É provável que o episódio do jovem rico tenha se passado na entrada de Jericó. Essa localização sugere que o Messias Jesus havia empreendido a viagem a Betânia, perto de Jerusalém, com o objetivo de ressuscitar Lázaro. Esse deslocamento teria começado por volta de fevereiro ou, no mais tardar, no início de março do ano 33.
O jovem rico
Este artigo analisa o encontro do jovem rico com Jesus, uma perícope dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Ele destaca o ensino de Jesus sobre o desapego material e a fé, situando ao mesmo tempo o acontecimento em um contexto histórico entre Hanucá e a Páscoa.
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Textos bíblicos
E eis que alguém se aproximou, e perguntou-lhe: “Bom Mestre, que bem farei para eu ter a vida eterna?”
E ele lhe disse: “Por que me chamas bom? Ninguém há bom, a não ser um: Deus. Porém, se queres entrar na vida, guarda os mandamentos.”
Perguntou-lhe ele: “Quais?” E Jesus respondeu: “Não cometerás homicídio, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho;
honra ao teu pai e à tua mãe; e amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”
O rapaz lhe disse: “Tenho guardado tudo isso desde a minha juventude. Que me falta ainda?”
Disse-lhe Jesus: “Se queres ser completo, vai, vende o que tens, e dá aos pobres. Assim terás um tesouro no céu. Então vem, segue-me.”
Mas quando o rapaz ouviu essa palavra, foi embora triste, porque tinha muitos bens.
E quando ele saiu para caminhar, um homem correu até ele; e pondo-se de joelhos diante dele, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, a não ser um: Deus.
Sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não darás falso testemunho; não serás enganador; honra o teu pai e a tua mãe.
Porém ele lhe respondeu: Mestre, tudo isto guardei desde a minha juventude.
E olhando Jesus para ele, amou-o, e disse-lhe: Uma coisa te falta: vai, vende tudo quanto tens, e dá aos pobres; e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me, toma tua cruz.
Mas ele, pesaroso desta palavra, foi-se triste; porque tinha muitas propriedades.
E um certo líder lhe perguntou, dizendo: Bom mestre, o que tenho que fazer para herdar a vida eterna?
E Jesus lhe disse: Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, a não ser um: Deus.
Tu sabes os mandamentos: não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
E ele disse: Todas estas coisas tenho guardado desde minha juventude.
Porém Jesus, ouvindo isto, disse-lhe: Ainda uma coisa te falta: vende tudo quanto tens, e reparte-o entre os pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.
Mas ele, ouvindo isto, ficou muito triste, porque era muito rico.
Detalhes técnicos
Local: Estrada entre Betânia, além do Jordão, e Jericó
Data: Mês de fevereiro do ano 33 d.C.
Método: Continuamos com Marcos
Nota sobre o modo operatório: Mateus e Lucas confirmam as palavras de Marcos
Um homem rico vem conversar com o Messias Jesus.
Cronologia
Comentários
A conversa entre o Messias Jesus e o jovem rico acontece no caminho que liga Betânia, situada além do Jordão, onde o Messias Jesus e seus discípulos estão hospedados (PER261), a Jerusalém. Trata-se da viagem empreendida para ir à casa de , quando Lázaro já morreu, antes da partida do Messias Jesus e de seus discípulos para Efraim (PER274), depois da ressurreição de Lázaro (PER273).
A conversa precede a chegada a Jericó, onde o Messias Jesus realizará a cura de dois cegos. Durante esse deslocamento, o Messias Jesus aproveita diversos momentos, principalmente as pausas, para ensinar a multidão que o segue. Essas paradas tornam-se ocasiões privilegiadas de instrução e de diálogo com aqueles que o acompanham.
É razoável pensar que esse jovem rico, mencionado em Mateus 19.20, era provavelmente originário de uma grande cidade da região. Tendo sabido da passagem do Messias Jesus e de seus discípulos nas proximidades, ele teria ido ao encontro deles, movido pelo desejo de conversar com o Messias Jesus.
O fato de ele ser descrito como um notável, segundo Lucas 18.18, indica que pertence à elite local. Pode tratar-se de um dirigente da , de um magistrado ou de um membro influente de uma comunidade judaica. Como essas funções estão ligadas a um território preciso, isso confirma que se trata de um homem estabelecido na região e reconhecido no seio de sua comunidade.
Esse homem vai a Jesus com uma pergunta essencial: quer saber o que deve fazer para ter a vida eterna. Em Mateus, ele é descrito como um jovem; em Lucas, como um notável; em Marcos, ele corre e se ajoelha, o que ressalta a urgência e a sinceridade de sua atitude. Esse homem é religioso, sério, respeitado, e busca uma resposta definitiva sobre como entrar na vida.
O Messias Jesus começa remetendo-o a Deus somente como o verdadeiramente bom, depois o convida a lembrar-se dos mandamentos. O homem afirma que os cumpre desde a juventude. Os evangelhos mostram assim alguém moralmente irrepreensível, mas que, apesar de tudo, sente que lhe falta alguma coisa. Marcos acrescenta um detalhe comovente: o Messias Jesus fixa nele o olhar e o ama. Esse olhar de amor prepara a palavra exigente que se segue.
O Messias Jesus lhe diz então que lhe falta uma só coisa: ele deve vender seus bens, dá-los aos pobres e depois vir e segui-lo. O chamado não é uma regra geral imposta a todos, mas uma palavra dirigida a esse homem em particular, cuja riqueza constitui o obstáculo interior. O Messias Jesus não lhe pede apenas que renuncie às suas posses; convida-o a entrar numa relação de discípulo, a caminhar atrás dele.
A reação do homem é trágica: ele vai embora muito triste, pois possui grandes bens. Sua tristeza mostra que ele compreende a beleza do chamado, mas não consegue desprender-se dele. Os três evangelhos ressaltam a mesma tensão: esse homem deseja a vida eterna, mas não está pronto para largar aquilo que o impede de recebê-la.
Nesses relatos, o Messias Jesus revela que o verdadeiro obstáculo não é a riqueza em si mesma, mas o apego do coração. O homem rico torna-se a imagem de quem quer entrar no Reino mantendo o controle da própria vida. O Messias Jesus, por sua vez, chama a uma liberdade radical, fundada na confiança e no desapego. O contraste entre o amor do Messias Jesus e a tristeza do homem dá à cena uma profundidade humana e espiritual excepcional.