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Parábola dos servos inúteis

O artigo explora a parábola dos servos inúteis de Lucas 17.7-10, destacando a importância da humildade e da gratidão na vida do discípulo. Jesus ensina que o serviço fiel não espera reconhecimento do senhor e que toda habilidade é um dom de Deus. A obediência não confere nenhum direito, promovendo assim uma atitude de gratidão, e não de reivindicação.

6 min parábola servos inúteis discípulo humildade graça 5 versículos 4 livros

Consulta

Textos bíblicos

Mateus
Mateus (Bíblia Livre) não citado no livro
Marcos
Marcos (Bíblia Livre) não citado no livro
Lucas
Lucas 17.7-10 (Bíblia Livre)

E qual de vós terá um servo, lavrando ou apascentando gado que, voltando do campo, logo lhe diga: Chega, e senta à mesa.

E não lhe diga antes: Prepara-me o jantar, e apronta-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido; e depois, que tu comas e bebas.

Por acaso o senhor agradece a tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Acho que não.

Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

João
João (Bíblia Livre) não citado no livro

Detalhes técnicos

Ano 32

Local: No caminho para Betânia, além do Jordão.

Data: Antes da de 15 de dezembro do ano 32

Método de trabalho: Continuamos com Lucas

Nota sobre o método: Somente Lucas registra este ensinamento particular

Viagem a Betânia

Lucas apresenta uma que ilustra a natureza do discípulo.

Parábola dos servos inúteis

O servo inútil

Comentários

Esta passagem segue o ensino do Messias Jesus sobre o poder da fé, capaz de mover montanhas, a importância do perdão para ser um verdadeiro discípulo, bem como a responsabilidade do testemunho, que pode provocar escândalos. Lucas insiste aqui no perfil do verdadeiro discípulo e, além dos pontos já mencionados, propõe uma em que o discípulo é assimilado a um escravo a serviço de seu senhor. Nessa imagem, o servo não espera receber agradecimentos por ter cumprido com fidelidade a tarefa que lhe foi atribuída.

O senhor exige de seu escravo apenas um serviço condizente com a sua condição. Isso não significa que ele não o ame, mas simplesmente que os papéis permanecem claramente definidos. Essa comparação se dirige a uma sociedade familiarizada com a condição servil, na qual por vezes se relatava que a condição de escravo, no tempo do Messias Jesus, podia ser preferível à de camponês, por causa da miséria que atingia essa classe social.

O escravo não tem nenhum direito a reivindicar, nem reconhecimento, nem vantagem decorrente de seu trabalho. Portanto, não pode exigir recompensa, pois cumpre exatamente o que sua função implica, nem mais nem menos.

O discípulo é assim colocado no mesmo nível que o escravo, e o trabalho que realiza não poderia lhe trazer benefício pessoal. Esse princípio questiona diretamente a concepção segundo a qual as boas obras poderiam garantir a salvação de uma pessoa. Tudo o que o discípulo possui provém da graça de Deus, que produz em seus discípulos tanto o querer como o realizar (Filipenses 2.13). Ele não pode, portanto, reivindicar nenhuma posição particular, uma vez que todos os talentos que exerce são fruto de um dom de Deus (1 Coríntios 4.7).

O senhor, portanto, não precisa agradecer ao seu escravo pelo trabalho realizado (Lucas 17.9), e a conclusão se impõe: todos os servos são trabalhadores inúteis. Esse termo significa que não têm nenhum mérito particular e não são indispensáveis. Não se trata de um juízo de valor, mas de uma postura espiritual que consiste em reconhecer que a obediência não confere nenhum direito sobre Deus. É um convite a uma humildade radical.

Se o Messias Jesus parece severo nesse contexto, é porque, na verdade, deseja proteger seus discípulos contra o orgulho ligado ao dever cumprido. Ele os chama a adotar uma atitude de gratidão, e não de reivindicação. Como lembra Paulo:

1 Coríntios 4.7 (Bíblia Livre) :
Pois quem te faz diferentemente superior? E o que tens tu, que não tenhas recebido? E se o recebeste, por que te orgulhas, como se não o tivesse recebido?