Usar estes exemplos para justificar comportamentos violentos seria, por exemplo, justificar o adultério com o caso do rei David, o homem segundo o coração de Deus, no episódio de Urias, o hitita 2 Samuel 11.1!
Por outro lado, seria necessário estudar bem os factos antes de usar a palavra «violência». Derrubar as mesas dos cambistas, expulsar os animais com um chicote de cordas e repreender os vendedores de pombos são atos enérgicos adequados à situação. Mas falar aqui de violência como a conhecemos hoje parece exagerado.
O comportamento de Jesus não assustou muita gente; aliás, certamente retomaram a atividade lucrativa logo depois.
Jesus quis apenas proclamar uma mensagem importante. Ao escrever a passagem, João recordou a ligação impressionante entre esses atos e as palavras de David Salmos 69.10.
O último lugar consagrado a Deus foi transformado por estes religiosos numa zona de negócios lucrativos.
VII. Os quarenta e seis anos de construção
Os judeus envolvidos na intervenção de Jesus recordam-lhe, e a todos os que escutam, que a reconstrução do templo durou quarenta e seis anos. Sabemos também, graças a Flávio Josefo, que começou em 20 ou 19 a.C. Somando os quarenta e seis anos referidos, chegamos a cerca do ano 27 ou 28.
Calculámos que o acontecimento se deu na Páscoa de sexta-feira, 7 de abril do ano 30. Como explicar a diferença de dois ou três anos? Sabemos que as obras continuaram até ao ano 63. Mas estas pessoas referem-se ao fim da obra principal, a reconstrução. Seguiram-se trabalhos menores, sem impedir o acesso dos peregrinos ao templo.
Entendemos, por isso, estas palavras apenas como referência a uma duração e não a uma data precisa. Segundo a nossa análise, a reconstrução estava já terminada há cerca de três anos.
Conclusão
Os escritores bíblicos tinham um objetivo: relatar os factos extraordinários que viveram. À exceção talvez de Lucas, não se preocuparam com a cronologia. Não podiam corrigir o papiro e, se esquecessem algo, a única solução era deslocar o relato.
Assim, como leitores, temos por vezes dificuldade em compreender a sequência das perícopes. Isto não põe em causa a credibilidade dos autores; salienta apenas a dificuldade de resumir tantos factos igualmente importantes.
O seu número, a semelhança e, por vezes, a repetição só acentuaram a dificuldade. Apesar de tudo, o resultado do trabalho é formidável!
Um título, um personagem, um lugar, uma referência («Lucas 15»)…
Referência bíblica
INF010
Nota informativa
INF010 - Le nom imprononçable de Dieu
YHWH, le nom de Dieu, imprononçable
Le nom de Dieu, retranscrit en français par YHWH est considéré comme imprononçable car il est composé de quatre consonnes hébraïques : Yod (י), Hé (ה), Waw (ו), et Hé (ה).
Les voyelles ne sont pas écrites dans l'hébreu, ce qui rend la prononciation exacte incertaine. Ce nom apparaît environ 6800 fois dans la Bible hébraïque et est considéré comme saint.
Selon le 3ème commandement, qui interdit de prononcer le nom divin en vain (Exode 20.7), les Juifs évitent de le prononcer. À la place, ils utilisent d'autres termes tels que Adonaï (mon Seigneur) ou Ha Élohim (Le Dieu). Dans certaines traductions bibliques, on trouve également les appellations Yahvé, Yahweh ou Jéhovah pour représenter le tétragramme.
Le tétragramme sera finalement traduit par le mot grec Kyrios qui signifie Seigneur, et qui sera changé par : l’Éternel dans nos Bibles protestantes.
Le Dieu Unique des Juifs, qui est aussi celui des chrétiens, possède donc un nom imprononçable.
INF181
Nota informativa
INF181 - Parabole ou métaphore
Parábola ou metáfora
Le nombre de parabole dans les Evangiles varie considérablement en fonction des différents chercheurs. Certaines sont définies directement dans le texte où nous trouvons que le Messie Jésus annonce une parabole. Toutefois beaucoup d’autres sont plus difficiles à classer.
Voici donc une synthèse claire des différences entre parabole, métaphore et image, allégorie avec des exemples bibliques pour illustrer :
Parabole : récit symbolique à visée morale ou spirituelle
Définition : Une parabole est une histoire courte et narrative, souvent fictive, qui illustre une vérité morale, spirituelle ou théologique.
Structure : Elle comporte des personnages, une intrigue, parfois une chute ou un retournement.
Fonction : Elle invite à une interprétation, souvent indirecte, et provoque une réflexion ou une conversion.
Exemples : Le semeur (Mateus 13.1-23), Le bon samaritain (Lucas 10.25-37), Le fils prodigue (Lucas 15.11-32)
Une parabole est un dispositif narratif qui cache et révèle à la fois, elle exige une écoute active et une interprétation.
Métaphore : figure de style fondée sur une analogie implicite
Définition : Une métaphore est une transposition d’un terme dans un autre champ sémantique, sans outil de comparaison.
Structure : Elle est brève, souvent contenue dans une phrase ou une expression.
Fonction : Elle éclaire une réalité abstraite par une image concrète, mais sans récit.
Exemples : « Je suis la lumière du monde » (Jean 8.12), « Vous êtes le sel de la terre » (Matthieu 5.13)
La métaphore condense une vérité dans une image frappante, mais ne raconte pas.
Image : terme générique pour toute représentation figurée
Définition : L’image est un terme englobant qui désigne toute représentation figurée, qu’elle soit narrative (parabole), stylistique (métaphore), ou visuelle.
Fonction : Elle sert à rendre visible l’invisible, à incarner l’abstrait.
Exemples : L’agneau (symbole du Christ), Le rocher (symbole de Dieu dans les Psaumes).
L’image est le terrain commun des paraboles et des métaphores, elle est leur matière première.
Em resumo:
La parabole est un récit symbolique, généralement long, qui vise à enseigner ou provoquer une réflexion. Elle prend la forme d’une histoire, souvent avec des personnages et une intrigue. Un exemple biblique emblématique est celui du fils prodigue (Lucas 15.11-32).
La métaphore est une figure de style brève, fondée sur une analogie implicite. Elle sert à éclairer une réalité ou frapper l’esprit par une image forte, sans passer par un récit. Par exemple : « Je suis la vigne » (João 15.1 et João 15.5).
L’image, quant à elle, est un concept plus général. Sa longueur est variable et sa fonction est de représenter ou incarner une réalité abstraite. Elle peut être visuelle, poétique ou symbolique. On pense ici à des figures comme l’agneau ou le rocher, fréquemment utilisées dans les Écritures.
INF305
Nota informativa
INF305 - Le Mont des Oliviers
O Monte das Oliveiras
Le mont des Oliviers constitue l'un des lieux les plus importants de la géographie biblique. Situé à l'est de Jérusalem, il est séparé de la ville par la vallée du Cédron (2 Samuel 15.30 ; João 18.1). Son nom provient des nombreux oliviers qui couvraient autrefois ses pentes.
Situation géographique
Le mont des Oliviers forme une longue crête orientée du nord au sud, culminant à environ 820 mètres d'altitude, soit légèrement plus haut que Jérusalem. Depuis son sommet, on bénéficie d'une vue remarquable sur la ville et sur l'emplacement du Temple.
Sa proximité avec Jérusalem explique pourquoi Jésus et ses disciples s'y rendaient fréquemment (Lucas 21.37). Selon Luc, le lieu de l'ascension se trouvait à une distance d'environ un « chemin de sabbat » de Jérusalem, soit approximativement un kilomètre (Atos 1.12).
Un lieu associé à de nombreux événements bibliques
Sous l'Ancien Testament
David franchit le torrent du Cédron et gravit le mont des Oliviers en pleurant lorsqu'il fuit devant son fils Absalom (2 Samuel 15.30).
Le prophète Ézéchiel décrit la gloire de Dieu quittant Jérusalem et s'arrêtant sur la montagne située à l'est de la ville, généralement identifiée au mont des Oliviers (Ezequiel 11.23).
Le prophète Zacharie annonce qu'au jour du Seigneur, les pieds de l'Éternel se poseront sur le mont des Oliviers (Zacarias 14.4).
Dans la vie du Messie Jésus
Le mont des Oliviers occupe une place particulière dans les Évangiles :
Jésus y séjourne fréquemment (Lucas 22.39) ;
il contemple Jérusalem et pleure sur la ville (Lucas 19.41-44) ;
il y prononce le discours eschatologique sur la fin des temps (Mateus 24.3 ; Marcos 13.3) ;
il passe ses nuits sur cette montagne pendant les derniers jours précédant sa mort (Lucas 21.37) ;
au pied du mont se trouve le jardin de Gethsémané où il prie avant son arrestation (Mateus 26.36 ; Lucas 22.39-46) ;
c'est également depuis les environs de Béthanie, sur le versant oriental du mont, qu'il bénit ses disciples et s'élève au ciel (Lucas 24.50-51 ; Atos 1.9-12).
Le mont des Oliviers et l'ascension
Les Actes indiquent que les disciples revinrent à Jérusalem « de la montagne appelée des Oliviers » après l'ascension (Atos 1.12). Luc précise dans son Évangile que Jésus les conduisit jusque vers Béthanie avant de les quitter (Lucas 24.50).
Ces deux indications sont parfaitement compatibles puisque Béthanie se situe sur le versant oriental du mont des Oliviers, à environ trois kilomètres de Jérusalem (João 11.18).
Une dimension prophétique
Pour plusieurs interprètes, le choix du mont des Oliviers comme lieu de l'ascension n'est probablement pas fortuit. Le prophète Zacharie annonçait déjà qu'au jour de l'Éternel, celui-ci se tiendrait sur cette montagne (Zacarias 14.4). Ainsi, le lieu depuis lequel Jésus quitte ses disciples pourrait également être celui associé à son retour glorieux, conformément à la parole des anges :
« Ce Jésus, qui a été enlevé au ciel du milieu de vous, viendra de la même manière que vous l'avez vu allant au ciel » (Atos 1.11).
Ainsi, le mont des Oliviers apparaît comme un lieu chargé d'histoire et de symbolisme. Il est à la fois le théâtre des souffrances du Messie, de son enseignement sur les temps futurs, de son ascension et, selon plusieurs interprétations prophétiques, du lieu associé à son retour futur.
INF380
Nota informativa
INF380 - Les autorités juives
Les autorités juives
Les autorités qui ordonnent l'arrestation de Pierre et Jean en Atos 4.1-3 constituent un ensemble de responsables religieux particulièrement influents. Luc mentionne trois groupes distincts : les sacrificateurs, le commandant du Temple et les sadducéens. Leur intervention permet de mieux comprendre les rapports de force qui existaient à Jérusalem au début de l'Église.
1- Les sacrificateurs
Les « sacrificateurs » désignent les prêtres qui assuraient le culte quotidien du Temple. Certains appartenaient aux familles sacerdotales les plus influentes et plusieurs siégeaient au Sanhédrin. Leur fonction leur conférait une autorité considérable sur la vie religieuse du peuple.
Le Temple constituait le centre de la vie juive. Voir deux Galiléens enseigner publiquement dans ses enceintes, attirer les foules et accomplir des miracles pouvait être perçu comme une remise en cause de leur autorité. Les chefs sacerdotaux avaient déjà joué un rôle déterminant dans le procès de Jésus (João 11.47-53 ; João 18.13-14) et se trouvaient maintenant confrontés à ses disciples.
2- Le commandant du Temple
Luc mentionne également « le commandant du Temple » (Atos 4.1). Il s'agissait probablement du chef de la garde du Temple, personnage très important dans la hiérarchie juive. Selon les sources juives, notamment la Mishna, ce responsable supervisait les lévites chargés de la sécurité et du maintien de l'ordre dans l'enceinte sacrée.
Il ne s'agissait pas d'un officier romain, mais d'un responsable juif. Sa fonction consistait à prévenir tout désordre susceptible d'attirer l'intervention des autorités romaines. Son rang était particulièrement élevé, immédiatement après celui du souverain sacrificateur.
L'arrestation de Pierre et de Jean ne fut donc pas une initiative improvisée, mais une opération officielle menée par les autorités reconnues du Temple.
3- Les sadducéens
Luc souligne surtout la présence des sadducéens (Atos 4.1-2). Ce groupe était composé en grande partie des familles sacerdotales les plus riches et les plus influentes. Ils entretenaient généralement de bonnes relations avec les autorités romaines afin de préserver leur position privilégiée.
Contrairement aux pharisiens, les sadducéens rejetaient plusieurs doctrines importantes :
la résurrection des morts (Mateus 22.23) ;
l'existence des anges et des esprits (Atos 23.8) ;
certaines traditions orales développées par les pharisiens.
La prédication apostolique heurtait directement leurs convictions. Annoncer que Jésus était ressuscité revenait à confirmer la doctrine même qu'ils combattaient. Il n'est donc pas surprenant que Luc insiste sur leur irritation (Atos 4.2).
4- Une opposition déjà rencontrée par Jésus
Il est frappant de constater que les mêmes groupes qui avaient contribué à la condamnation de Jésus se retrouvent maintenant face à ses disciples. En un sens, Pierre et Jean poursuivent le ministère de leur Maître et rencontrent les mêmes adversaires.
Cette continuité apparaît clairement dans le récit des Évangiles. Les chefs religieux avaient cherché à réduire Jésus au silence (Marcos 14.53-65) ; ils tentent désormais de faire taire ses témoins.
5- Le Sanhédrin en arrière-plan
Bien que le Sanhédrin ne soit pas encore mentionné explicitement en Atos 4.1-3, il se profile déjà derrière cette arrestation. Le lendemain, Pierre et Jean seront effectivement conduits devant cette assemblée suprême (Atos 4.5-6).
Le Sanhédrin était composé d'environ soixante-dix membres, parmi lesquels se trouvaient :
le souverain sacrificateur ;
les anciens du peuple ;
les principaux sacrificateurs ;
les scribes et docteurs de la Loi ;
des représentants des partis sadducéen et pharisien.
Sous la domination romaine, cette institution conservait une large autorité religieuse et judiciaire, même si le pouvoir d'exécuter une condamnation capitale était fortement limité.
6- Une inquiétude plus qu'une simple hostilité doctrinale
L'opposition des autorités juives ne s'explique pas uniquement par des divergences théologiques. Plusieurs éléments devaient les inquiéter :
la croissance rapide du mouvement chrétien (Atos 2.41) ;
l'influence grandissante des apôtres sur la population ;
les miracles accomplis publiquement (Atos 4.16) ;
le risque d'agitation populaire susceptible d'entraîner une intervention romaine ;
la remise en question implicite de leur propre autorité religieuse.
Quelques semaines auparavant, elles avaient probablement pensé que la crucifixion de Jésus mettrait un terme définitif à son mouvement. Or elles découvrent avec surprise que ses disciples poursuivent son œuvre avec une assurance nouvelle.
7- Une première confrontation appelée à se répéter
Cette arrestation inaugure une longue série d'affrontements entre les autorités juives et les apôtres. Pierre et Jean comparaîtront plusieurs fois devant le Sanhédrin (Atos 4.5-22 ; Atos 5.27-40), Étienne sera condamné à mort (Atos 7,54-60), et Saul de Tarse deviendra l'un des principaux persécuteurs de l'Église avant sa conversion (Atos 8.1-3).
Paradoxalement, cette opposition ne fera que contribuer à la diffusion du christianisme, conformément au programme annoncé par le Seigneur : « Vous serez mes témoins à Jérusalem, dans toute la Judée, dans la Samarie et jusqu'aux extrémités de la terre » (Atos 1.8).
8- Une remarque intéressante
Luc ne mentionne pas ici les pharisiens. Ce silence est probablement significatif. Les principaux adversaires des apôtres dans les premiers chapitres des Actes semblent être les sadducéens et les familles sacerdotales qui contrôlaient le Temple. Les pharisiens, bien qu'opposés au mouvement chrétien sur plusieurs points, apparaissent parfois plus modérés, comme le montrera plus tard l'intervention de Gamaliel (Atos 5.34-39). Cette nuance est importante pour comprendre la diversité du judaïsme du premier siècle.
INF001
Nota informativa
INF001 - Sadducéens
Les saducéens
Les Sadducéens étaient un groupe religieux et politique important dans le judaïsme antique. Voici quelques points clés à leur sujet :
Origines et Histoire
Origines : Le nom "Sadducéen" dérive probablement de Sadoq, un grand prêtre de l'époque de David et Salomon. Ils étaient principalement issus de l'aristocratie sacerdotale. Période : Ils étaient actifs entre environ 200 av. J.-C. et 70 ap. J.-C., jusqu'à la destruction du Temple de Jérusalem par les Romains. Influence : Les Sadducéens avaient une grande influence sur le culte et la liturgie au Temple de Jérusalem. Ils contrôlaient le Sanhédrin, le conseil juif suprême.
Croyances et Pratiques
Textes Sacrés : Ils se concentraient uniquement sur la loi écrite, le Pentateuque, et rejetaient les traditions orales adoptées par les Pharisiens. Résurrection : Contrairement aux Pharisiens et aux Esséniens, les Sadducéens niaient la résurrection des morts et l'immortalité de l'âme. Rites du Temple : Ils étaient responsables des rites du Temple, y compris les sacrifices et les fêtes de pèlerinage.
Oppositions
Pharisiens : Les Sadducéens étaient en opposition totale avec les Pharisiens, notamment sur des questions théologiques comme la résurrection. Zélotes : Ils furent également en conflit avec les Zélotes et les Sicaires, qui les considéraient comme des collaborateurs avec les Romains.
Les Sadducéens ont laissé une marque durable sur l'histoire du judaïsme et sont souvent mentionnés dans le Nouveau Testament, notamment dans les Actes des Apôtres et les Évangiles.
Les Sadducéens dans la Bible
Les sadducéens constituent une branche importante du judaïsme. Nous les retrouvons à quinze reprises dans le Nouveau Testament, dix dans les Évangiles et cinq dans les Actes des Apôtres.
Cinq fois, les auteurs des synoptiques les nomment avec les pharisiens. La doctrine du judaïsme revient toujours dans leurs discussions avec le Messie Jésus, qui ne leur adresse jamais de reproches.
Nous ne trouvons pas de tension dans leurs relations avec le Messie Jésus comme c’est le cas, régulièrement avec les pharisiens. Ils contrôlent l’administration et le culte du temple et restent éloignés du peuple. Ils pactisent facilement avec l’occupant Romain qui, en retour, leur confère une influence importante au sein du Sanhédrin.
Ses membres sont essentiellement issus de la classe aristocratique ou sacerdotale. Ils ne reconnaissent que les écrits de la Bible hébraïque.
Ils ne croient pas à la résurrection des morts. Ils n’envisagent aucune forme de vie après leurs décès. Les anges selon eux n’existent pas. L’Apôtre Paul dénoncera toutes ces dérives lors de son procès (Atos 23.6).
Caïphe et Anne, les Principaux Sacrificateurs qui condamnent Jésus appartiennent à ce mouvement sadducéen.
INF002
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INF002 - Les pharisiens
Os fariseus
Les Pharisiens étaient un groupe religieux et social important dans le judaïsme antique, particulièrement pendant la période du Second Temple. Voici quelques points clés à leur sujet :
Origines et Histoire
Origines : Les Pharisiens ont émergé comme un groupe distinct après la révolte des Maccabées, vers 165-160 av. J.-C. Ils étaient souvent considérés comme les descendants spirituels des Hasidéens.
Période : Ils ont prospéré jusqu'à la destruction du Second Temple en 70 ap. J.-C. Après cette date, leurs enseignements ont formé la base de ce qui est devenu le judaïsme rabbinique.
Croyances et Pratiques
Textes Sacrés : Contrairement aux Sadducéens, qui se concentraient uniquement sur la loi écrite (le Pentateuque), les Pharisiens croyaient en une loi écrite et une loi orale (la Torah orale). Résurrection : Les Pharisiens croyaient en la résurrection des morts et en l'immortalité de l'âme. Rites et Lois : Ils insistaient sur l'importance des traditions orales et des interprétations adaptées aux circonstances contemporaines.
Influence et Héritage Influence : Les Pharisiens ont eu une grande influence sur la liturgie et la pratique religieuse juive. Leurs enseignements ont été incorporés dans la Mishna, une compilation de la tradition orale juive, vers 200 ap. J.-C. Héritage : Après la destruction du Second Temple, les enseignements des Pharisiens ont formé la base du judaïsme rabbinique, qui continue d'influencer le judaïsme moderne.
Les Pharisiens sont souvent mentionnés dans le Nouveau Testament, notamment dans les Évangiles et les Actes des Apôtres, où ils sont souvent en conflit avec Jésus et les autres figures religieuses de l'époque.
Les Pharisiens dans la Bible
Ils constituent le groupe le plus représentatif du judaïsme. Ses membres, originaires du peuple, s’opposent aux compromis, avec l’envahisseur Romain, mais aussi avec l’hellénisme. Nous les voyons plus proches de la population que les sadducéens.
Ils sont cités à cent trois reprises dans le Nouveau Testament, quatre vint treize fois dans les Évangiles, neuf fois dans les Actes des apôtres et une fois dans l’épître aux Philippiens.
Leurs rapports avec le Messie Jésus apparaissent fréquemment tendus, conflictuels. Il les reprendra à certains moments avec des termes violents, comme, « malheur à vous », « hypocrites » ce qui démontre bien cette opposition. Ils n’ont pas accès aux postes de hautes responsabilités, contrôlés par les Romains, et donc réservés aux sadducéens sympathisants, mais forment le groupe le plus important du Sanhédrin.
Ils se considèrent comme les grands défenseurs de la loi de Moïse qu’ils commentent. Leur interprétation devient la règle à suivre pour le peuple. Le Messie Jésus condamnera ces dérives à diverses occasions (Mateus 23.13-29).
Ils sont souvent en désaccord avec leurs collègues sadducéens sur des points de doctrine tels que la vie éternelle ou les anges. Ils ont ajouté à la Loi écrite de Moïse, des principes oraux, qui leur permettent de contourner ses prescriptions. Jésus ne manquera pas de le signaler (Mateus 23.23).
Nicodème et Joseph d’Arimathée appartenaient à ce groupe politico-religieux ce qui ne les a pas empêchés de se convertir au christianisme.
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INF231 - De la part ?
De la part de Jean, de la part de Dieu, de la part des 7 esprits, de la part de Jésus Christ ?
Apocalipse 1.4-5 : « De la part de Jean aux sept Églises… que la grâce et la paix vous soient données de la part de celui qui est, qui était et qui vient, de la part des sept esprits qui sont devant son trône, et de la part de Jésus-Christ… »
Qui écrit ?
Jean est bien l’auteur humain : il rédige la lettre, il signe son nom, il s’adresse directement aux Églises.
Mais il se présente comme messager : il transmet une révélation qui ne vient pas de lui.
C’est pourquoi il dit : “de la part de…” → il se met en position de relais, pas de source.
Les trois “de la part de”
De la part de Dieu : “celui qui est, qui était et qui vient” → Dieu éternel, présent dans tout le temps.
De la part des sept esprits : image symbolique de la plénitude de l’Esprit de Dieu (le chiffre 7 = totalité). Cela signifie que l’Esprit agit pleinement devant le trône.
De la part de Jésus-Christ : présenté comme témoin fidèle, premier ressuscité, chef des rois.
Ces trois “de la part de” forment une salutation trinitaire : Dieu, l’Esprit, et Jésus-Christ. Jean écrit, mais il situe son message dans cette source divine.
Em resumo
Oui, c’est Jean qui écrit.
Mais il insiste : le contenu vient de Dieu, par l’Esprit, et par Jésus-Christ.
Sa formule “de la part de…” est une manière de dire : je vous écris, mais ce n’est pas mon message, c’est celui que j’ai reçu et que je transmets.
Cela donne à l’Apocalypse son autorité : ce n’est pas une opinion personnelle de Jean, mais une révélation qu’il relaie fidèlement.
INF003
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INF003 - Le Sanhédrin
O Sinédrio
Le Sanhédrin était une institution clé dans le judaïsme antique, ayant des fonctions législatives, judiciaires et religieuses. Voici quelques points clés à son sujet :
Le Sanhédrin (ou Sanhédrin juif) désigne, à l’époque du Second Temple (env. IIe s. av. J.C. – 70 ap J.C.), l’instance suprême d’autorité religieuse, juridique et parfois politique du judaïsme en Judée.
Points essentiels
Composition et siège : traditionnellement 71 membres (le Nassi/président, l’Av Beit Din/vice‑président, et des juges/sages). Il siégeait à Jérusalem, près du Temple, probablement dans une salle appelée la « Salle des Pierres taillées ».
Compétences : interprétation de la Loi (Torah), fixation de normes religieuses, arbitrage de litiges importants, supervision du calendrier (sanctification des mois et intercalations), validation d’ordonnances communautaires, et, en théorie, jugement des affaires les plus graves. Sous domination romaine, ses pouvoirs pénaux étaient limités.
Sources historiques : on en trouve des échos dans les Évangiles (procès de Jésus mentionnant un conseil juif) et surtout dans la littérature rabbinique (Mishnah, Talmud), qui décrit son fonctionnement idéal et ses règles de procédure.
Fonctionnement procédural : témoignages examinés par un collège, forte exigence de crédibilité des témoins, quorum nécessaire, votes commençant par les plus jeunes juges pour éviter l’influence des plus anciens, préférence pour l’acquittement en cas de doute ; pour les affaires capitales, des règles plus strictes encore.
Après 70: la destruction du Temple par les Romains met fin au Sanhédrin tel qu’il existait à Jérusalem. Une autorité rabbinique se reconstitue en Galilée (Yavné, puis Ousha, Sepphoris, Tibériade), parfois appelée « Sanhédrin » par analogie, centrée sur l’étude, la halakha et l’organisation communautaire ; elle décline vers le IVe–Ve siècle.
Héritage : le Sanhédrin symbolise l’idéal d’une autorité collégiale savante dans le judaïsme. Des traités talmudiques (notamment Sanhédrin, Makkot) conservent ses règles théoriques, qui ont influencé la pensée juridique juive. À l’époque moderne, le terme a été repris par analogie (par ex. le « Grand Sanhédrin » convoqué par Napoléon en 1807), sans continuité institutionnelle antique.
Repères terminologiques
Nassi : président du Sanhédrin ; des traditions attribuent ce rôle à Hillel l’Ancien et à ses descendants pendant la période tardive.
Av Beit Din : « père du tribunal », second du Nassi.
Beit Din : tribunal rabbinique ; au pluriel, désigne aussi des cours locales de 23 juges (pour affaires graves) ou de 3 (pour affaires civiles).
Limites et débats
Histoire vs. idéal normatif : les descriptions talmudiques mélangent souvenirs historiques et modèles juridiques ; les historiens discutent l’ampleur réelle de ses pouvoirs à chaque période.
Compétence pénale sous Rome : la capacité d’appliquer la peine capitale est particulièrement débattue ; elle fut probablement très restreinte à la fin de la période.
En bref : le Sanhédrin fut la plus haute instance savante et judiciaire du judaïsme du Second Temple, avec un rôle central dans l’interprétation de la loi et la cohésion communautaire ; sa forme antique disparaît après 70, mais son modèle continue d’inspirer l’organisation rabbinique et la pensée juridique juive.
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INF004 - Les romains
Os romanos
En l’an -63 av. J.-C. le général romain Pompée, envahi le territoire d’Israël et prend Jérusalem. Le judaïsme grâce à Jule César devient en l’an -45 av. J.-C. une religion légale.
Cinq ans plus tard, en -40 av. J.-C. L’empereur Auguste met un terme à la dynastie hasmonéenne et nomme Hérode le Grand, un Iduméen, donc, pas de lignée royale, roi des Juifs.
Quelques années, après la mort d’Hérode le Grand, en l’an 6, Rome change le statut de la Judée ainsi que de la Samarie et de l’Idumée (l’Edom biblique) pour le transformer en provinces romaines placées sous la responsabilité de procurateurs romains.
Les fils du monarque Hérode seront promus par l’autorité romaine, tétrarques, et gouverneront ces différentes provinces sous l’égide de ces procurateurs.
Nous sommes par conséquent, pendant le ministère du Messie Jésus avec un préfet, Ponce Pilate et un tétrarque, Hérode Antipas qui se partagent le pouvoir. Les deux hommes se haïssent jusqu’au jour de la condamnation du Messie Jésus (Lucas 23.12).
Quarante ans après la crucifixion du Messie Jésus, l’insurrection des Juifs, commencée en 66, est jugulée, Titus détruit le temple de Jérusalem en l’an 70 et tout se termine avec la chute de Massada le 2 mai 73.
D’autres révoltes suivront jusqu’en 135.
En 130, l’empereur Hadrien change de nouveau le statut du pays d’Israël, en créant une nouvelle colonie romaine, le nom de Jérusalem est remplacé par Aelia Capitolina.
Le Messie Jésus exercera son ministère dans un territoire occupé par les Romains, avec un gouverneur désigné par Rome.
Trois hommes se partagent donc à ce moment de l’histoire, la direction du pays d’Israël :
Ponce Pilate, le préfet romain, il détient tous les pouvoirs en particulier sur la Judée.
Hérode Antipas, règne sur la Galilée et la Pérée.
Le Souverain Sacrificateur, Caïphe, responsable des problèmes religieux.