REP002

A última geração

As palavras de Jesus, o Messias, declarando: «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isso aconteça» suscitam, há muito tempo, numerosas indagações...

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Introdução

Esta resposta se apoia em toda a nossa série dedicada à cronologia da vida de Jesus, o Messias, estabelecida em particular a partir da profecia das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27).
A demonstração completa da nossa tese sobre a data da morte do Messias é ali desenvolvida em detalhe, por meio de oito estudos complementares que integram dados bíblicos, históricos e de calendário.
Para evitar longas repetições, essa argumentação não será, portanto, retomada integralmente na presente resposta.

As palavras de Jesus, o Messias, declarando: «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isso aconteça» (Mateus 24.34 ; Marcos 13.30 ; Lucas 21.32) suscitam, há muito tempo, numerosas indagações. Um amigo nos interpelou recentemente a esse respeito, desejando obter esclarecimentos sobre o sentido exato dessa afirmação enigmática.

deram origem a numerosas interpretações ao longo da história da exegese bíblica. A principal dificuldade vem do fato de que o discurso parece associar:

A questão é, de fato, importante: de que geração Jesus fala exatamente? Trata-se de seus contemporâneos, da geração que viverá os acontecimentos do fim dos tempos, ou de uma realidade mais simbólica? Se essa palavra diz respeito aos últimos tempos, qual acontecimento deve ser considerado o ponto de partida dessa geração? Por fim, quantos anos representa uma geração na linguagem bíblica?

Essas indagações são tanto mais legítimas quanto o discurso profético de Jesus entrelaça vários temas estreitamente ligados: a destruição do Templo de Jerusalém (Mateus 24.1-2), os sinais que anunciam o fim (Lucas 21.25-28) e a vinda do Filho do Homem em sua glória (Mateus 24.30). Essa sobreposição de acontecimentos próximos e distantes torna, por vezes, delicada a interpretação.

Nosso objetivo, nesta introdução, não é entrar imediatamente numa demonstração detalhada nem num debate contraditório, mas simplesmente lançar as bases da reflexão. Os capítulos seguintes serão dedicados a um estudo aprofundado deste versículo e das diferentes interpretações propostas ao longo da história da exegese bíblica. Examinaremos o contexto do discurso, o sentido do termo grego traduzido por «geração», bem como as implicações cronológicas e proféticas dessa declaração de Jesus, o Messias.

I. O contexto deste versículo

O versículo: «Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isso aconteça» aparece no quadro do grande discurso profético pronunciado por Jesus, o Messias, no . Para compreender bem essa declaração, é indispensável examinar o seu contexto imediato e os acontecimentos que conduzem a essa palavra.

O relato começa quando Jesus sai do Templo de Jerusalém. Jesus e seus discípulos encontram-se no , em frente de Jerusalém (Mateus 24.3, Marcos 13.3, Lucas 21.37).

Os discípulos chamam então a sua atenção para a magnificência dos edifícios (Mateus 24.1 ; Marcos 13.1 ; Lucas 21.5). Em resposta, Jesus anuncia um acontecimento avassalador:

Mateus 24.2 (Bíblia Livre) :
Mas Jesus lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo, que não será deixada aqui pedra sobre pedra, que não seja derrubada.

Veja também Marcos 13.2 e Lucas 21.6.

Essa profecia sobre a destruição do Templo inquieta os discípulos. Chegando ao , em frente do Templo (Marcos 13.3), eles interrogam Jesus em particular:

  • «Dize-nos, quando sucederão estas coisas?»
  • «Qual será o sinal da tua vinda?»
  • «E da consumação do século?» (Mateus 24.3).

Lucas formula a pergunta de maneira ligeiramente diferente, dando mais ênfase a Jerusalém e aos acontecimentos históricos próximos (Lucas 21.7).

A partir desse momento, Jesus desenvolve um longo discurso profético no qual menciona:

  • os falsos cristos e os enganos religiosos (Mateus 24.4-5),
  • as guerras, as fomes e os terremotos (Mateus 24.6-8),
  • as perseguições aos crentes (Mateus 24.9-13),
  • a proclamação do Evangelho (Mateus 24.14),
  • a abominação da desolação anunciada por Daniel (Mateus 24.15 ; Daniel 9.27),
  • a angústia de Jerusalém (Lucas 21.20-24),
  • os sinais cósmicos (Lucas 21.25-26),
  • e, por fim, a vinda do Filho do Homem em glória (Mateus 24.29-31).

É depois de ter dado a da , símbolo que permite reconhecer a aproximação dos acontecimentos anunciados (Mateus 24.32-33 ; Marcos 13.28-29 ; Lucas 21.29-31), que Jesus faz esta declaração:

O sentido imediato da parábola

Mateus 24.34 (Bíblia Livre) :
Em verdade vos digo que esta geração não passará, até que todas estas coisas aconteçam.

O contexto mostra, portanto, que essa frase está diretamente ligada aos sinais proféticos descritos anteriormente. Toda a dificuldade consiste então em determinar:

  • a que se refere exatamente «esta geração»;
  • e quais acontecimentos estão incluídos na expressão «tudo isso».

O discurso parece, de fato, misturar acontecimentos próximos, como a destruição de Jerusalém no ano 70, e acontecimentos escatológicos mais distantes, ligados ao retorno glorioso de Jesus, o Messias (Mateus 24.29-31). É precisamente essa articulação entre cumprimento próximo e cumprimento futuro que explica a diversidade de interpretações propostas pelos comentaristas ao longo da história.

II. As diversas interpretações

Trata-se provavelmente da interpretação mais antiga e mais difundida.

Nessa leitura, «esta geração» designa os contemporâneos de Jesus, isto é, as pessoas que viviam no momento em que ele pronuncia essas palavras. A palavra grega genea é frequentemente usada nesse sentido nos Evangelhos:

  • «geração má e adúltera» (Mateus 12.39),
  • «esta geração» (Lucas 11.29).

Selon cette approche, une partie importante des prophéties de s'accomplit avant la disparition de cette génération, notamment :

  • a destruição do Templo,
  • o cerco de Jerusalém,
  • as perturbações que precederam o ano 70.

Essa interpretação se apoia no fato de que Jerusalém e o Templo foram efetivamente destruídos cerca de quarenta anos após as palavras de Jesus.

No entanto, essa leitura levanta uma dificuldade: certos elementos do discurso parecem ultrapassar amplamente os acontecimentos do ano 70, em particular:

  • os sinais cósmicos (Mateus 24.29),
  • a vinda visível do Filho do Homem (Mateus 24.30).

Alguns propõem então um duplo cumprimento: um cumprimento próximo no ano 70 e um cumprimento final ainda futuro.

2. O preterismo completo

Uma variante mais radical da interpretação anterior é o preterismo completo. Segundo essa escola de pensamento, todo o discurso do , inclusive os sinais cósmicos e a vinda do Filho do Homem, cumpriu-se de maneira simbólica nos acontecimentos do ano 70.

Nessa leitura:

  • os sinais cósmicos representam a subversão da antiga ordem,
  • a «vinda» do Filho do Homem designa o seu juízo sobre Jerusalém e não um retorno físico visível,
  • o «fim do século» (sunteleia tou aiōnos) significa o fim da era do Templo e da antiga aliança.

Os defensores dessa abordagem se apoiam, em particular, na linguagem profética do Antigo Testamento, em que expressões semelhantes descrevem juízos históricos (Isaías 13.10 ; Ezequiel 32.7).

Essa interpretação tem o mérito de levar a sério o caráter imediato da expressão «esta geração». No entanto, ela esbarra em várias dificuldades:

  • a tradição cristã entendeu majoritariamente o retorno de Cristo como um acontecimento futuro e visível (Atos 1.11 ; 1 Tessalonicenses 4.16-17),
  • certos elementos do discurso dificilmente se reduzem a uma realidade puramente simbólica.

Não adotamos essa leitura, mas ela merece ser mencionada por preocupação de exaustividade.

3. A geração dos últimos tempos

Nessa segunda interpretação, «esta geração» designa a geração que verá surgir os sinais proféticos anunciados por Jesus.

O raciocínio se baseia, em particular, na da :

Mateus 24.33 (Bíblia Livre) :
Assim também vós, quando virdes todas estas coisas, sabei que já está perto, às portas.

Assim, Jesus não falaria de seus contemporâneos imediatos, mas da geração que viver no momento em que os acontecimentos escatológicos realmente começarem.

Nessa perspectiva:

  • o ponto de partida seria o surgimento dos sinais,
  • e essa geração veria o cumprimento completo das profecias.

Essa leitura é frequente em certos meios evangélicos e dispensacionalistas.

No entanto, ela supõe que a expressão «esta geração» possa designar uma geração futura ainda desconhecida no momento em que Jesus fala. Essa interpretação continua sendo discutida no plano linguístico.

4. A palavra «geração» no sentido de «povo» ou «raça»

Alguns comentaristas propõem traduzir a palavra grega genea não por «geração» no sentido cronológico, mas por:

  • «povo»,
  • «raça»,
  • ou «linhagem».

Nessa leitura, Jesus anunciaria que o povo judeu não desaparecerá antes do cumprimento de todas as profecias.

Essa interpretação procura resolver as dificuldades cronológicas da passagem. Ela ressalta que o povo de Israel de fato sobreviveu ao longo dos séculos, apesar das perseguições e das dispersões (Jeremias 31.35-37).

No entanto, essa compreensão continua sendo discutida porque, nos Evangelhos, a palavra genea designa, na maioria das vezes, os contemporâneos de uma época, e não um povo inteiro.

5. Uma geração caracterizada moralmente

Outros exegetas consideram que Jesus fala de uma categoria espiritual ou moral:

  • uma geração incrédula,
  • rebelde,
  • oposta a Deus.

A expressão «esta geração» designaria então uma humanidade marcada pela incredulidade até o cumprimento final dos acontecimentos proféticos.

Essa ideia se apoia em várias passagens nas quais Jesus condena:

  • «uma geração má» (Mateus 12.45),
  • «uma geração incrédula e perversa» (Mateus 17.17).

Nesse caso, Jesus anunciaria a permanência dessa oposição espiritual até o fim.

6. Uma combinação de vários níveis de cumprimento

Muitos pesquisadores adotam hoje uma abordagem mista.

Segundo essa leitura:

  • uma parte das profecias diz respeito diretamente a Jerusalém e ao Templo,
  • ao passo que outra parte visa os acontecimentos que precedem o retorno final do Messias.

O discurso funcionaria então como uma profecia de vários horizontes:

1- um cumprimento histórico próximo,

2- depois um cumprimento escatológico mais distante.

Essa abordagem procura explicar por que certos detalhes parecem corresponder perfeitamente ao ano 70, ao passo que outros parecem ainda futuros.

Uma questão ainda debatida

O versículo continua difícil porque Jesus associa num mesmo discurso:

  • realidades históricas,
  • advertências espirituais,
  • e anúncios proféticos sobre o fim.

A compreensão da expressão «esta geração» depende, portanto, em grande parte:

  • da maneira como se estrutura o discurso profético,
  • do sentido dado à palavra genea,
  • e da articulação entre cumprimento próximo e cumprimento futuro.

III. A nossa interpretação

Os detalhes cronológicos permanecem parcialmente velados no discurso de Jesus, o Messias, no . No entanto, esse discurso apresenta uma estrutura comparável à observada na profecia das setenta semanas de Daniel (Daniel 9.24-27). Com efeito, Daniel menciona sucessivamente acontecimentos ligados ao Messias e depois outros associados a um governante futuro hostil a Deus. Já abordamos essa questão no estudo CHR001 dedicado ao profeta Daniel.

Em seu discurso no , Jesus, o Messias, associa igualmente acontecimentos contemporâneos e relativamente próximos a outros bem mais distantes. Parece, portanto, concebível que um primeiro cumprimento diga respeito aos acontecimentos marcantes do ano 70 d.C., quando Tito, filho do imperador Vespasiano, destruiu Jerusalém e o seu Templo conforme as palavras proféticas (Lucas 21.20-24). Nessa perspectiva, o «príncipe que há de vir», mencionado por Daniel (Daniel 9.26), poderia encontrar um primeiro cumprimento histórico na pessoa de Tito.

No entanto, certas declarações de Jesus parecem ultrapassar o âmbito dos acontecimentos do século I, notadamente quando ele menciona os sinais celestes e a vinda gloriosa do Filho do Homem (Mateus 24.29-31). Nessas condições, entendemos que o discurso possui também uma dimensão escatológica ainda futura. Como na profecia de Daniel, Jesus não detalha o período intermediário correspondente à era da Igreja.

Eis as principais interpretações propostas.

1. A geração contemporânea de Jesus

Nessa abordagem, a da (Mateus 24.32-34) poderia ser entendida como uma imagem do restabelecimento nacional de Israel. Alguns intérpretes veem assim na proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, um acontecimento profético de grande importância, correspondente à « que reverdece». Essa interpretação é por vezes associada às palavras do profeta:

Isaías 66.8 (Bíblia Livre) :
Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisa semelhante? Poderia uma terra gerar filho em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião esteve de parto, já teve o nascimento de seus filhos.

Precisemos imediatamente os limites dessa aproximação. O contexto de Isaías 66 diz respeito à restauração final de Sião e ao nascimento espiritual de um povo no quadro do reino messiânico. A aplicação direta à criação de um Estado político moderno em 1948 constitui, portanto, uma leitura possível, mas não uma evidência profética. Outros comentaristas consideram que o cumprimento de Isaías 66.8 permanece futuro ou que se realizará num contexto espiritual diferente.

Da mesma forma, o texto evangélico não diz explicitamente que a representa Israel. Essa identificação se baseia num conjunto de indícios (o uso simbólico da em outras partes da Escritura, o contexto do discurso), mas continua sendo uma interpretação, e não uma afirmação direta do texto.

Essa leitura levanta várias outras indagações. Se a «geração» mencionada por Jesus designa as pessoas já vivas em 1948, torna-se necessário definir o que representa exatamente uma geração na linguagem bíblica. As Escrituras usam durações variáveis, às vezes próximas de quarenta anos (Números 32.13), às vezes de setenta ou oitenta anos (Salmos 90.10). Ora, até hoje já se passaram mais de setenta e oito anos desde a proclamação do Estado de Israel.

Várias questões permanecem em aberto:

  • Qual acontecimento constitui precisamente o «brotar»? A proclamação do Estado (1948)? A reunificação de Jerusalém (1967)? Outro momento?
  • Quem faz parte de «esta geração»? As pessoas nascidas antes de 1948? As que já tinham idade de razão? As testemunhas conscientes do acontecimento?
  • Se adotarmos 80 anos como limite máximo de uma geração, o prazo estaria quase esgotado. Isso não constitui uma forma de predição com data?

Essas incertezas nos convidam à prudência. Se essa interpretação estiver correta, seria concebível que o cumprimento final dos acontecimentos anunciados por Jesus ocorresse num futuro próximo. Mas não podemos afirmá-lo com certeza.

O próprio Jesus, o Messias, lembra que ninguém conhece precisamente o dia nem a hora desses acontecimentos (Mateus 24.36). Nosso objetivo não é, portanto, fixar uma data, mas examinar uma interpretação que nos parece coerente com o conjunto dos dados proféticos, reconhecendo honestamente os seus limites.

IV. A parábola da figueira

A da aparece imediatamente antes da declaração:

Ela desempenha, portanto, um papel essencial na interpretação do discurso profético de Jesus, o Messias.

Em seu sentido mais direto, a ilustra simplesmente a ideia dos sinais que anunciam.

Assim como as folhas novas da anunciam a chegada próxima do verão, os acontecimentos descritos anteriormente devem sinalizar a aproximação do cumprimento profético.

A ênfase principal recai sobre:

  • a observação dos sinais,
  • e a certeza da aproximação dos acontecimentos anunciados.

O paralelo é simples: folhas → verão próximo; sinais proféticos → cumprimento próximo.

Nesse quadro, Jesus convida os seus discípulos a discernir os tempos (Lucas 21.28-31).

1. A figueira como simples ilustração natural

Muitos comentaristas consideram que a não tem aqui nenhum valor simbólico particular.

Jesus estaria simplesmente usando uma imagem familiar na Palestina: a brota na primavera, e esse fenômeno anuncia naturalmente o verão.

Essa leitura continua sendo a mais prudente do ponto de vista exegético. Ela evita transformar cada elemento da num símbolo profético complexo.

Nessa perspectiva, o assunto principal não é Israel, mas o reconhecimento dos sinais. Lucas parece, aliás, ir nessa direção quando amplia a imagem:

Lucas 21.29 (Bíblia Livre) :
E disse-lhes uma parábola: Olhai a figueira, e todas as árvores;

Essa precisão («e todas as árvores») mostra que o ensino pode ir além da apenas.

2. A figueira como possível símbolo de Israel

Outros intérpretes veem na uma representação simbólica de Israel. Essa ideia se apoia em várias passagens do Antigo Testamento nas quais Israel é comparado a uma ou a figos (Oseias 9.10, Joel 1.7, Jeremias 24.1-10).

Alguns aproximam também essa da maldição da estéril (Mateus 21.18-19), possível símbolo do juízo sobre o Israel incrédulo.

Em certas interpretações modernas, sobretudo dispensacionalistas, o «reverdecer» da representaria a restauração nacional de Israel, por vezes associada à criação do Estado de Israel em 1948.

Toutefois, cette identification n'est pas explicite dans le texte. Le peut symboliser Israël dans d'autres contextes bibliques, mais rien dans ne l'affirme directement. L'ajout de Luc (« et tous les arbres ») affaiblit d'ailleurs cette lecture : si le représentait Israël de manière univoque, pourquoi ajouter les autres arbres ?

Alguns respondem que a conservaria o seu valor simbólico tradicional associado a Israel, ao passo que «todas as árvores» evocariam as demais nações. Nas Escrituras, as árvores servem por vezes para representar simbolicamente reinos ou povos (Ezequiel 31.3-6 ; Daniel 4.13-25). Nessa perspectiva, Jesus não falaria apenas do despertar de Israel, mas também de um movimento que atinge o conjunto das nações no contexto dos tempos do fim.

Essa interpretação permitiria explicar por que os acontecimentos escatológicos parecem dizer respeito simultaneamente a Israel, aos povos da terra e às convulsões mundiais anunciadas pelos profetas (Zacarias 12.2-3 ; Lucas 21.25-26).

No entanto, essa leitura continua sendo interpretativa. Outros exegetas consideram que Lucas acrescenta simplesmente «todas as árvores» para sublinhar o caráter universal e facilmente compreensível da ilustração.

3. Uma exortação à vigilância

A se insere também num conjunto de exortações à vigilância.

Depois dessa imagem, Jesus insiste em:

  • a necessidade de vigiar (Mateus 24.42),
  • a incerteza quanto ao dia exato (Mateus 24.36),
  • a fidelidade dos servos na espera do retorno do senhor (Mateus 24.45-51).

Assim, o objetivo do discurso não é apenas cronológico ou profético, mas também espiritual.

Os discípulos devem reconhecer os sinais, manter-se prontos e perseverar na fé.

O vínculo com «esta geração»

A da prepara diretamente a frase seguinte:

«Quando virdes todas estas coisas…» (Mateus 24.33)

Depois:

«Esta geração não passará…» (Mateus 24.34)

O vínculo lógico parece ser:

1- surgimento dos sinais,

2- reconhecimento da proximidade do cumprimento,

3- cumprimento antes do desaparecimento de «esta geração».

Toda a dificuldade consiste então em determinar quais são exatamente «todas estas coisas» e de qual geração se trata.

É precisamente isso que explica as numerosas interpretações dessa passagem profética.

V. Argumentos bíblicos a favor da nossa leitura

1- O discurso de Jesus possui vários horizontes proféticos

O discurso do mistura manifestamente acontecimentos próximos com outros bem mais distantes.

A- A destruição do Templo diz respeito claramente ao século I

O discurso começa com o anúncio:

Mateus 24.2 (Bíblia Livre) :
Mas Jesus lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo, que não será deixada aqui pedra sobre pedra, que não seja derrubada.

Em seguida, Jesus, o Messias, menciona vários acontecimentos precisos: Jerusalém cercada por exércitos (Lucas 21.20), a necessidade de fugir rapidamente da Judeia (Mateus 24.16) e um período de grande angústia. Esses elementos correspondem fortemente ao contexto da guerra judaica contra entre os anos 66 e 70 d.C.

Essas informações sustentam a ideia de um primeiro cumprimento histórico das palavras de Jesus, durante o conflito que levou à destruição de Jerusalém e do seu Templo no ano 70 por Tito.

B- Outros elementos parecem ultrapassar o ano 70

Várias passagens parecem dificilmente limitáveis ao cerco de Jerusalém:

sinais cósmicos (Mateus 24.29),

aparecimento visível do Filho do Homem (Mateus 24.30),

reunião dos eleitos (Mateus 24.31).

Esses elementos se assemelham mais às profecias escatológicas de Daniel 7.13-14 ou aos textos do Apocalipse.

Jesus fala, portanto, segundo a nossa interpretação, ao mesmo tempo de um juízo histórico próximo e de um cumprimento final mais distante. Como Daniel, ele não menciona o período intermediário da Igreja.

2- Daniel já apresenta uma estrutura profética semelhante

Encontramos um excelente paralelo com Daniel 9.26-27, em que vários acontecimentos parecem fundidos:

a rejeição do Messias,

a destruição de Jerusalém,

as ações de um governante futuro hostil a Deus.

O texto passa do Messias cortado para o povo de um príncipe que há de vir, depois para uma aliança final e para a abominação. Isso cria um efeito de «telescopagem profética».

Jesus parece retomar essa mesma lógica profética em seu discurso.

3- A figueira pode simbolizar Israel

A- Israel é por vezes comparado a uma figueira

Exemplos: Oseias 9.10, Joel 1.7, Jeremias 24.1-10.

Cela permet de dire que le peut posséder une valeur symbolique liée à Israël. Mais rappelons que cette identification n'est pas explicite dans .

B- Jesus já tinha usado a figueira num contexto espiritual

A estéril (Mateus 21.18-19) é frequentemente interpretada como uma imagem do juízo sobre o Israel incrédulo.

Isso pode reforçar a ideia de que a em Mateus 24.32-35 possui também um alcance simbólico, mas sem certeza.

4- Israel devia conhecer um restabelecimento futuro

Na leitura que propomos, a que volta a florescer simbolizaria a nação de Israel proclamada em 14 de maio de 1948. Eis os argumentos bíblicos que sustentam essa leitura.

A- Profecias de retorno e de restauração

Ezequiel 36–37: retorno à terra, renascimento nacional, vale dos ossos secos.

Amós 9.14-15 (Bíblia Livre) :
E restaurarei meu povo Isarael de seu infortúnio; então reconstruirão as cidades assoladas, e nelas habitarão; e plantarão vinhas, e beberão o vinho delas; e farão jardins, e comerão o fruto deles.Pois eu os plantarei em sua terra, e nunca mais serão arrancados de sua terra, que eu lhes dei, diz o SENHOR, teu Deus.

Isaías 66.8 (Bíblia Livre) :
Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisa semelhante? Poderia uma terra gerar filho em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas logo que Sião esteve de parto, já teve o nascimento de seus filhos.

Este último texto é particularmente invocado nessa perspectiva. No entanto, como observamos, o seu contexto imediato diz respeito à restauração final de Sião no quadro do reino messiânico. A aplicação a 1948 continua sendo uma interpretação possível, e não uma correspondência direta e certa.

5- O retorno de Israel precede certos acontecimentos do fim

Em várias profecias, Israel está de novo presente em sua terra antes dos conflitos finais.

Exemplos: Zacarias 12.1-13, Ezequiel 38-39.

Isso pode sustentar a ideia de que o restabelecimento nacional de Israel possui importância profética.

6- A noção de geração pode ser flexível

Nessa interpretação, passaram-se mais de 78 anos desde a proclamação do Estado de Israel. O significado do termo «geração» exige, portanto, uma explicação.

A- Uma geração nem sempre tem uma duração fixa

Exemplos:

40 anos no deserto (Números 32.13),

70–80 anos (Salmos 90.10).

Jesus talvez não dê uma duração matemática estrita ao termo que emprega.

B- Jesus proíbe as datações precisas

É essencial lembrar esse ponto para evitar qualquer confusão.

Mateus 24.36 (Bíblia Livre) :
Porém daquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, a não ser meu Pai somente.

Atos 1.7 (Bíblia Livre) :
E ele lhes disse: Não pertence a vós saber os tempos ou estações que o Pai pôs em sua própria autoridade.

Isso confirma que ninguém conhece essa data, ainda que seja possível discernir um período. Não procuramos fixar um calendário, mas propor uma leitura coerente dos textos proféticos.

Conclusão

O versículo «Esta geração não passará sem que tudo isso aconteça» continua sendo uma das passagens mais debatidas do discurso profético de Jesus. Ao término deste estudo, várias constatações se impõem.

O que o texto afirma claramente:

  • O discurso do associa acontecimentos próximos (destruição do Templo, cerco de Jerusalém) e acontecimentos mais distantes (sinais cósmicos, vinda gloriosa do Filho do Homem).
  • A estrutura desse discurso apresenta semelhanças com a profecia de Daniel 9, na qual diferentes horizontes temporais se sobrepõem.
  • Jesus proíbe formalmente qualquer tentativa de fixar o dia e a hora de seu retorno.

O que o texto permite inferir:

  • Le peut symboliser Israël, comme dans d'autres passages de l'Ancien Testament.
  • A da figueira poderia ter um alcance profético ligado ao restabelecimento nacional de Israel.

O que pertence à interpretação:

  • A identificação do «brotar da figueira» com a proclamação do Estado de Israel em 1948 constitui uma leitura possível, mas não uma evidência textual.
  • O cálculo de uma geração a partir de 1948 se baseia em várias hipóteses não verificáveis (duração exata de uma geração, ponto de partida preciso, critérios de pertencimento a essa geração).

Nossa interpretação privilegia uma leitura escatológica da passagem, na qual o restabelecimento de Israel sinalizaria a aproximação dos acontecimentos finais. Essa leitura nos parece coerente com o conjunto dos dados proféticos estudados. No entanto, reconhecemos que ela comporta incertezas e que não pode constituir uma predição com data.

Jesus, o Messias, quis deixar os seus discípulos numa atitude de vigilância ativa, nem na indiferença nem na especulação cronológica. É nesse espírito que propomos esta reflexão: não para fixar datas, mas para encorajar o discernimento dos tempos e a fidelidade na espera.