Este artigo examina a ressurreição de Jesus e o seu impacto teológico, discutindo as predições e as reações das testemunhas, bem como as medidas tomadas pelas autoridades judaicas para proteger o túmulo. Os relatos evangélicos e a sua coerência são analisados para sublinhar a importância deste acontecimento central do cristianismo.
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75 versículos
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Em 3 de abril do ano 33 d.C. ocorreu um acontecimento notável: a ressurreição de Jesus, em conformidade com as suas predições anteriores. As primeiras testemunhas deste acontecimento ficaram inicialmente perplexas, com dificuldade em compreender o alcance do que observavam.
Neste estudo, analisaremos os diversos textos relativos a esta ressurreição, com particular atenção às numerosas advertências que Jesus tinha dirigido aos seus discípulos. É importante notar que estes se encontravam num estado de negação, incapazes de considerar a morte do seu Mestre.
I. A ressurreição
A ressurreição pode parecer tão extraordinária que alguns a consideram impossível. No entanto, uma multidão de testemunhas confirma a autenticidade dos fatos relatados. Como pode uma pessoa morrer e voltar à vida depois de alguns dias?
O episódio de Lázaro (João 11.1-44) está bem documentado. Esse acontecimento tinha chamado a atenção de muitos habitantes de Jerusalém e suscitado diversas controvérsias. No entanto, as testemunhas oculares, incluindo , confirmaram que esse homem, seu próprio irmão, estava agora vivo, participando de atividades cotidianas como comer e beber.
Além disso, vários testemunhos relatam a história do filho de uma viúva da , perto de Nazaré (Lucas 7.11-17), bem como a da filha do chefe da de Cafarnaum, Jairo (Marcos 5.22, Lucas 8.41).
O Mestre também tinha predito várias vezes a sua própria morte e a sua ressurreição. Os discípulos, porém, não tinham compreendido essas predições ou talvez simplesmente se recusassem a crer nelas.
É claro que Mateus faz referência a uma lembrança particularmente significativa, que só foi plenamente compreendida depois dos acontecimentos mencionados. No entanto, no momento em que o Messias Jesus pronunciava estas palavras, nem ele nem os outros discípulos percebiam a sua importância (Mateus 16.21, Marcos 8.31, Lucas 9.22, João 2.19).
II. O temor das autoridades judaicas
Enquanto os discípulos tinham dificuldade em compreender o alcance dessas palavras (Mateus 20.17-19), as autoridades religiosas não pareciam encontrar os mesmos obstáculos.
De fato, no dia seguinte à crucificação, ou seja, em 2 de abril do ano 33 d.C., segundo a nossa análise, em um , alguns , membros do , dirigiram-se de manhã cedo ao prefeito romano Pôncio Pilatos para lhe pedir que mandasse vigiar o túmulo.
Segundo a análise de Mateus, é provável que o chefe dos sacerdotes na época fosse o sumo sacerdote Caifás. Essa hipótese é plausível porque só uma personalidade judaica tinha a autoridade necessária para se encontrar com o prefeito romano.
Perícope PER363: A visita dos a Pilatos
É inegável que essas pessoas interpretaram bem as palavras do Messias Jesus, o que demonstra além disso que as suas palavras não se dirigiam exclusivamente aos discípulos.
III. O boato em Jerusalém
A que acontecimento se referem esses soldados? Mateus 28.11 menciona Maria Madalena e a outra Maria, mãe de Tiago e de José, que tinham ido ao túmulo e se retiravam naquele momento. Elas conheciam o local porque tinham seguido José e Nicodemos na quinta-feira à noite (Mateus 27.56).
Os soldados, testemunhas desses acontecimentos, foram a Jerusalém, no domingo de manhã, para ver as e não o seu superior, Pôncio Pilatos, temendo visivelmente a sua reação (Mateus 28.14). Conheciam a verdade, mas mentiram por dinheiro. Muitos judeus preferiram acreditar no que lhes parecia mais racional: os discípulos teriam roubado o corpo do seu Mestre para enganar todos!
Uma ressurreição teria confirmado os ensinamentos desse Profeta e colocado em dificuldade o . Caifás e os seus colegas conseguiram assim manter o controle da situação. É importante notar que eles se mantêm firmes no seu raciocínio e na sua estratégia, sem questionar as suas ações, e procuram antes ajustar os fatos para validar a sua interpretação.
IV. Os testemunhos
É importante notar que Jesus, o Messias, se manifestou aos seus discípulos de maneira discreta depois da sua ressurreição. Por que não optou por aparecer na esplanada do Templo, onde a sua presença poderia ter sido reconhecida por todos? Essa situação poderia ter suscitado reações entre a população.
No entanto, parece que a intenção do Mestre não era incitar uma revolução popular. Tal ação teria levado a uma intervenção romana e a numerosas perdas humanas. De fato, segundo a nossa análise, Pôncio Pilatos não teria hesitado em reprimir essa manifestação, considerada aos seus olhos uma revolta, num banho de sangue.
Examinaremos como a aparência do Messias Jesus ressuscitado diferia tanto da que tinha antes da sua morte que os seus discípulos não o reconheciam, o que teria causado grande confusão numa aparição pública de grande porte.
O Messias Jesus apareceu vivo várias vezes aos seus próximos durante um período de 40 dias. Assim, segundo as nossas diversas conclusões, numerosos discípulos foram testemunhas da realidade dessa ressurreição entre 3 de abril e 13 de maio do ano 33 d.C.
Na sua segunda obra, Lucas apresenta de forma sucinta os quarenta dias de presença do Mestre, desde a sua ressurreição até à sua ascensão.
No seu discurso de 22 de maio do ano 33 d.C., Pedro aborda diretamente os temas da crucificação e da ressurreição. Para todo o auditório, composto por cerca de 3000 testemunhas, esses acontecimentos representavam uma realidade histórica. Vamos agora examinar em detalhe os textos que mencionam essa ressurreição e procurar responder às numerosas perguntas que esse acontecimento suscita.
V. Ninguém o reconhece
Em primeiro lugar, é notável que os discípulos tenham dificuldade em identificar Jesus depois da sua ressurreição.
Maria Madalena foi a primeira a encontrar Jesus ressuscitado. João menciona que “ela não sabia que era ele”. Essa dificuldade em identificar o seu Mestre repete-se em cada uma das suas aparições.
Não existe nenhuma contradição entre o relato de Marcos, que menciona que “apareceu em outra forma”, e o de Lucas, que precisa que “os olhos deles estavam impedidos de o reconhecer”. Na realidade, esses dois relatos completam-se mutuamente. Os discípulos não conseguiram identificar o Mestre por causa da alteração da sua aparência.
O Messias Jesus precisa provar aos seus discípulos assustados que é verdadeiramente ele mesmo. Convém lembrar que eles tinham presenciado a ressurreição de Lázaro algumas semanas antes.
Os discípulos, próximos de Jesus, ficam surpresos e não reconhecem o seu Mestre ressuscitado. Duas semanas depois, no , ainda têm dúvidas diante desse acontecimento surpreendente.
Os discípulos estão convencidos pelos ensinamentos do Mestre. Pode-se deduzir que a aparência de Jesus ressuscitado mudou a ponto de os seus próximos já não conseguirem identificá-lo claramente.
Além disso, a ressurreição não é um acontecimento comum. Tal fenômeno pode surpreender e até desestabilizar os crentes mais devotos.
VI. As diferenças
As feridas causadas pelo açoite, pela coroa de espinhos, pelos cravos ou pela lança parecem agora cicatrizadas em apenas três dias. Embora algumas marcas permaneçam, o seu corpo está em estado de cura.
Com os discípulos, e o seu companheiro, ele desaparece de repente. Em seguida, aparece no meio dos Apóstolos reunidos na casa de Maria, em Jerusalém. Observemos que eles não tinham notado feridas aparentes nem cicatrizes, pois o teriam assinalado.
O corpo renovado do Messias Jesus não está sujeito às mesmas limitações físicas. Lucas, como médico, sublinha este ponto, porque o fenômeno ultrapassa a sua compreensão, assim como a nossa atualmente.
VII. Uma passagem surpreendente
Veja a versão NEG de João 20.17-18.
O Messias Jesus pede a Maria Madalena que não o toque, explicando: “porque ”.
Se interpretarmos que ele se refere aqui à ascensão, que só ocorrerá dentro de cerca de 40 dias, notamos uma divergência com o texto de Lucas que se segue.
Por que o Messias Jesus pede a Maria Madalena que não o toque, enquanto ordena o contrário aos discípulos? A expressão de João “Não me toques”, proveniente da tradução (NEG), é traduzida por “” na tradução (S21).
A palavra “Haptomai” (referência Strong 680) usada por João tem vários sentidos: não me toqueis (não me manipuleis) ou não me detenhais. Pode também significar apegar-se ou agarrar-se. A interpretação mais plausível seria: não te apegues a mim dessa maneira para me reter por laços afetivos.
O Messias Jesus não está destinado a prosseguir o seu ministério terreno, como Maria Madalena poderia desejar naquele momento. A sua obra está concluída. Ele demonstra apenas com a sua presença que tudo está consumado. Regressa ao seu Pai.
A palavra usada por Lucas é diferente: “Pselaphao” (referência Strong 5584), que significa tocar ou apalpar. É uma ação puramente física.
Portanto, não há contradições entre esses dois textos. A abordagem de Maria Madalena é simplesmente diferente da dos discípulos.
VIII. Onde estava o Messias Jesus fora das suas aparições?
Depois da sua ressurreição, o Messias Jesus já não viveu continuamente com os seus discípulos como durante o seu ministério público de cerca de três anos e meio. Os relatos evangélicos mostram, pelo contrário, que ele aparecia de forma pontual e por vezes inesperada a diferentes testemunhas: a Maria Madalena (João 20.14-18), às mulheres que voltavam do túmulo (Mateus 28.9-10), aos discípulos de Emaús (Lucas 24.13-35), aos apóstolos reunidos em Jerusalém (Lucas 24.36-49; João 20.19-23), e depois novamente na presença de Tomé (João 20.26-29). Manifestou-se também à beira do , onde teve lugar a segunda pesca milagrosa (João 21.1-14). O apóstolo Paulo acrescenta que ele apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, bem como a Tiago (1 Coríntios 15.5-7).
Essas aparições tinham como objetivo principal confirmar a realidade física da sua ressurreição e preparar os discípulos para a sua futura missão. Jesus ainda lhes ensinou as coisas concernentes ao reino de Deus (Atos 1.3), abriu-lhes o entendimento para que compreendessem as Escrituras (Lucas 24.44-45) e anunciou-lhes a vinda próxima do Espírito Santo (Atos 1.4-5). Esse período permitiu também fortalecer a sua fé depois do trauma da crucificação e transformar discípulos ainda receosos em futuras testemunhas da ressurreição.
Os Evangelhos mostram também que o Messias Jesus não estava constantemente com eles durante esses quarenta dias. As suas aparições parecem espaçadas e limitadas no tempo. Aparecia de repente e depois desaparecia de novo (Lucas 24.31). Essa maneira de agir sublinha a transição entre o seu ministério terreno e a sua futura glorificação.
As Escrituras dão, porém, poucas informações sobre as suas atividades entre essas aparições. É provável que esse período tenha sido dedicado ao ensino dos discípulos, à sua preparação espiritual e à confirmação progressiva da sua fé. Como durante o seu ministério público, é também possível que tenha dedicado tempo à oração e à comunhão com o seu Pai, embora os textos não forneçam detalhes explícitos a esse respeito.
A Bíblia deixa deliberadamente uma parte de silêncio sobre esses quarenta dias (Atos 1.3). Os autores bíblicos não procuram contar cada acontecimento, mas transmitir o essencial: o Messias Jesus ressuscitou realmente, manifestou-se a numerosas testemunhas e depois subiu ao céu, após ter confiado aos seus discípulos a sua missão universal (Mateus 28.18-20; Atos 1.9-11).
IX. A ascensão em 13 de maio do ano 33 d.C.
Chegamos agora ao fim do período de 40 dias assinalado por Lucas (Atos 1.3).
Lucas não fala de uma aparição repentina, mas diz simplesmente: “estando com eles”. Parece, pois, que o Messias Jesus, nessa ocasião, se encontrava com os seus discípulos no .
Pela passagem de Lucas 24.13-49 constatamos que Lucas agrupa várias aparições e várias conversas do Messias Jesus com os seus discípulos para chegar diretamente à ascensão. Temos a impressão de que o Messias Jesus vivia com os seus discípulos.
Em certo momento, decide partir para Betânia acompanhado dos seus discípulos. Parece que essa deslocação se fez com a maior discrição, pois ninguém mais se junta ao cortejo.
Por outro lado, essa discrição explica-se também pelo clima de perseguição que reinava em Jerusalém depois da crucificação do Mestre.
Lucas, no seu Evangelho, não dá nenhum detalhe; indica apenas o acontecimento que se dá enquanto o Messias Jesus abençoava os seus discípulos e eles o adoravam. Depois voltarão a Jerusalém cheios de grande alegria.
Por mais surpreendente que possa parecer, Mateus, Marcos e João não dão nenhum detalhe sobre esse fato excepcional.
Evangelho de Mateus: Mateus não menciona explicitamente a ascensão de Jesus. O Evangelho termina com a Grande Comissão (Mateus 28.16-20), em que Jesus dá as suas instruções finais aos discípulos, mas não fala da sua ascensão ao céu.
Evangelho de Marcos: A versão mais antiga do Evangelho de Marcos não contém o relato da ascensão. No entanto, nos versículos suplementares acrescentados mais tarde (Marcos 16.19-20), menciona-se que Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus.
Evangelho de João: João não descreve diretamente a ascensão de Jesus. No entanto, o Messias Jesus faz várias alusões ao seu regresso para junto do Pai nos discursos dirigidos aos seus discípulos (João 20.17).
Portanto, segundo os Atos dos Apóstolos (Atos 1.9-11) e o Evangelho de Lucas (Lucas 24.50-53), o Messias Jesus subiu ao céu quarenta dias depois da sua ressurreição. Eis um resumo do que nos dizem os Evangelhos:
Local: A ascensão ocorreu no , perto de Jerusalém.
Testemunhas: Os apóstolos estavam presentes e foram testemunhas desse acontecimento.
Promessa do Espírito Santo: Antes de subir, o Messias Jesus prometeu a vinda do Espírito Santo para guiar e fortalecer os discípulos.
Últimas instruções: O Messias Jesus deu instruções aos seus apóstolos, pedindo-lhes que testemunhassem a sua vida e os seus ensinamentos “até aos confins da terra”.
Subida: O Messias Jesus foi elevado e uma nuvem o ocultou aos olhos dos apóstolos.
Anjos: Dois homens com (frequentemente interpretados como anjos) apareceram e tranquilizaram os apóstolos, dizendo-lhes que Jesus voltaria da mesma maneira como tinha subido ao céu.
Na realidade, o acontecimento da Ascensão é relatado unicamente por Lucas, tanto no seu Evangelho como no seu livro dos Atos dos Apóstolos.
A ascensão simboliza a glorificação do Messias Jesus e marca o seu regresso para junto de Deus Pai. É também um momento-chave, pois prepara a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, celebrado pelos cristãos como o início oficial da Igreja.
X. A assinatura de Deus
A ressurreição é a confirmação divina de que a obra do Messias Jesus está plenamente concluída. Não se assemelha, portanto, à do menino da aldeia de Naim ou de Lázaro. O Mestre já não está destinado a prosseguir uma vida terrena, mas a demonstrar que a sua missão foi plenamente cumprida. Ele triunfou sobre a morte.
Para todas essas testemunhas fiéis, a tentação era reencontrar o seu Senhor tal como era antes. Teriam gostado de reviver aqueles momentos maravilhosos vividos em comunhão quando anunciavam o Evangelho na região de Cafarnaum.
Essa etapa está agora terminada e um novo futuro abre-se diante deles com outro consolador, o Espírito Santo. Durante esses dias, o Messias Jesus passa o bastão a essa nova equipe.
Nada terminou, tudo começa.
XI. Proposta de uma cronologia dos acontecimentos
Harmonização cronológica dos relatos da ressurreição
Os relatos da ressurreição do Messias Jesus constituem uma das seções mais complexas dos Evangelhos. Cada autor seleciona certos detalhes segundo o seu objetivo teológico e narrativo, sem procurar fornecer uma cronologia exaustiva minuto a minuto. Uma leitura isolada pode, portanto, produzir uma impressão de contradição. Em contrapartida, quando todos os textos são recolocados numa ordem coerente, os relatos tornam-se complementares.
O objetivo deste estudo é propor uma reconstrução cronológica plausível dos acontecimentos da manhã da ressurreição.
1. As mulheres preparam os aromas depois do sábado
Depois do repouso do semanal, várias mulheres preparam aromas para concluir os cuidados fúnebres do corpo de Jesus.
(Marcos 16.1) ; (Lucas 23.55-56)
Os Sinóticos insistem nessa preparação, enquanto João lembra que Nicodemos já tinha trazido uma grande quantidade de perfumes por ocasião da sepultura (João 19.39-40). As mulheres não vêm, portanto, necessariamente para realizar um primeiro sepultamento completo, mas provavelmente para completar ou honrar uma sepultura feita às pressas antes do .
2. Bem cedo de manhã, várias mulheres vão ao túmulo
As mulheres saem de Jerusalém antes de o sol ter nascido por completo.
“quando ainda estava escuro” (João 20.1) descreve provavelmente a sua partida;
“ao nascer do sol” (Marcos 16.2) corresponde à sua chegada progressiva ao túmulo.
João concentra-se principalmente em Maria Madalena, enquanto os Sinóticos mencionam várias mulheres.
3. Ocorre um terremoto e um anjo rola a pedra
Mateus relata um acontecimento espetacular:
“Houve um grande terremoto; porque um desceu do céu, chegou, removeu a pedra e sentou-se sobre ela” (Mateus 28.2).
Esse texto não diz explicitamente que as mulheres presenciaram essa cena. Mateus pode simplesmente estar contando um acontecimento ocorrido antes da chegada delas.
Marcos, Lucas e João descrevem as mulheres descobrindo a pedra já removida (Marcos 16.4); (Lucas 24.2); (João 20.1).
Os soldados ficam aterrorizados:
(Mateus 28.4)
Depois, provavelmente deixam o local antes de as mulheres entrarem no túmulo.
4. Maria Madalena vê a pedra removida e parte imediatamente
João descreve aqui uma reação muito rápida de Maria:
“Correu para Simão Pedro e para o outro discípulo” (João 20.2).
Ao ver o túmulo aberto, Maria conclui imediatamente que o corpo foi removido:
«Tiraram do túmulo o Senhor» (João 20.2).
Nesta fase:
ela provavelmente ainda não entrou no túmulo;
ela ainda não viu os anjos;
ela ignora a ressurreição.
João acompanha particularmente o percurso pessoal de Maria Madalena, enquanto os Sinóticos se interessam mais pelo grupo de mulheres que ficou no local.
5. As outras mulheres entram no túmulo
Enquanto Maria parte para avisar os discípulos, as outras mulheres permanecem junto ao sepulcro.
Elas entram então no túmulo:
(Marcos 16.5)
(Lucas 24.3-4)
Marcos fala de:
“um jovem vestido de uma túnica branca”.
Lucas menciona:
“dois homens com vestes resplandecentes”.
Mateus refere:
“um ”.
Essas descrições são complementares:
os anjos aparecem em forma humana;
um autor pode mencionar apenas a personagem principal;
Lucas acrescenta simplesmente uma precisão numérica.
O mesmo fenômeno existe em outros relatos evangélicos.
6. Os anjos anunciam a ressurreição
As mulheres recebem então a mensagem central:
“Não está aqui, porque ressuscitou” (Mateus 28.6).
Veja também:
(Marcos 16.6-7)
(Lucas 24.5-7)
Os anjos pedem às mulheres que vão avisar os discípulos.
7. As mulheres deixam o túmulo com temor e alegria
As reações são múltiplas:
medo;
estupor;
alegria;
incompreensão.
(Mateus 28.8)
(Marcos 16.8)
(Lucas 24.9)
Marcos insiste particularmente no seu estado de choque:
“Não disseram nada a ninguém, por causa do medo” (Marcos 16.8).
Essa frase não significa que elas tenham guardado silêncio definitivamente, uma vez que os outros Evangelhos esclarecem que elas anunciaram depois a notícia aos discípulos. Marcos descreve simplesmente a sua reação imediata ao deixarem o local.
8. Pedro e João correm ao túmulo
Depois do testemunho de Maria Madalena:
(João 20.2)
Pedro e João dirigem-se rapidamente ao túmulo:
(João 20.3-10)
(Lucas 24.12)
Eles descobrem:
os lençóis postos;
o lenço dobrado à parte.
João sublinha que o túmulo não se parece com a cena de um roubo apressado.
9. Maria volta ao túmulo e vê os anjos
Depois da partida de Pedro e João, Maria permanece sozinha junto ao túmulo:
(João 20.11)
Só agora ela vê dois anjos:
(João 20.12-13)
Isso confirma que provavelmente ela não tinha presenciado o anúncio angélico anterior descrito nos Sinóticos.
10. Jesus aparece a Maria Madalena
Maria vira-se e vê Jesus sem o reconhecer imediatamente:
(João 20.14-16)
Essa aparição pessoal explica por que João dá um lugar tão importante ao testemunho de Maria.
Marcos menciona também essa aparição:
11. Jesus aparece às outras mulheres
(Marcos 16.9)
Mateus relata em seguida uma aparição às outras mulheres:
(Mateus 28.9-10)
Jesus pede-lhes também que avisem os discípulos.
É possível que essa aparição tenha ocorrido durante o regresso delas a Jerusalém.
12. Os guardas relatam os acontecimentos às autoridades
Os soldados vão informar os principais sacerdotes:
(Mateus 28.11-15)
Uma versão oficial é então fabricada:
os discípulos teriam roubado o corpo enquanto os guardas dormiam.
Mateus responde assim a uma acusação que já circulava entre alguns judeus.
13. Jesus aparece aos discípulos de Emaús
Mais tarde, no mesmo dia:
(Lucas 24.13-35)
(Marcos 16.12-13)
Dois discípulos deixam Jerusalém rumo a Emaús.
Jesus explica-lhes as Escrituras sem ser reconhecido imediatamente.
14. Jesus aparece aos discípulos reunidos em Jerusalém
Na mesma noite:
(Lucas 24.36-49)
(João 20.19-23)
Tomé está ausente:
(João 20.24-25)
Oito dias depois, Jesus aparece novamente, estando Tomé presente:
Conclusão
(João 20.26-29)
Os relatos da ressurreição não apresentam contradições irreconciliáveis, mas testemunhos complementares provenientes de várias testemunhas e perspectivas.
A dificuldade provém essencialmente do fato de que:
os autores não contam todos os mesmos episódios;
vários grupos e deslocamentos se cruzam;
alguns acontecimentos são resumidos;
João acompanha particularmente Maria Madalena;
os Sinóticos privilegiam frequentemente o grupo das mulheres.
Uma harmonização cronológica coerente permite explicar naturalmente:
por que Maria podia ainda acreditar numa remoção do corpo;
por que alguns relatos falam de um anjo e outros de dois;
por que as mulheres parecem por vezes silenciosas e por vezes anunciam imediatamente a notícia;
por que os relatos destacam detalhes diferentes sem se contradizerem.
Conclusão
Constatamos que a ressurreição do Messias Jesus difere da de Lázaro, por exemplo. Este último voltou à vida sem nenhuma mudança.
Não é o caso do Mestre que, embora tenha voltado à vida, era diferente. A reação das numerosas testemunhas o confirma. Comeu pelo menos três vezes com os seus amigos, mas tinha a capacidade de desaparecer e reaparecer em outro lugar.
As suas graves feridas já não são mais que cicatrizes, apenas três dias depois. Ele fala e explica alguns pontos, os discípulos podem tocá-lo, mas ele já não vive com eles.
A realidade é simples, mas difícil de aceitar para esses discípulos. O Messias Jesus não está destinado a viver de novo com eles. Esse tempo bendito terminou.
Esta situação durante esses 40 dias é uma transmissão de poder. A ressurreição do Mestre é a proclamação da sua vitória. Da mesma forma que alimentou a multidão com quase nada, eles também saciarão agora multidões ainda maiores simplesmente com o seu testemunho.
O Messias Jesus está apenas de passagem, regressa ao Pai, a tarefa está finalmente cumprida e a sucessão está pronta.
Um título, um personagem, um lugar, uma referência («Lucas 15»)…
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Referência bíblica
INF300
Nota informativa
INF300 - Ainda não subi para meu Pai
Ainda não subi para meu Pai
As palavras de Jesus dirigidas a Maria Madalena: “Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai” (João 20.17), parecem, à primeira vista, difíceis de conciliar com a promessa feita ao ladrão crucificado ao seu lado: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). Várias explicações foram propostas para harmonizar essas duas declarações.
A primeira observação consiste em notar que as expressões empregadas não são idênticas. Em Lucas, Jesus fala do “paraíso”, ao passo que em João ele se refere à sua subida ao Pai. Ora, o Novo Testamento não apresenta necessariamente essas duas realidades como absolutamente sinônimas. O próprio Paulo afirma ter sido “arrebatado até o terceiro céu” antes de acrescentar que foi “arrebatado ao paraíso” (2 Coríntios 12.2-4). O Apocalipse também situa o paraíso em relação com a presença de Deus (Apocalipse 2.7), sem esclarecer se essa realidade já implica o cumprimento definitivo do Reino.
Uma segunda dificuldade reside na pontuação de Lucas 23.43. Como os manuscritos gregos antigos não têm pontuação, alguns propuseram entender: “Digo-te hoje: estarás comigo no paraíso.” Essa leitura, defendida principalmente por diversos autores favoráveis à doutrina do sono dos mortos, adia o cumprimento da promessa para o momento da ressurreição futura. Ela permite evitar qualquer contradição com João 20.17. No entanto, a maioria dos exegetas considera que a formulação mais natural continua sendo a adotada pela maior parte das traduções modernas: “Hoje estarás comigo no paraíso”.
Se mantivermos essa pontuação tradicional, vários elementos permitem, ainda assim, resolver a dificuldade. De fato, João 20.17 não diz que Jesus ainda não foi ao paraíso, mas que ainda não subiu ao Pai. A expressão “subir” remete verossimilmente à ascensão gloriosa e definitiva de Cristo para junto do Pai (Atos 1.9-11), acontecimento que só ocorreria quarenta dias depois da ressurreição (Atos 1.3). Assim, Jesus pode ter estado com o ladrão no paraíso sem ter ainda realizado sua ascensão definitiva.
Essa distinção entre a ressurreição e a ascensão aparece também nas palavras dirigidas a Maria. Jesus não declara: “Ainda não fui ao Pai”, mas: “Ainda não subi para meu Pai” (João 20.17). O verbo empregado sugere uma elevação gloriosa e permanente, mais do que uma simples presença junto a Deus.
Outras passagens parecem apontar na mesma direção. Antes de sua morte, Jesus havia anunciado que voltaria ao Pai (João 16.28). Depois de sua ressurreição, ele permanece ainda quarenta dias com seus discípulos antes de sua ascensão visível (Atos 1.3). Por fim, o autor da epístola aos Hebreus apresenta o Cristo glorificado como tendo entrado no santuário celeste depois de realizar o seu sacrifício (Hebreus 9.11-12; Hebreus 9.24).
Outra abordagem consiste em considerar que Jesus e o ladrão compartilharam, desde a sua morte, um estado bem-aventurado na presença de Deus, sem que isso corresponda ainda ao cumprimento final do Reino nem à ascensão gloriosa de Cristo. Essa compreensão coincide com as passagens em que Paulo expressa o desejo de “partir e estar com Cristo” (Filipenses 1.23) ou afirma que deixar este corpo é “habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5.8).
Por fim, alguns intérpretes, partidários do sono inconsciente dos mortos, consideram que as duas declarações devem ser entendidas à luz da ressurreição futura. Eles ressaltam que a principal esperança do Novo Testamento continua sendo a ressurreição dos mortos e a volta de Cristo (João 5.28-29; 1 Coríntios 15.20-23; 1 Tessalonicenses 4.13-17). Nessa perspectiva, a promessa feita ao ladrão seria certa, mas o seu cumprimento efetivo ocorreria no dia da ressurreição.
Assim, qualquer que seja a solução adotada, essas duas declarações não são necessariamente contraditórias. Elas testemunham antes a dificuldade que os autores bíblicos têm de descrever realidades que ultrapassam a experiência humana. Em contrapartida, convergem num ponto essencial: a morte não teve a última palavra. Graças à vitória de Cristo, a esperança dos crentes permanece fundamentada na comunhão com o seu Senhor e na certeza da ressurreição futura (João 11.25-26; 1 Coríntios 15.54-57).
INF080
Nota informativa
INF080 - A Nouvelle Édition de Genève 1996
A Nouvelle Édition de Genève 1996
A Nouvelle Édition de Genève (NEG) 1996 é uma versão revisada da tradução de Louis Segond, destinada a modernizar e aprimorar a versão anterior, de 1979. Eis alguns pontos importantes sobre essa revisão:
Contexto e objetivos
Modernização linguística: A revisão de 1996 busca atualizar a linguagem utilizada para que seja mais compreensível e fluente para os leitores contemporâneos. Incorporação de novas descobertas: Ela incorpora as descobertas e os avanços da crítica textual feitos desde a publicação da versão anterior, em 1979. Melhoria da clareza: Um dos principais objetivos era melhorar a clareza e a legibilidade do texto, simplificando certas expressões e empregando termos mais comuns.
Principais características
Fidelidade aos textos originais: A NEG 1996 se apoia nos manuscritos antigos mais confiáveis para garantir uma tradução precisa e fiel. Revisão e atualização linguística: A linguagem foi revista para refletir melhor os usos modernos da língua francesa, preservando ao mesmo tempo a riqueza e a profundidade do texto bíblico. Notas e referências: A versão inclui frequentemente notas explicativas e referências que ajudam na compreensão e no estudo das Escrituras.
Importância
Uso amplo: A NEG 1996 é amplamente usada nos meios protestantes francófonos, especialmente para os estudos bíblicos e a leitura pessoal. Acessibilidade: Graças à sua linguagem modernizada, ela é acessível a um público mais amplo, inclusive às novas gerações de leitores.
A Nouvelle Édition de Genève 1996 é, portanto, uma versão importante, que permitiu manter a relevância da tradução de Louis Segond e, ao mesmo tempo, atender às necessidades dos leitores modernos.
INF143
Nota informativa
INF143 - As informações de Lucas 10.38-42
As informações de Lucas 10.38-42
Sobre as informações deste texto
Esta passagem de Lucas 10.38–42 põe em evidência duas atitudes diante da presença de Jesus: a de Marta, ativa e preocupada com o serviço, e a de Maria, atenta e centrada em ouvir o Mestre.
Sentido espiritual e ensinamento
Marta representa o empenho nas tarefas concretas, a preocupação de fazer bem, mas também a tentação de se deixar sobrecarregar pela agitação e pelas responsabilidades.
Maria, ao sentar-se aos pés de Jesus, encarna a atitude contemplativa, a escuta profunda e a prioridade dada à palavra divina.
A resposta de Jesus não condena o serviço de Marta, mas ressalta que o essencial, “a boa parte”, é alimentar-se espiritualmente, centrar-se em sua presença e em seu ensino.
Interpretação teológica
Este texto convida a reavaliar nossas prioridades: numa vida muitas vezes repleta de atividades, ele lembra que o relacionamento com Deus não deve ser negligenciado.
Ele ensina que a intimidade com Cristo é uma fonte de paz e de estabilidade, e que ela não pode ser substituída apenas pelo ativismo religioso ou social.
Maria “escolheu a boa parte”: isso sugere que a escolha espiritual é pessoal, livre e preciosa, e que produz frutos duradouros.
Aplicação pessoal
Em nossas vidas modernas, somos mais frequentemente como Marta ou como Maria?
Como encontrar um equilíbrio entre o serviço ativo e o repouso na presença de Deus?
Esta passagem nos convida a desacelerar, ouvir e nos reorientar para aquilo que realmente alimenta a nossa alma.
INF082
Nota informativa
INF082 - A Bible Segond 21 (S21)
A Bible Segond 21 (S21)
A Segond 21. Eis algumas informações essenciais sobre esta versão:
Contexto e objetivos
Data de publicação: 2007 Modernização: A Segond 21 visa modernizar a linguagem da tradução de Louis Segond, mantendo ao mesmo tempo grande fidelidade aos textos originais hebraicos e gregos. Clareza e acessibilidade: A ênfase recai sobre a clareza e a acessibilidade do texto para os leitores contemporâneos.
Principais características
Fidelidade aos textos originais: A Segond 21 apoia-se nos manuscritos antigos mais confiáveis para garantir uma tradução precisa e fiel. Revisão linguística: A linguagem foi revista para refletir melhor os usos modernos da língua francesa, preservando ao mesmo tempo a riqueza e a profundidade do texto bíblico. Notas e referências: A versão inclui com frequência notas explicativas e referências que ajudam na compreensão e no estudo das Escrituras.
Importância
Uso difundido: A Segond 21 é amplamente utilizada nos meios protestantes francófonos, especialmente para os estudos bíblicos e a leitura pessoal. Acessibilidade: Graças à sua linguagem modernizada, ela é acessível a um público mais amplo, incluindo as novas gerações de leitores.
A Segond 21 foi realizada por uma equipe multidisciplinar de tradutores, linguistas e teólogos e exigiu cerca de 12 anos de trabalho para ser concluída.
Essas revisões mostram a evolução da tradução de Louis Segond para se adaptar às mudanças linguísticas e às necessidades dos leitores ao longo do tempo.
INF087
Nota informativa
INF087 - O lago de Genesaré
O lago de Genesaré
O lago de Genesaré, também conhecido como mar da Galileia, lago de Tiberíades ou lago Kinneret, é uma importante massa de água em Israel, mencionada várias vezes nos Evangelhos. Eis alguns pontos importantes sobre ele:
Localização e geografia
Situação: O lago de Genesaré situa-se na região norte de Israel, na Galileia, perto dos Montes Golã. Encontra-se a cerca de 200 metros abaixo do nível do mar, o que faz dele um dos lagos de água doce mais baixos do mundo. Dimensões: O lago mede cerca de 21 quilómetros de comprimento e 13 quilómetros de largura, com uma superfície de 166 km². A sua profundidade máxima é de cerca de 43 metros.
Nomes e significados
Mar da Galileia: Este nome é frequentemente usado no Novo Testamento. Lago de Tiberíades:Assim chamado por causa da cidade de Tiberíades, situada na sua margem ocidental. Lago Kinneret: Derivado do hebraico «Kinneret» (que significa «harpa»), por causa da forma do lago, que se assemelha a uma harpa antiga.
Importância bíblica
Ministério de Jesus: O lago de Genesaré é um lugar central no ministério do Messias Jesus. Numerosos milagres e ensinamentos de Jesus ocorreram em redor deste lago, nomeadamente o andar sobre as águas (Mateus 14.22-33), a tempestade acalmada (Marcos 4.35-41) e a pesca milagrosa (Lucas 5.1-11). Chamamento dos discípulos: Os primeiros discípulos do Messias Jesus, como Pedro, André, Tiago e João, eram pescadores que trabalhavam neste lago. Milagres e ensinamentos: O lago é o cenário de numerosos milagres e ensinamentos de Jesus, que ilustram o seu poder sobre a natureza e a sua relação com os seus discípulos.
Importância histórica e cultural
Economia local: O lago de Genesaré sempre foi uma importante fonte de sustento para os pescadores e agricultores da região. Turismo e peregrinação: Hoje, o lago é um destino turístico e um lugar de peregrinação para cristãos de todo o mundo, atraídos pelos sítios bíblicos e pelas belezas naturais da região.
Ecologia e ambiente
Biodiversidade: O lago abriga uma diversidade de vida aquática e de aves migratórias, o que faz da região um ecossistema rico e variado. Desafios ambientais: Como muitas massas de água, o lago de Genesaré enfrenta desafios ambientais, nomeadamente a gestão da água e a poluição.
Israel lançou um projeto para encher o lago de Genesaré (também chamado mar da Galileia ou lago de Tiberíades) com água dessalinizada. Este projeto visa preservar o nível da água do lago, afetado por anos de seca, chuvas irregulares e desvios de água.
A água dessalinizada provém do mar Mediterrâneo e é transportada até ao lago por uma canalização especial. É uma iniciativa única no seu género para garantir uma fonte sustentável de água para a região.
Em resumo, o lago de Genesaré é um lugar de grande importância geográfica, histórica, cultural e bíblica, que desempenha um papel central em numerosos relatos dos Evangelhos e continua a ser um local de interesse para peregrinos e turistas.
INF299
Nota informativa
INF299 - Não me detenhas
Não me detenhas
As palavras de Jesus dirigidas a Maria Madalena: “Não me toques” ou “Não me detenhas” (João 20.17) suscitaram numerosas interpretações ao longo da história do cristianismo. O texto grego emprega o verbo haptomai, que pode significar tanto “tocar” quanto “apegar-se a”, “agarrar-se a” ou “reter”. É por isso que várias traduções modernas vertem essa expressão por: “Não me detenhas”.
A primeira observação é que Jesus não proíbe todo contato físico. Alguns versículos adiante, ele convida Tomé a tocar suas mãos e seu lado para vencer a sua incredulidade (João 20.27). Mateus relata também que as outras mulheres seguraram os pés dele e se prostraram diante dele sem que Jesus as impedisse (Mateus 28.9). Parece, portanto, pouco provável que Jesus proíba aqui todo contato material com o seu corpo ressuscitado.
O contexto imediato fornece uma indicação importante. Maria acaba de reencontrar o seu Mestre depois de ter acreditado que o corpo dele havia desaparecido. É verossímil que ela procure prolongar esse encontro e manter junto de si aquele que pensava ter perdido. Jesus lhe dá então a entender que a sua presença entre os discípulos não será mais da mesma natureza de antes. A sua obra terrena está concluída e o seu regresso ao Pai está agora próximo: “Porque ainda não subi para o meu Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai” (João 20.17).
Nessa perspectiva, a expressão poderia ser entendida assim: “Não procures reter-me junto de ti” ou “Não te agarres a mim”. Maria precisa aprender que a relação com o Ressuscitado já não se apoiará em sua presença física permanente, mas na fé. Jesus já havia preparado os seus discípulos para essa nova etapa, anunciando a sua partida e o envio do Espírito Santo (João 14.16-18; João 16.7).
Alguns comentaristas viram também nessas palavras um convite a não perder tempo na emoção do encontro, pois uma missão urgente aguarda Maria: anunciar aos discípulos que Jesus está vivo. De fato, logo após essa declaração, Jesus lhe confia uma responsabilidade particular: “Vai a meus irmãos” (João 20.17). Maria se torna assim a primeira mensageira da ressurreição (João 20.18).
Outra interpretação, mais antiga, estabelece um paralelo com o sumo sacerdote que, na Antiga Aliança, devia entrar sozinho no lugar santíssimo depois de oferecer o sacrifício (Levítico 16.15-17). Segundo essa leitura simbólica, Jesus, o verdadeiro sumo sacerdote (Hebreus 4.14; Hebreus 9.11-12), ainda não teria concluído a sua entrada na presença do Pai. No entanto, essa explicação continua sendo mais especulativa e não é explicitamente desenvolvida pelo texto de João.
No contexto da narrativa, a tradução “Não me detenhas” parece, portanto, a mais natural. Jesus não recusa nem o afeto nem o respeito de Maria Madalena. Ele simplesmente lhe ensina que uma nova etapa começa. A comunhão com o Ressuscitado já não se apoiará numa proximidade física cotidiana, mas na fé e na presença do Espírito Santo (João 14.23; 2 Coríntios 5.7).
Assim, essas palavras não constituem uma marca de distância ou de rejeição em relação a Maria Madalena. Pelo contrário, são pronunciadas em favor daquela que recebeu o privilégio excepcional de ser a primeira testemunha do Cristo ressuscitado (Marcos 16.9). Jesus a convida a transformar a alegria desse encontro em testemunho e a anunciar aos discípulos a vitória definitiva sobre a morte (1 Coríntios 15.54-57).
INF305
Nota informativa
INF305 - O monte das Oliveiras
O monte das Oliveiras
O monte das Oliveiras é um dos lugares mais importantes da geografia bíblica. Situado a leste de Jerusalém, é separado da cidade pelo vale do Cedrom (2 Samuel 15.30 ; João 18.1). Seu nome vem das numerosas oliveiras que antigamente cobriam suas encostas.
Situação geográfica
O monte das Oliveiras forma uma longa crista orientada de norte a sul, que atinge cerca de 820 metros de altitude, ou seja, um pouco acima de Jerusalém. De seu cume, tem-se uma vista notável da cidade e do local do Templo.
Sua proximidade com Jerusalém explica por que Jesus e seus discípulos iam lá com frequência (Lucas 21.37). Segundo Lucas, o lugar da ascensão ficava a uma distância de cerca de um “caminho de sábado” de Jerusalém, ou seja, aproximadamente um quilômetro (Atos 1.12).
Um lugar associado a numerosos acontecimentos bíblicos
No Antigo Testamento
Davi atravessou o ribeiro de Cedrom e subiu o monte das Oliveiras chorando, quando fugia de seu filho Absalão (2 Samuel 15.30).
O profeta Ezequiel descreve a glória de Deus deixando Jerusalém e parando no monte situado a leste da cidade, geralmente identificado com o monte das Oliveiras (Ezequiel 11.23).
O profeta Zacarias anuncia que, no dia do Senhor, os pés do Eterno pousarão sobre o monte das Oliveiras (Zacarias 14.4).
Na vida do Messias Jesus
O monte das Oliveiras ocupa um lugar especial nos Evangelhos:
Jesus permanece ali com frequência (Lucas 22.39);
ele contempla Jerusalém e chora sobre a cidade (Lucas 19.41-44);
ali ele pronuncia o discurso escatológico sobre o fim dos tempos (Mateus 24.3 ; Marcos 13.3);
ele passa as noites nesse monte durante os últimos dias antes de sua morte (Lucas 21.37);
ao pé do monte fica o jardim do Getsêmani, onde ele ora antes de sua prisão (Mateus 26.36 ; Lucas 22.39-46);
é também das proximidades de Betânia, na encosta oriental do monte, que ele abençoa seus discípulos e é elevado ao céu (Lucas 24.50-51 ; Atos 1.9-12).
O monte das Oliveiras e a ascensão
Atos indica que os discípulos voltaram a Jerusalém “do monte chamado das Oliveiras” depois da ascensão (Atos 1.12). Lucas esclarece em seu Evangelho que Jesus os conduziu até perto de Betânia antes de deixá-los (Lucas 24.50).
Essas duas indicações são perfeitamente compatíveis, pois Betânia se situa na encosta oriental do monte das Oliveiras, a cerca de três quilômetros de Jerusalém (João 11.18).
Uma dimensão profética
Para vários intérpretes, a escolha do monte das Oliveiras como lugar da ascensão provavelmente não é fortuita. O profeta Zacarias já anunciava que, no dia do Eterno, este se colocaria sobre esse monte (Zacarias 14.4). Assim, o lugar de onde Jesus deixa seus discípulos poderia ser também aquele associado à sua volta gloriosa, conforme a palavra dos anjos:
“Este mesmo Jesus, que dentre vós foi assunto ao céu, virá do modo como o vistes subir ao céu” (Atos 1.11).
Assim, o monte das Oliveiras aparece como um lugar carregado de história e de simbolismo. É ao mesmo tempo o cenário dos sofrimentos do Messias, de seu ensino sobre os tempos futuros, de sua ascensão e, segundo várias interpretações proféticas, do lugar associado à sua futura volta.
INF353
Nota informativa
INF353 - Um anjo do Senhor
Um anjo do Senhor
A precisão de Lucas: «Mas um anjo do Senhor, abrindo de noite as portas da prisão…» (Atos 5.19) certamente não é fortuita. Ela atende a vários objetivos teológicos e históricos.
Sublinhar a origem divina do livramento
Lucas quer mostrar que a libertação dos apóstolos não foi uma fuga organizada nem o resultado de uma cumplicidade humana. É o próprio Deus que intervém por meio de um dos seus mensageiros. Esta precisão sublinha que as autoridades religiosas podem aprisionar os servos de Deus, mas não podem impedir o cumprimento da sua vontade (Salmos 34.7; Salmos 91.11).
Um anjo entre outros
A expressão é indefinida: «um anjo» e não «o anjo do Senhor». Lucas não procura, pois, identificar este ser celeste. A sua identidade importa pouco; o que conta é a sua origem: vem do Senhor e age por ordem dele.
Em Atos, são relatadas várias intervenções angélicas:
junto a Filipe (Atos 8.26);
junto a Cornélio (Atos 10.3);
junto a Pedro, em outro livramento (Atos 12.7);
junto a Paulo durante a tempestade (Atos 27.23-24).
Lucas apresenta assim os anjos como servos de Deus encarregados de assistir o seu povo (Hebreus 1.14).
Uma expressão diferente de «o Anjo do Eterno»
No Antigo Testamento, a expressão «o Anjo do Eterno» designa por vezes uma personagem misteriosa que fala como o próprio Deus (Gênesis 16.7-13; Exodo 3.2-6). Alguns teólogos veem nela uma manifestação pré-encarnada do Messias.
Ora, Lucas não emprega esta fórmula particular. Escreve simplesmente «um anjo do Senhor», o que sugere um anjo comum pertencente à corte celestial.
Pôr a ênfase na mensagem mais do que no milagre
É notável que o anjo não se limite a abrir as portas. Dá uma ordem:
«Ide, apresentai-vos no templo e anunciai ao povo todas as palavras desta vida» (Atos 5.20).
Assim, o milagre não é um fim em si mesmo. Deus não liberta os apóstolos para lhes assegurar uma existência mais confortável, mas para que prossigam a sua missão. Esta ideia reencontra-se mais tarde no livramento de Pedro (Atos 12.7-11) e no de Paulo e Silas em Filipos (Atos 16.25-34).
Um contraste com as autoridades religiosas
O sumo sacerdote e o Sinédrio dispõem do poder humano; mas os apóstolos são sustentados pelos exércitos celestes. Lucas estabelece assim um contraste entre os poderes terrenos e a autoridade soberana de Deus (Salmos 2.1-4; Atos 4.29-31).
Em suma, a fórmula «um anjo do Senhor» visa menos satisfazer a curiosidade do leitor sobre a identidade deste mensageiro celeste do que lembrar que a Igreja primitiva avança sob a proteção e a direção do próprio Deus. Lucas chama a atenção não para o anjo, mas para o Senhor que o envia.
INF380
Nota informativa
INF380 - As autoridades judaicas
As autoridades judaicas
As autoridades que ordenam a prisão de Pedro e João em Atos 4.1-3 constituem um conjunto de líderes religiosos particularmente influentes. Lucas menciona três grupos distintos: os sacerdotes, o capitão do Templo e os saduceus. A intervenção deles permite compreender melhor as relações de poder que existiam em Jerusalém no início da Igreja.
1- Os sacerdotes
Os «sacerdotes» designam os que asseguravam o culto diário do Templo. Alguns pertenciam às famílias sacerdotais mais influentes e vários faziam parte do Sinédrio. Sua função lhes conferia uma autoridade considerável sobre a vida religiosa do povo.
O Templo constituía o centro da vida judaica. Ver dois galileus ensinando publicamente em seus recintos, atraindo as multidões e realizando milagres podia ser percebido como um questionamento de sua autoridade. Os chefes sacerdotais já haviam desempenhado um papel decisivo no julgamento de Jesus (João 11.47-53; João 18.13-14) e agora se viam diante de seus discípulos.
2- O comandante do Templo
Lucas menciona também «o capitão do Templo» (Atos 4.1). Tratava-se provavelmente do chefe da guarda do Templo, personagem muito importante na hierarquia judaica. Segundo as fontes judaicas, em especial a Mishná, esse responsável supervisionava os levitas encarregados da segurança e da manutenção da ordem no recinto sagrado.
Não se tratava de um oficial romano, mas de um responsável judeu. Sua função consistia em prevenir qualquer desordem capaz de atrair a intervenção das autoridades romanas. Seu posto era particularmente elevado, logo abaixo do sumo sacerdote.
A prisão de Pedro e de João não foi, portanto, uma iniciativa improvisada, mas uma operação oficial conduzida pelas autoridades reconhecidas do Templo.
3- Os saduceus
Lucas destaca sobretudo a presença dos saduceus (Atos 4.1-2). Esse grupo era composto em grande parte pelas famílias sacerdotais mais ricas e mais influentes. Em geral, mantinham boas relações com as autoridades romanas a fim de preservar sua posição privilegiada.
Ao contrário dos fariseus, os saduceus rejeitavam várias doutrinas importantes:
a ressurreição dos mortos (Mateus 22.23);
a existência dos anjos e dos espíritos (Atos 23.8);
certas tradições orais desenvolvidas pelos fariseus.
A pregação apostólica chocava-se diretamente com suas convicções. Anunciar que Jesus havia ressuscitado equivalia a confirmar a própria doutrina que combatiam. Não é, portanto, surpreendente que Lucas insista em sua irritação (Atos 4.2).
4- Uma oposição já enfrentada por Jesus
É notável constatar que os mesmos grupos que haviam contribuído para a condenação de Jesus se encontram agora diante de seus discípulos. Em certo sentido, Pedro e João prosseguem o ministério de seu Mestre e enfrentam os mesmos adversários.
Essa continuidade aparece claramente na narrativa dos Evangelhos. Os líderes religiosos haviam procurado reduzir Jesus ao silêncio (Marcos 14.53-65); agora tentam calar suas testemunhas.
5- O Sinédrio ao fundo
Embora o Sinédrio ainda não seja mencionado explicitamente em Atos 4.1-3, ele já se delineia por trás dessa prisão. No dia seguinte, Pedro e João serão de fato conduzidos diante dessa assembleia suprema (Atos 4.5-6).
O Sinédrio era composto por cerca de setenta membros, entre os quais se encontravam:
o sumo sacerdote;
os anciãos do povo;
os principais sacerdotes;
os escribas e doutores da Lei;
representantes dos partidos saduceu e fariseu.
Sob a dominação romana, essa instituição conservava ampla autoridade religiosa e judicial, embora o poder de executar uma condenação capital fosse fortemente limitado.
6- Uma inquietação, mais que uma simples hostilidade doutrinária
A oposição das autoridades judaicas não se explica unicamente por divergências teológicas. Vários elementos deviam inquietá-las:
o rápido crescimento do movimento cristão (Atos 2.41);
a crescente influência dos apóstolos sobre a população;
os milagres realizados publicamente (Atos 4.16);
o risco de agitação popular capaz de provocar uma intervenção romana;
o questionamento implícito de sua própria autoridade religiosa.
Algumas semanas antes, haviam provavelmente pensado que a crucificação de Jesus poria fim definitivo ao seu movimento. Agora descobrem com surpresa que seus discípulos prosseguem sua obra com uma nova confiança.
7- Um primeiro confronto destinado a se repetir
Essa prisão inaugura uma longa série de confrontos entre as autoridades judaicas e os apóstolos. Pedro e João comparecerão várias vezes diante do Sinédrio (Atos 4.5-22; Atos 5.27-40), Estêvão será condenado à morte (Atos 7.54-60), e Saulo de Tarso se tornará um dos principais perseguidores da Igreja antes de sua conversão (Atos 8.1-3).
Paradoxalmente, essa oposição só contribuirá para a difusão do cristianismo, conforme o programa anunciado pelo Senhor: «Vocês serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra» (Atos 1.8).
8- Uma observação interessante
Lucas não menciona aqui os fariseus. Esse silêncio provavelmente é significativo. Os principais adversários dos apóstolos nos primeiros capítulos de Atos parecem ser os saduceus e as famílias sacerdotais que controlavam o Templo. Os fariseus, embora contrários ao movimento cristão em vários pontos, aparecem às vezes mais moderados, como mostrará mais tarde a intervenção de Gamaliel (Atos 5.34-39). Essa nuance é importante para compreender a diversidade do judaísmo do primeiro século.
INF200
Nota informativa
INF200 - Uma veste branca
Uma veste branca
A veste branca que os cristãos receberão simboliza a pureza, a justiça, a vitória e a participação na glória celestial. É um sinal de transformação espiritual e de pertencimento a Cristo.
Origem bíblica da veste branca
A veste branca aparece várias vezes na Bíblia, especialmente no livro do Apocalipse, onde está associada aos crentes fiéis:
_Apocalipse 3.5: “O vencedor será vestido de vestes brancas; de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida.”
_Apocalipse 7.13-14: Os eleitos são descritos como tendo “lavado as suas vestes e as alvejado no sangue do Cordeiro”.
_Apocalipse 19.8: A Esposa do Cordeiro (a Igreja) recebe uma veste de linho fino, “as obras justas dos santos”.
Significado espiritual
A veste branca representa:
_A pureza e a santidade: Simboliza uma vida purificada do pecado pelo sacrifício de Cristo.
_A justiça recebida de Deus: Não é uma justiça humana, mas a que Deus concede aos que creem em Jesus.
_A vitória sobre o mal: É prometida àqueles que “vencerem”, isto é, que perseveram na fé até o fim.
_A ressurreição e a glória: Evoca o estado glorificado dos crentes na vida eterna.
Na tradição cristã
_No batismo, os novos cristãos recebem frequentemente uma veste branca, sinal de seu novo nascimento espiritual.
_Na liturgia, os sacerdotes usam vestes brancas nas festas da ressurreição, lembrando a vitória de Cristo.
_Na arte cristã, os santos e os anjos são frequentemente representados de branco, reflexo de seu estado celestial.
Um chamado à preparação
A veste branca não é apenas um dom, é também um chamado a viver na fidelidade:
“Bem-aventurados os que lavam as suas vestes, para terem direito à árvore da vida” (Apocalipse 22.14)
Isso significa que os crentes são convidados a viver na luz, a se afastar do pecado e a se preparar para as bodas do Cordeiro.
Essa veste branca é indispensável para participar das bodas do Cordeiro, e qualquer pessoa que conseguisse entrar sem essa veste, se isso fosse possível, seria inevitavelmente expulsa
INF095
Nota informativa
INF095 - A cidade de Naim
A cidade de Naim
Naim é uma pequena cidade da Galileia, mencionada somente no Novo Testamento no relato da ressurreição do filho da viúva pelo Messias Jesus (Lucas 7.11-17). Eis alguns pontos importantes sobre Naim:
Localização geográfica:
Naim fica a sudeste de Nazaré, nas encostas da colina de Moré, na Galileia. Situa-se perto da cidade de Suném, onde o profeta Eliseu também havia ressuscitado uma criança (2 Reis 4.8-37), estabelecendo um paralelo interessante entre os dois milagres.
Contexto bíblico:
A cidade é mencionada no evangelho de Lucas, onde o Messias Jesus encontra um cortejo fúnebre à porta da cidade. Ele ressuscita o filho único de uma viúva, mostrando sua compaixão e seu poder sobre a morte. Esse acontecimento suscita grande temor e louvor entre as testemunhas, e a notícia se espalha por toda a região.
Importância teológica:
O milagre da ressurreição em Naim é significativo porque mostra a compaixão do Messias Jesus pelos que sofrem e seu poder de dar a vida. O fato de ele ter ressuscitado o filho único de uma viúva ressalta a importância do ato, pois a viúva teria ficado sem amparo econômico e social.
Naim no contexto histórico e arqueológico
Histórico:Embora Naim seja mencionada apenas uma vez na Bíblia, ela oferece um cenário importante para compreender os milagres e os ensinamentos do Messias Jesus. Arqueologia: As escavações arqueológicas na região da Galileia não revelaram descobertas importantes específicas de Naim, mas a localização tradicional da cidade é bem identificada e visitada por peregrinos e turistas.
INF002
Nota informativa
INF002 - Os fariseus
Os fariseus
Os fariseus foram um grupo religioso e social importante no judaísmo antigo, particularmente durante o período do Segundo Templo. Eis alguns pontos-chave sobre eles:
Origens e história
Origens: Os fariseus surgiram como um grupo distinto após a revolta dos Macabeus, por volta de 165-160 a.C. Eram frequentemente considerados os descendentes espirituais dos hasideus.
Período: Prosperaram até a destruição do Segundo Templo no ano 70 d.C. Depois dessa data, seus ensinamentos formaram a base do que veio a ser o judaísmo rabínico.
Crenças e práticas
Textos sagrados: Ao contrário dos Saduceus, que se concentravam unicamente na lei escrita (o Pentateuco), os fariseus acreditavam em uma lei escrita e em uma lei oral (a Torá oral). Ressurreição: Os fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos e na imortalidade da alma. Ritos e leis: Insistiam na importância das tradições orais e das interpretações adaptadas às circunstâncias contemporâneas.
Influência e legado Influência: Os fariseus tiveram grande influência sobre a liturgia e a prática religiosa judaicas. Seus ensinamentos foram incorporados à Mishná, uma compilação da tradição oral judaica, por volta do ano 200 d.C. Legado: Após a destruição do Segundo Templo, os ensinamentos dos fariseus formaram a base do judaísmo rabínico, que continua a influenciar o judaísmo moderno.
Os fariseus são frequentemente mencionados no Novo Testamento, principalmente nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos, onde estão muitas vezes em conflito com Jesus e com as outras figuras religiosas da época.
Os fariseus na Bíblia
Constituem o grupo mais representativo do judaísmo. Seus membros, originários do povo, opõem-se aos compromissos com o invasor romano, mas também com o helenismo. Nós os vemos mais próximos da população do que os saduceus.
São citados cento e três vezes no Novo Testamento, noventa e três vezes nos Evangelhos, nove vezes nos Atos dos Apóstolos e uma vez na epístola aos Filipenses.
Suas relações com o Messias Jesus aparecem com frequência tensas, conflituosas. Em certos momentos Ele os repreende com termos violentos, como “ai de vós” e “hipócritas”, o que demonstra bem essa oposição. Não têm acesso aos postos de alta responsabilidade, controlados pelos Romanos e, portanto, reservados aos saduceus simpatizantes, mas formam o grupo mais numeroso do Sinédrio.
Consideram-se os grandes defensores da lei de Moisés, que comentam. Sua interpretação torna-se a regra a ser seguida pelo povo. O Messias Jesus condenará esses desvios em diversas ocasiões (Mateus 23.13-29).
Discordam com frequência de seus colegas, os saduceus, em pontos de doutrina como a vida eterna ou os anjos. Acrescentaram à Lei escrita de Moisés princípios orais, que lhes permitem contornar suas prescrições. Jesus não deixará de assinalá-lo (Mateus 23.23).
Nicodemos e José de Arimateia pertenciam a esse grupo político-religioso, o que não os impediu de se converterem ao cristianismo.
INF003
Nota informativa
INF003 - O Sinédrio
O Sinédrio
O Sinédrio foi uma instituição-chave no judaísmo antigo, com funções legislativas, judiciais e religiosas. Eis alguns pontos importantes sobre ele:
O Sinédrio (ou Sinédrio judaico) designa, na época do Segundo Templo (aprox. século II a.C. – 70 d.C.), a instância suprema de autoridade religiosa, jurídica e, por vezes, política do judaísmo na Judeia.
Pontos essenciais
Composição e sede: tradicionalmente 71 membros (o Nasi/presidente, o Av Beit Din/vice-presidente e juízes/sábios). Reunia-se em Jerusalém, perto do Templo, provavelmente em uma sala chamada «Sala das Pedras Lavradas».
Competências: interpretação da Lei (Torá), fixação de normas religiosas, arbitragem de litígios importantes, supervisão do calendário (santificação dos meses e intercalações), validação de ordenanças comunitárias e, em teoria, julgamento dos casos mais graves. Sob o domínio romano, seus poderes penais eram limitados.
Fontes históricas: encontram-se ecos dele nos Evangelhos (o processo de Jesus, que menciona um conselho judaico) e sobretudo na literatura rabínica (Mishná, Talmude), que descreve seu funcionamento ideal e suas regras de procedimento.
Funcionamento processual: testemunhos examinados por um colégio, forte exigência de credibilidade das testemunhas, quórum necessário, votações começando pelos juízes mais jovens para evitar a influência dos mais antigos, preferência pela absolvição em caso de dúvida; para os casos capitais, regras ainda mais rigorosas.
Depois de 70: a destruição do Templo pelos Romanos pôs fim ao Sinédrio tal como existia em Jerusalém. Uma autoridade rabínica se reconstituiu na Galileia (Jâmnia, depois Usha, Séforis, Tiberíades), às vezes chamada «Sinédrio» por analogia, centrada no estudo, na halachá e na organização comunitária; ela declina por volta dos séculos IV–V.
Legado: o Sinédrio simboliza o ideal de uma autoridade colegiada e erudita no judaísmo. Tratados talmúdicos (notadamente Sinédrio, Makkot) conservam suas regras teóricas, que influenciaram o pensamento jurídico judaico. Na época moderna, o termo foi retomado por analogia (por ex., o «Grande Sinédrio» convocado por Napoleão em 1807), sem continuidade institucional com a Antiguidade.
Termos-chave
Nasi: presidente do Sinédrio; tradições atribuem esse papel a Hilel, o Ancião, e a seus descendentes no período tardio.
Av Beit Din: «pai do tribunal», segundo do Nasi.
Beit Din: tribunal rabínico; no plural, designa também cortes locais de 23 juízes (para casos graves) ou de 3 (para casos civis).
Limites e debates
História versus ideal normativo: as descrições talmúdicas misturam memórias históricas e modelos jurídicos; os historiadores discutem a extensão real de seus poderes em cada período.
Competência penal sob Roma: a capacidade de aplicar a pena capital é particularmente debatida; provavelmente foi muito restrita no final do período.
Em resumo: o Sinédrio foi a mais alta instância erudita e judicial do judaísmo do Segundo Templo, com papel central na interpretação da lei e na coesão comunitária; sua forma antiga desaparece depois de 70, mas seu modelo continua inspirando a organização rabínica e o pensamento jurídico judaico.
INF090
Nota informativa
INF090 - A sinagoga
A sinagoga
Uma sinagoga é um lugar de culto, de ensino e de reunião para os judeus. Eis alguns pontos importantes para compreender melhor o que é uma sinagoga:
Funções principais:
Lugar de oração: A sinagoga é usada para a oração comunitária e individual. Nela se realizam os cultos regulares, incluindo as orações diárias, o Shabat e as festas judaicas. Estudo e educação: É um centro de aprendizagem onde se estuda a Torá (os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica) e outros textos sagrados. As sinagogas organizam frequentemente aulas para crianças e adultos. Reunião comunitária:A sinagoga serve de lugar de reunião para a comunidade judaica, oferecendo um espaço para eventos sociais, discussões comunitárias e celebrações.
Elementos arquitetônicos e simbólicos:
Arca santa (Aron Kodesh): A arca santa é uma estrutura ornamentada onde são guardados os rolos da Torá. Geralmente situa-se na parte da frente da sinagoga, voltada para Jerusalém. Bimá: Uma plataforma elevada de onde se lê a Torá e outros textos durante os cultos. A bimá situa-se frequentemente no centro ou na parte da frente da sinagoga. Ner Tamid:Uma lâmpada eterna que arde constantemente perto da arca santa, simbolizando a presença perpétua de Deus.
Funções e pessoas importantes:
Rabino: O rabino é um líder espiritual e mestre que dirige os cultos, faz sermões e oferece conselhos espirituais e éticos à comunidade. Hazzan (cantor):O hazzan dirige as orações cantadas e os hinos durante os cultos. Gabai: Uma pessoa responsável pela organização dos cultos e pela gestão dos assuntos correntes da sinagoga.
Variedades de sinagogas:
As sinagogas podem variar conforme os movimentos religiosos dentro do judaísmo, como a ortodoxia, o conservadorismo e o reformismo, cada um com suas próprias tradições e práticas específicas.
Em resumo, a sinagoga é um centro vital da vida religiosa, educativa e comunitária dos judeus, oferecendo um espaço onde a fé, a cultura e a comunidade se encontram.
O Messias Jesus, por seus ensinamentos e seus milagres, marcou profundamente as sinagogas do seu tempo, lugares centrais da vida religiosa judaica. Quer ensinando com uma autoridade incomparável, quer curando pessoas possuídas por espíritos imundos, como mostram os relatos de Marcos 1.23-28 e Lucas 4.33-37, o Messias Jesus usou as sinagogas como lugares de revelação do seu ministério. Nesses lugares de culto e de ensino, ele proclamou as boas novas do Reino de Deus e demonstrou a sua divindade por meio de atos de compaixão e de poder, confundindo muitas vezes as autoridades religiosas da época com a sua profunda compreensão das Escrituras e a sua capacidade de realizar milagres.
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Nota informativa
INF004 - Os romanos
Os romanos
No ano 63 a.C., o general romano Pompeu invadiu o território de Israel e tomou Jerusalém. Graças a Júlio César, o judaísmo tornou-se, no ano 45 a.C., uma religião legal.
Cinco anos depois, em 40 a.C., o imperador Augusto pôs fim à dinastia dos hasmoneus e nomeou Herodes, o Grande, um idumeu, portanto sem linhagem real, rei dos judeus.
Alguns anos depois da morte de Herodes, o Grande, no ano 6 d.C., Roma mudou o estatuto da Judeia, bem como da Samaria e da Iduameia (o Edom bíblico), transformando-as em províncias romanas colocadas sob a responsabilidade de procuradores romanos.
Os filhos do monarca Herodes foram promovidos pela autoridade romana a tetrarcas e governaram essas diversas províncias sob a égide dos procuradores.
Portanto, durante o ministério do Messias Jesus, um prefeito, Pôncio Pilatos, e um tetrarca, Herodes Antipas, dividiam o poder. Os dois homens se odiavam até o dia da condenação do Messias Jesus (Lucas 23.12).
Quarenta anos depois da crucificação do Messias Jesus, a insurreição dos judeus, iniciada no ano 66, foi sufocada; Tito destruiu o templo de Jerusalém no ano 70 e tudo terminou com a queda de Massada em 2 de maio do ano 73.
Outras revoltas se seguiriam até o ano 135.
No ano 130, o imperador Adriano mudou novamente o estatuto do país de Israel, criando uma nova colônia romana; o nome de Jerusalém foi substituído por Aelia Capitolina.
O Messias Jesus exerceu seu ministério em um território ocupado pelos romanos, com um governador designado por Roma.
Três homens dividiam, portanto, nesse momento da história, a direção do país de Israel:
Pôncio Pilatos, o prefeito romano, detinha todos os poderes, em particular sobre a Judeia.
Herodes Antipas reinava sobre a Galileia e a Pereia.
O sumo sacerdote Caifás, responsável pelas questões religiosas.
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Nota informativa
INF118 - Cleopas
Cleopas
Cleopas é um dos dois discípulos que Jesus encontrou no caminho de Emaús depois de sua ressurreição. Eis alguns detalhes sobre ele:
Cleopas nas Escrituras
Lucas 24.18: Cleopas é mencionado como um dos dois discípulos que conversavam com Jesus ressuscitado no caminho de Emaús. O nome do outro discípulo não é mencionado2. Marcos 16.12-13: Esta passagem também faz referência a Cleopas e a outro discípulo que encontram Jesus ressuscitado.
Tradição cristã
Casamento e descendência: Segundo a tradição cristã, Cleopas é casado com Maria Jacobé, uma das Três Marias. Juntos, eles têm dois filhos: Tiago, o Menor, e Joset. Parentesco com Jesus: Cleopas é frequentemente identificado como o irmão de José, o pai adotivo de Jesus, o que faria dele tio de Jesus. Outros nomes: O nome Cleopas é às vezes associado a Clopas, e é possível que seja o mesmo personagem.
O companheiro de Cleopas no caminho de Emaús: Alguns estudiosos consideram que esse companheiro poderia ser sua esposa, o que significaria que eles estavam voltando para casa.
Esses detalhes mostram que Cleopas desempenha um papel importante nos relatos da ressurreição de Jesus e na tradição cristã.
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Nota informativa
INF089 - O sábado
O sábado
O sábado é um dia de descanso e de santificação na tradição judaica, observado da noite de sexta-feira à noite de sábado. Eis alguns elementos importantes que convém conhecer sobre o sábado:
Origens e significado
Mandamento bíblico: O sábado é um dos Dez Mandamentos dados por Deus a Moisés no monte Sinai. É mencionado várias vezes na Torá, notadamente em Êxodo 20.8-11 e Deuteronômio 5.12-15. Criação: O sábado comemora o dia de descanso de Deus após os seis dias da criação, como descrito em Gênesis 2.2-3. Libertação do Egito: Além da criação, o sábado é também um lembrete da libertação dos israelitas da escravidão no Egito, simbolizando a liberdade e a santificação.
Observância e práticas
Descanso: O sábado é um dia de descanso completo em que os trabalhos criativos (chamados «melakhot») são proibidos. Isso inclui atividades como cozinhar, escrever, acender fogo e muito mais. Celebração: O sábado começa na noite de sexta-feira com uma refeição festiva, muitas vezes precedida pelo acendimento das velas do sábado. Oram-se orações especiais, como o Kidush (santificação). Cultos religiosos: Os judeus praticantes participam dos cultos nas sinagogas, onde se fazem leituras especiais da Torá e orações.
Tempo em família e espiritualidade: O sábado é também um momento de reunião familiar, de estudo da Torá e de reflexão espiritual.
Importância espiritual
Ligação com Deus: O sábado é um tempo consagrado à espiritualidade e ao fortalecimento da ligação com Deus, um tempo de descanso físico e espiritual. Comunidade: O sábado incentiva a reunião comunitária e familiar, fortalecendo os laços sociais e religiosos.
O significado do sábado para os judeus
Para os judeus, o sábado é muito mais do que um simples dia de descanso. É um lembrete semanal da criação do mundo e um símbolo da aliança entre Deus e o povo de Israel. O sábado é um tempo sagrado dedicado à oração, à reflexão espiritual e à comunhão familiar e comunitária.
A observância do sábado implica abster-se de todo trabalho, participar dos cultos na sinagoga, preparar refeições especiais e celebrar em família. É um momento para se desprender das preocupações materiais e concentrar-se no espiritual, fortalecendo assim os laços com Deus e com as pessoas queridas.
O sábado no tempo de Jesus
No tempo de Jesus, o sábado tinha grande importância religiosa e social. As leis do sábado eram observadas escrupulosamente, e os fariseus, assim como os escribas, eram particularmente zelosos quanto ao cumprimento estrito dessas leis. Eles haviam elaborado um conjunto detalhado de regras para determinar o que era considerado «trabalho» proibido no dia de sábado.
Jesus, porém, desafiou com frequência essas interpretações rígidas das leis do sábado. Por exemplo, curou doentes no sábado, o que provocou controvérsias com as autoridades religiosas de seu tempo. Jesus ensinou que o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado (Marcos 2.27), ressaltando assim a importância da compaixão e da humanidade em relação às regras estritas.
A atitude de Jesus em relação ao sábado destacava a ideia de que as leis religiosas deviam servir ao bem-estar das pessoas, em vez de se tornarem fardos opressivos. Essa perspectiva contribuiu para as tensões entre ele e as autoridades religiosas e teve papel nos conflitos que finalmente levaram à sua crucificação.
O sábado é uma instituição central do judaísmo, simbolizando o descanso, a santificação e a ligação com Deus. Desempenha um papel essencial na vida religiosa e social dos judeus, oferecendo uma pausa semanal dedicada à reflexão, à oração e à comunhão com as pessoas queridas.