Observamos a utilização de duas palavras: pecado e blasfémia.
O termo «hamartia» (número Strong 266) significa «pecado» ou aquele que peca. Refere-se a uma ofensa, uma violação da lei divina em pensamento ou em atos, bem como aos pecados coletivos cometidos por indivíduos.
O termo «blasphemia» (número Strong 988) é traduzido por «blasfémia», «calúnia», «blasfemar» e «injurioso». Corresponde a calúnia, discurso injurioso, insulto, ultraje, mas também a discurso ímpio e injurioso contra a majestade divina.
Observe-se que Mateus, Marcos e Lucas empregam o termo "blasfémia" quando se referem ao pecado contra o Espírito Santo.
Mateus também utiliza este termo no contexto dos pecados perdoáveis, com exceção da blasfémia contra o Espírito Santo, que não terá qualquer remissão. Daqui decorre que o conceito de blasfémia não está exclusivamente associado ao Espírito Santo.
Este ato é considerado particularmente grave por ser qualificado de imperdoável. Segundo os escritos bíblicos, é a única situação em que o arrependimento já não pode ser eficaz.
Marcos 3.30 explica-nos por que razão o Messias Jesus falou desta forma. Com efeito, estes religiosos diziam: «Ele tem um espírito impuro.» Por outras palavras, afirmavam que o Espírito Santo era, na sua opinião, um espírito impuro. Ao agirem assim, estes indivíduos ultrapassaram um limite irreversível.
Mateus, por sua vez, enriquece o seu discurso utilizando a da árvore e dos seus frutos. Menciona depois que as palavras dos indivíduos refletem o que se encontra no seu coração. Por fim, conclui esclarecendo que cada pessoa terá de prestar contas a Deus por cada palavra inútil que tiver pronunciado. Retomaremos estas informações na perícope seguinte.
Coloca-se a questão de saber se a blasfémia contra o Espírito Santo é possível sem que o Messias Jesus esteja diretamente envolvido. As opiniões dos comentadores sobre este assunto divergem.
É evidente que o Espírito Santo nos orienta para a verdade completa, como indicado em João 16.13. O seu papel é, portanto, essencial no processo de conversão. Por conseguinte, podemos afirmar que não há perdão nem salvação possíveis sem a intervenção do Espírito Santo (João 16.8).
Consequentemente, segundo os Evangelhos, a blasfémia contra o Espírito Santo, por implicar a sua rejeição, não pode ser perdoada, pois é o Espírito Santo que nos conduz ao perdão.
Felizmente, nem todos os eram tão extremistas como os anteriormente mencionados. Alguns interrogavam-se sobre a conduta a adotar perante Jesus, o Messias, e os seus discípulos.