O artigo trata da redação dos cinco primeiros livros da Bíblia. Destaca a transmissão oral, a escrita e a integração de diversas fontes literárias. A importância da preservação textual ao longo dos séculos também é abordada, assim como as motivações históricas dos redatores.
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Pentateucotradição oralfonte javistaexílio babilônico
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Neste primeiro parágrafo, vamos examinar a formação do Pentateuco, que reúne os cinco primeiros livros da e das nossas Bíblias atuais. A transmissão da sua história constituía para o povo judeu um elemento essencial. De fato, era imperativo que as gerações futuras, em especial os seus filhos, soubessem como (Deus) havia protegido e preservado o seu povo.
Era, portanto, necessário que as gerações futuras se inscrevessem nessa continuidade, como povo de Deus, e conhecessem a sua história. Além disso, esses textos regiam a vida deles tanto no plano judicial quanto no religioso, conferindo assim a esses escritos uma importância capital para a sociedade judaica.
I. A redação e a compilação dos primeiros textos da Bíblia, o Pentateuco
1. Tradição oral
Os relatos bíblicos foram primeiro transmitidos oralmente. Antes de as histórias serem postas por escrito, eram memorizadas e contadas de geração em geração. Essas tradições orais incluíam relatos sobre os patriarcas (Abraão, Isaque, Jacó), o Êxodo do Egito e muitos outros acontecimentos marcantes da história do povo de Israel. A transmissão oral desempenhava um papel crucial na preservação da história e dos ensinamentos religiosos (Exodo 13.8, Deuteronômio 4.9, Deuteronômio 6.7, Salmos 78.4).
2. Os primeiros escritos
Os primeiros livros da Bíblia, chamados a Torá ou o Pentateuco, reúnem Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. Esses textos começaram a ser redigidos numa época em que os israelitas sentiam a necessidade de registrar as suas tradições orais para preservá-las e transmiti-las com maior fidelidade.
Escrita da Torá: A redação desses livros começou provavelmente na época de Moisés (século XIII a.C.) e continuou até o período do exílio babilônico (século VI a.C.). Os textos refletem diferentes tradições e perspectivas teológicas que foram integradas ao longo do tempo.
3. As fontes documentais
A hipótese documentária propõe que o Pentateuco resulta da combinação de várias fontes literárias distintas, cada uma trazendo as suas próprias características teológicas e estilísticas. As principais fontes são:
Fonte javista (J): Usa o nome divino Javé. Relatos antropomórficos e vivos, provavelmente originários do reino de Judá (século IX a.C.).
Fonte eloísta (E): Usa o nome divino Elohim. Estilo mais formal, revelações divinas por meio de sonhos e anjos. Originária do reino de Israel (século VIII a.C.).
Fonte deuteronomista (D):Livro de Deuteronómio, que insiste na aliança e na lei. Ligada às reformas do rei Josias (século VII a.C.).
Fonte sacerdotal (P):Concentrada nos rituais, nas genealogias e nas leis religiosas. Compilada durante e depois do exílio babilônico (século VI a.C.).
4. Compilação dos textos
Com o passar do tempo, essas diferentes fontes foram compiladas por redatores posteriores para formar um texto coerente. Esse processo de compilação implicou a seleção, a revisão e a integração dos textos, preservando ao mesmo tempo a diversidade das tradições.
5. Manuscritos e transmissão
Os primeiros manuscritos bíblicos eram escritos em hebraico, com algumas porções em aramaico. Os manuscritos mais antigos da , como os Manuscritos do Mar Morto, datam do século II a.C. e mostram uma notável fidelidade de transmissão. Fornecem indícios valiosos sobre as práticas dos escribas da época e sobre a maneira como os textos foram cuidadosamente preservados.
II. As motivações dos redatores
A redação e a compilação dos primeiros textos da Bíblia foram processos longos e complexos, que envolveram a transmissão oral, a escrita a partir de diversas fontes e a compilação por redatores posteriores. Esses esforços permitiram preservar a história desse povo judeu.
A relação entre esse povo e Deus ilustra um sistema político único, a saber, uma teocracia. Esse modelo demonstra que Deus é percebido como capaz de dirigir o seu povo. Embora tenha utilizado intermediários como Moisés, Josué, Samuel e outros, ele continuava sendo o iniciador, e eram as suas decisões que eram postas em prática.
Esse testemunho devia ser transmitido de geração em geração para encorajar esses homens a se apoiarem sempre em Deus ().
Esta análise preliminar estabelece as bases da história complexa e rica da Bíblia, destacando a origem e a redação dos primeiros livros que compõem a Torá judaica. O próximo estudo tratará dos outros livros que constituem a , encontrados nas Bíblias atuais.
Conclusão
A redação e a compilação dos primeiros textos da Bíblia foram processos longos e complexos, que envolveram a transmissão oral, a escrita a partir de diversas fontes e a compilação por redatores posteriores. Esses esforços permitiram preservar a história desse povo judeu.
A relação entre esse povo e Deus ilustra um sistema político único, a saber, uma teocracia. Esse modelo demonstra que Deus é percebido como capaz de dirigir o seu povo. Embora tenha utilizado intermediários como Moisés, Josué, Samuel e outros, ele continuava sendo o iniciador, e eram as suas decisões que eram postas em prática.
Esse testemunho devia ser transmitido de geração em geração para encorajar esses homens a se apoiarem sempre em Deus ().
Esta análise preliminar estabelece as bases da história complexa e rica da Bíblia, destacando a origem e a redação dos primeiros livros que compõem a Torá judaica. O próximo estudo tratará dos outros livros que constituem a , encontrados nas Bíblias atuais.
Um título, um personagem, um lugar, uma referência («Lucas 15»)…
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Referência bíblica
INF038
Nota informativa
INF038 - YHWH
YHWH
O tetragrama YHWH é o nome próprio de Deus usado na Bíblia hebraica. Aqui estão algumas informações essenciais:
Significado e origem
Nome de Deus:YHWH é considerado o nome mais sagrado de Deus no judaísmo. Em português, costuma ser traduzido por “o Senhor” ou “Jeová”.
Origem: O termo “tetragrama” significa “quatro letras” em grego, referindo-se às quatro letras hebraicas יהוה (yod, he, vav, he).
Pronúncia
Desconhecida: A pronúncia exata do tetragrama é desconhecida porque, na tradição judaica, era proibido pronunciar esse nome para não profaná-lo.
Substitutos: Em seu lugar, usam-se substitutos como “Adonai” (Senhor) ou “HaShem” (O Nome).
Uso
Texto sagrado:O tetragrama aparece com frequência na Torá e em outros escritos da Bíblia hebraica. Ritual e orações: Nas orações e nos rituais, os judeus geralmente usam “Adonai” no lugar de YHWH ao lerem os textos sagrados em voz alta.
Importância teológica
Monoteísmo:YHWH ressalta a unicidade e a exclusividade de Deus na fé judaica. Relação divina:Expressa a relação pessoal entre Deus e o povo de Israel, marcando uma revelação divina e uma aliança.
O tetragrama é, portanto, um elemento central e sagrado na teologia e na prática religiosa judaicas.
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Nota informativa
INF031 - A Torá
A Torá
A Torá é o texto central e mais sagrado do judaísmo. É composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia hebraica, também conhecidos pelo nome de Pentateuco. Esses livros são:
Lei e ensinamento: A palavra “Torá” significa “instrução” ou “lei” em hebraico. Contém as leis, os ensinamentos e os relatos que são fundamentais para a fé e a prática judaicas. Liturgia:A Torá é lida e estudada regularmente nas sinagogas. As porções da Torá são lidas em voz alta durante os serviços religiosos, especialmente no Shabat e nos dias de festa.
Escritura Sagrada: A Torá é considerada a palavra divina revelada a Moisés no monte Sinai.
Influência e interpretação
Exegese: A Torá foi interpretada e comentada por gerações de rabinos e eruditos, dando origem a uma rica tradição de literatura rabínica, que inclui o Talmude e o Midrash. Ética e moral: Os ensinamentos da Torá formam a base da ética e da moral judaicas, orientando os fiéis em sua vida cotidiana.
A Torá é, portanto, muito mais do que um simples texto religioso; ela está no coração da vida espiritual e cultural do povo judeu.
INF032
Nota informativa
INF032 - O Pentateuco
O Pentateuco
O Pentateuco é um termo que designa os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica, comum às tradições judaica e cristã. Eis uma breve descrição de cada livro:
Génesis: Este livro narra a criação do mundo, a história de Adão e Eva, o dilúvio de Noé e as histórias dos patriarcas Abraão, Isaque, Jacó e José.
Êxodo:Descreve a saída dos hebreus do Egito sob a liderança de Moisés e inclui os Dez Mandamentos dados no monte Sinai.
Levítico:Este livro contém leis e prescrições rituais para os sacerdotes e o povo de Israel.
Números: Narra a peregrinação dos israelitas pelo deserto durante quarenta anos e os diversos recenseamentos realizados.
Deuteronómio: Este último livro é uma série de discursos de Moisés que reiteram e resumem as leis para o povo de Israel antes de entrar na Terra Prometida.
O Pentateuco é, portanto, fundamental para a tradição judaica e cristã, estabelecendo as bases legais, morais e narrativas dessas religiões.
INF033
Nota informativa
INF033 - Diferença entre Pentateuco e Torá
Diferença entre Pentateuco e Torá
O Pentateuco e a Torá são dois termos estreitamente relacionados, mas não totalmente sinônimos. Eis as principais diferenças:
Pentateuco
Origem do termo: Vem do grego «Pentateuchos», que significa «cinco livros». Conteúdo: Designa especificamente os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica e cristã: Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. Uso: Costuma ser usado em um contexto acadêmico ou cristão para se referir a esta seção da Bíblia.
Torá
Origem do termo: Vem do hebraico «Torá», que significa «instrução» ou «lei». Conteúdo:No judaísmo, a Torá refere-se aos mesmos cinco livros que o Pentateuco, mas inclui também uma conotação mais ampla de ensino e lei divina. Uso: Usado principalmente em um contexto judaico para designar não apenas esses cinco livros, mas também o conjunto dos ensinamentos e das leis neles contidos.
Pontos em comum
Livros idênticos: Os cinco livros básicos são os mesmos nos dois termos. Importância religiosa: Ambos são fundamentais para o judaísmo e o cristianismo, fornecendo as bases narrativas e legais dessas religiões.
Em resumo, o Pentateuco e a Torá designam o mesmo conjunto de livros, mas a Torá tem uma conotação mais ampla no judaísmo, abrangendo o ensino e a lei divina.
INF041
Nota informativa
INF041 - A fonte javista
A fonte javista
A fonte javista (ou javista), muitas vezes abreviada como J, é uma fonte hipotética da Torá (os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica) segundo a hipótese documentária. Eis alguns pontos principais:
Origem e definição
Hipótese documentária: Essa hipótese, desenvolvida no século XIX por pesquisadores como Julius Wellhausen, propõe que a Torá é uma compilação de quatro fontes distintas: javista, Eloísta, deuteronomista e sacerdotal. Nome divino: A fonte javista recebe esse nome porque usa com frequência o nome divino YHWH (ou Javé) para designar Deus.
Características
Estilo e teologia: A fonte javista é caracterizada por um estilo antropomórfico, que descreve Deus com traços humanos. Enfatiza a relação entre Deus e os homens, bem como a terra e a corrupção humana1. Passagens atribuídas: Passagens como a criação do homem e da mulher (Génesis 2:4b-25), a queda do homem (Génesis 3) e o chamado de Moisés na sarça ardente (Êxodo 3:1-15) são atribuídas a essa fonte.
Datação e validade
Datação: Os pesquisadores propuseram diferentes períodos para a redação da fonte javista, desde o período monárquico (século X antes da nossa era) até o período exílico e pós-exílico (séculos VI-V antes da nossa era). Validade: A hipótese documentária, incluindo a fonte javista, já não é amplamente aceita pelos pesquisadores contemporâneos, que preferem outros modelos para explicar a composição da Torá.
A fonte javista é, portanto, um conceito importante no estudo da Bíblia hebraica, embora sua existência e sua importância sejam debatidas entre os pesquisadores.
INF034
Nota informativa
INF034 - Exemplos da fonte javista
Exemplos da fonte javista
Eis alguns exemplos de passagens atribuídas à fonte javista (J) na Bíblia. Esses exemplos são tirados do Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia, nos quais se supõe que a fonte javista seja predominante:
Gênesis 2.4-25: a criação do homem e da mulher. Esta passagem usa o nome divino Javé Deus e descreve de maneira antropomórfica as ações de Deus, como modelar o homem a partir do pó e plantar o jardim do Éden. Gênesis 3: o relato da queda do homem. Esta passagem também usa o nome Javé Deus e apresenta Deus de maneira antropomórfica, falando diretamente com Adão e Eva. Gênesis 4.1-16: a história de Caim e Abel. Usa o nome divino Javé e descreve uma interação direta entre Deus e Caim. Gênesis 6.1-8: os «filhos de Deus» e as «filhas dos homens», bem como a decisão de Deus de reduzir a duração da vida humana e de enviar o dilúvio. Esta passagem usa o nome Javé. Gênesis 7.1-5: uma parte do relato do dilúvio em que Deus (Javé) dá instruções específicas a Noé. Exodo 3.1-15: o chamado de Moisés na sarça ardente. Esta passagem é célebre pela revelação do nome divino Javé.
Esses exemplos baseiam-se na análise das diferenças estilísticas e teológicas dos textos. A atribuição precisa pode variar conforme as interpretações dos pesquisadores.
INF042
Nota informativa
INF042 - A fonte eloísta
A fonte eloísta
A fonte eloísta (ou eloísta), muitas vezes abreviada como E, é uma fonte hipotética da Torá segundo a hipótese documentária. Eis alguns pontos principais a esse respeito:
Origem e definição
Hipótese documentária: Essa hipótese, elaborada no século XIX, propõe que a Torá é composta por várias fontes distintas: javista (J), eloísta (E), deuteronomista (D) e sacerdotal (P).
Nome divino: A fonte eloísta recebe esse nome porque usa com frequência o nome divino Elohim para designar Deus, em vez de YHWH.
Características
Estilo e teologia: A fonte eloísta é caracterizada por uma visão mais transcendente de Deus, que evita os antropomorfismos. Muitas vezes destaca a profecia e a revelação divina por meio de sonhos e visões. Passagens atribuídas: Alguns relatos, como o chamado de Abraão (Génesis 20), o sonho de Jacó em Betel (Génesis 28.10-22) e partes da história de José, são atribuídos a essa fonte.
Datação e validade
Datação: Os pesquisadores estimam que a fonte eloísta foi redigida durante o reino do Norte de Israel, entre os séculos IX e VIII antes da nossa era. Validade: Como a fonte javista, a validade da fonte eloísta e da hipótese documentária em geral é debatida entre os pesquisadores contemporâneos, e alguns preferem outros modelos para explicar a composição da Torá.
Em resumo, a fonte eloísta é um componente teórico do estudo crítico dos textos bíblicos, que oferece uma perspectiva particular sobre a relação entre Deus e os homens.
INF035
Nota informativa
INF035 - Exemplos da fonte eloísta
Exemplos da fonte eloísta
Eis algumas passagens bíblicas frequentemente atribuídas à fonte eloísta (E). Essa fonte utiliza principalmente o nome divino Elohim e se distingue por um estilo mais formal e por relatos em que Deus se revela por meio de sonhos e de anjos.
Gênesis 20.1-18: a história de Abraão e Abimeleque. Deus (Elohim) aparece a Abimeleque em sonho para adverti-lo de que não tome Sara, a mulher de Abraão. Gênesis 21.8-21:a expulsão de Hagar e Ismael. Deus (Elohim) ouve o choro do menino e envia um anjo para consolar Hagar e mostrar-lhe um poço de água. Gênesis 22.1-19: o sacrifício de Isaque. Deus (Elohim) põe Abraão à prova, pedindo-lhe que sacrifique seu filho Isaque, mas um anjo de Deus o detém no último momento. Gênesis 28.10-22: o sonho de Jacó em Betel. Deus (Elohim) aparece a Jacó em sonho e lhe promete a terra em que dorme, bem como numerosos descendentes. Gênesis 31.1-55: a fuga de Jacó da casa de Labão. Deus (Elohim) aparece a Labão em sonho e lhe ordena que não faça mal a Jacó. Jacó conta em seguida como Deus (Elohim) o guiou durante toda a sua estadia com Labão. Exodo 1.1-2.25: a opressão dos israelitas no Egito. Esta passagem descreve a ascensão de Moisés e o chamado de Deus (Elohim) para libertar seu povo. Exodo 3.1-15 (em parte): o chamado de Moisés. Deus (Elohim) fala a Moisés por meio da sarça ardente, embora esta passagem contenha também elementos da fonte javista.
Esses exemplos baseiam-se na análise das características linguísticas e teológicas atribuídas à fonte eloísta. A atribuição precisa pode variar conforme as interpretações dos estudiosos.
INF043
Nota informativa
INF043 - A fonte deuteronomista
A fonte deuteronomista
A fonte deuteronomista (ou deuteronômica), muitas vezes abreviada como D, é uma das quatro fontes hipotéticas da Torá segundo a hipótese documental. Eis alguns pontos essenciais:
Origem e definição
Hipótese documental: Essa hipótese propõe que a Torá é composta de quatro fontes distintas: Javista (J), Eloísta (E), deuteronomista (D) e sacerdotal (P).
Nome: A fonte deuteronomista recebe esse nome por causa de sua estreita associação com o livro de Deuteronómio.
Características
Estilo e tema: Caracteriza-se por um estilo homilético e por uma perspectiva teológica centrada na fidelidade à aliança entre Deus e Israel, com ênfase nas leis e nas reformas religiosas. Passagens atribuídas: Além de Deuteronómio, atribuem-se frequentemente influências deuteronomistas aos livros históricos como Josué, Juízes, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis e 2 Reis.
Datação e origem
Datação: A fonte deuteronomista é geralmente datada do século VII antes da nossa era, na época do rei Josias de Judá. Redação: Ela pode ter sido redigida por sacerdotes e escribas próximos do templo de Jerusalém, no contexto das reformas religiosas de Josias, que visavam centralizar o culto no templo de Jerusalém.
Validade e aceitação
Validade: Embora seja amplamente aceita por muitos pesquisadores, a existência da fonte deuteronomista continua sendo uma hipótese, e outros modelos também foram propostos para explicar a formação da Torá.
A fonte deuteronomista é, portanto, um componente teórico importante para compreender a estrutura e o desenvolvimento dos textos bíblicos, em particular no que diz respeito às leis e à aliança.
INF036
Nota informativa
INF036 - Exemplos da fonte deuteronomista
Exemplos da fonte deuteronomista
A fonte deuteronomista (D) é caracterizada principalmente por temas teológicos e legislativos específicos, bem como por um estilo distinto. Está associada principalmente ao livro de Deuteronómio, mas sua influência também se encontra nos livros históricos de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Eis alguns exemplos de passagens atribuídas à fonte deuteronomista:
Deuteronômio 5.1-22:os Dez Mandamentos: Esta passagem reitera os Dez Mandamentos dados ao povo de Israel, insistindo na importância de seguir as leis divinas. Deuteronômio 6.4-9: Shemá Israel: “Ouve, Israel: o Eterno, nosso Deus, o Eterno é um.” Esta passagem ressalta a unicidade de Deus e a importância do amor e da obediência a seus mandamentos. Deuteronômio 12.1-14: lugar de culto centralizado: A passagem insiste em que o culto deve ser centralizado em um único lugar que Deus escolherá, provavelmente Jerusalém. Deuteronômio 28.1-68: bênçãos e maldições: Esta passagem descreve as bênçãos pela obediência aos mandamentos de Deus e as maldições pela desobediência. Josué 1.1-9: chamado de Josué: Depois da morte de Moisés, Deus fala a Josué, lembrando-lhe que seja forte e corajoso e que siga a lei dada por Moisés. 1 Samuel 12:discurso de Samuel: Samuel lembra ao povo os feitos de Deus, exorta-o a seguir os mandamentos e adverte sobre as consequências da desobediência. 2 Reis 22.1-20: reforma de Josias: Esta passagem descreve a reforma religiosa do rei Josias após a descoberta do livro da lei no templo, o que costuma ser associado à redescoberta do Deuteronómio. Juízes 2.11-23: ciclo de julgamento: Esta passagem descreve o ciclo de desobediência, opressão, arrependimento e libertação que caracteriza o livro de Juízes, refletindo uma teologia deuteronomista de recompensa e punição baseada na fidelidade à aliança.
Esses exemplos mostram como a fonte deuteronomista enfatiza a lei, a aliança, a centralização do culto e as consequências da obediência ou da desobediência a Deus.
INF044
Nota informativa
INF044 - A fonte sacerdotal
A fonte sacerdotal
A fonte sacerdotal (ou P, de "Priestly" em inglês) é uma das quatro fontes hipotéticas da Torá segundo a hipótese documental. Eis os elementos-chave a conhecer:
Origem e definição
Hipótese documental: Essa hipótese propõe que a Torá é composta de quatro fontes distintas: Javista (J), Eloísta (E), deuteronomista (D) e sacerdotal (P). Nome: A fonte sacerdotal recebe esse nome por causa de sua estreita ligação com os interesses e as perspectivas dos sacerdotes (sacrificadores) de Israel.
Características Estilo e conteúdo: A fonte sacerdotal caracteriza-se por um estilo formal, estruturado e repetitivo. Ela enfatiza as leis, os rituais, as genealogias e as preocupações de culto. Teologia: Apresenta Deus como transcendente e majestoso, muitas vezes distante, com especial preocupação com a pureza ritual e as regras da adoração.
Passagens atribuídas: Trechos como o relato da criação em Génesis 1, as leis levíticas e as descrições detalhadas das cerimônias no livro de Levítico são atribuídos a essa fonte.
Datação e origem
Datação: A fonte sacerdotal é geralmente datada do período do exílio babilônico ou pós-exílico (séculos VI-V antes da nossa era). Redatores: Acredita-se que tenha sido redigida por sacerdotes e escribas da comunidade do Templo de Jerusalém, com a intenção de codificar as práticas de culto e as tradições sacerdotais.
Validade e aceitação
Validade: Como ocorre com as outras fontes da hipótese documental, a validade da fonte sacerdotal é debatida entre os pesquisadores contemporâneos. Alguns preferem modelos alternativos para explicar a composição da Torá.
Em resumo, a fonte sacerdotal é um componente teórico importante para compreender a ênfase nos rituais e nas leis dos textos bíblicos.
INF037
Nota informativa
INF037 - Exemplos da fonte sacerdotal
Exemplos da fonte sacerdotal
A fonte sacerdotal (P) se distingue por sua preocupação com o ritual, as leis religiosas, as genealogias e por um estilo formal e estruturado. Ela usa com frequência o nome divino Elohim nos primeiros capítulos e depois Javé a partir de Êxodo 6. Eis alguns exemplos de passagens atribuídas à fonte sacerdotal na Bíblia:
Gênesis 1.1-2: o relato da Criação: Esta passagem descreve a criação do mundo em sete dias. Caracteriza-se por uma estrutura formal e repetitiva, com frases como “E disse Deus” e “Houve tarde e houve manhã”. Gênesis 5: genealogia de Adão a Noé: Uma lista genealógica que detalha os descendentes de Adão até Noé. Esse tipo de genealogia é típico da fonte sacerdotal. Gênesis 17: aliança da circuncisão: Esta passagem descreve a aliança de Deus com Abraão, marcada pela prática da circuncisão. O estilo formal e os detalhes rituais são característicos da fonte sacerdotal. Exodo 25-31: instruções para a construção do Tabernáculo: Estes capítulos fornecem instruções detalhadas para a construção do Tabernáculo, as vestes sacerdotais e os rituais. A atenção aos detalhes e a ênfase no ritual são típicas da fonte sacerdotal. Levítico, o livro inteiro:O Levítico é atribuído principalmente à fonte sacerdotal. Contém leis sobre os sacrifícios, a pureza ritual, os dias santos e diversos regulamentos para os sacerdotes e o culto. Números 1-10: recenseamentos e organização do acampamento: Estes capítulos descrevem os recenseamentos das tribos de Israel, a organização do acampamento em torno do Tabernáculo e as responsabilidades dos levitas. Números 16-17:rebelião de Corá: Esta história ressalta a importância da autoridade sacerdotal e dos rituais. Mostra como Deus confirma o sacerdócio de Arão e de seus descendentes.
Estes exemplos ilustram a preocupação da fonte sacerdotal com as estruturas religiosas, os rituais e as genealogias, bem como seu estilo distintivo.
INF010
Nota informativa
INF010 - O nome impronunciável de Deus
YHWH, o nome impronunciável de Deus
O nome de Deus, transcrito em francês como YHWH, é considerado impronunciável porque é composto por quatro consoantes hebraicas: Yod (י), Hê (ה), Vav (ו) e Hê (ה).
As vogais não são escritas em hebraico, o que torna incerta a pronúncia exata. Esse nome aparece cerca de 6800 vezes na Bíblia hebraica e é considerado santo.
Segundo o terceiro mandamento, que proíbe pronunciar em vão o nome divino (Êxodo 20.7), os judeus evitam pronunciá-lo. Em vez disso, usam outros termos, como Adonai (meu Senhor) ou Ha Elohim (o Deus). Em algumas traduções bíblicas também se encontram as denominações Javé, Yahweh ou Jeová para representar o tetragrama.
O tetragrama acabará sendo traduzido pela palavra grega Kyrios, que significa Senhor, e que será substituída por 'o Eterno' em nossas Bíblias protestantes.
O Deus único dos judeus, que é também o dos cristãos, possui, portanto, um nome impronunciável.
INF012
Nota informativa
INF012 - As diferentes Bíblias
As diferentes Bíblias
Não existem várias Bíblias, seja a dos protestantes, a dos católicos ou outras. Encontramos diferentes traduções que têm todas a mesma origem, a saber, textos gregos para o Novo Testamento e hebraicos para o Antigo Testamento.
A Bíblia hebraica contém apenas o Antigo Testamento.
É importante observar que a versão chamada do «Novo Mundo» é alvo de críticas, sobretudo por causa de certas escolhas de tradução feitas para torná-la conforme à teologia das Testemunhas de Jeová. Alguns especialistas consideram essas escolhas desonestas e indefensáveis.
O sentido de nossas palavras evolui com o tempo e algumas desaparecem; torna-se, portanto, necessário usar termos compreensíveis para os leitores, daí as diversas adaptações sucessivas.
Trata-se muitas vezes de simples revisões, como constatamos com as diferentes versões de Louis Segond ou de Augustin Crampon. Os cristãos católicos acrescentaram às suas traduções 7 livros adicionais, exclusivamente no Antigo Testamento. Esses livros são chamados deuterocanônicos ou apócrifos.