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Como os doze apóstolos conseguiam gerir uma Igreja de mais de cinco mil pessoas?

homens apenas, administrando uma comunidade que já contava com mais de cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças (Atos 4.4). Vários elementos do…

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Como os doze apóstolos conseguiam gerir uma Igreja de mais de cinco mil pessoas?

homens apenas, administrando uma comunidade que já contava com mais de cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças (Atos 4.4). Vários elementos do livro de Atos permitem, no entanto, compreender como os apóstolos puderam enfrentar esse crescimento excepcional.

  1. Os apóstolos não assumiam sozinhos todas as tarefas

Os Doze eram antes de tudo as testemunhas oficiais da ressurreição (Atos 1.21-22). Sua missão essencial era a oração e o ensino da Palavra (Atos 6.4). Eles não tinham a vocação de realizar pessoalmente todas as tarefas materiais nem de acompanhar individualmente cada crente.

Sua autoridade era comparável à de um colegiado dirigente, e não à de responsáveis encarregados de todos os detalhes da vida cotidiana.

  1. Os crentes se reuniam em numerosas casas

Lucas esclarece que os discípulos partiam o pão “nas casas” (Atos 2.46). Essa expressão sugere a existência de múltiplos grupos domésticos espalhados por Jerusalém. Os apóstolos podiam ensinar publicamente no Templo, especialmente no Pórtico de Salomão (Atos 5.12), enquanto esse ensino era depois repassado e vivido no seio dessas assembleias menores.

Assim, a Igreja de Jerusalém não formava uma única assembleia de vários milhares de pessoas reunidas num mesmo edifício, mas antes uma vasta rede de comunidades domésticas unidas em torno do ensino apostólico.

  1. Os cento e vinte discípulos formavam provavelmente um primeiro núcleo de responsáveis

Antes de Pentecostes, cerca de cento e vinte discípulos já estavam reunidos (Atos 1.15). Entre eles havia homens e mulheres que tinham seguido Jesus havia vários anos. É verossímil que tenham participado do acompanhamento espiritual dos novos convertidos.

Os setenta discípulos enviados outrora por Jesus (Lucas 10.1) também podiam constituir um grupo de colaboradores experientes, ainda que Lucas não os mencione mais explicitamente em Atos.

  1. Uma organização mais estruturada surge rapidamente

Quando as necessidades materiais se tornam grandes demais, os apóstolos reconhecem que não podem mais assumir tudo sozinhos. Pedem então à comunidade que escolha sete homens encarregados do serviço das mesas (Atos 6.1-6). Essa decisão mostra que os Doze compreendiam a necessidade de delegar certas responsabilidades a fim de se dedicarem ao seu ministério principal.

Essa organização não é, portanto, sinal de crise, mas de uma Igreja em plena expansão.

  1. A ação do Espírito Santo e os milagres reforçavam sua autoridade

Os numerosos milagres realizados pelos apóstolos (Atos 5.12-16) lhes conferiam uma autoridade espiritual excepcional. Seu ensino era reconhecido unanimemente, o que favorecia a unidade da comunidade (Atos 2.42). Os crentes perseveravam na “doutrina dos apóstolos”, o que limitava as divisões doutrinárias.

Conclusão

Os Doze provavelmente não dirigiam uma multidão de vários milhares de pessoas de maneira direta e individual. Exerciam antes uma função de direção espiritual e doutrinária. A Igreja de Jerusalém repousava verossimilmente em vários níveis de organização: os apóstolos para o ensino e a oração, um grupo mais amplo de discípulos experientes para o acompanhamento dos crentes, e numerosas reuniões domésticas que permitiam a comunhão fraterna. A instituição dos Sete em Atos 6.1-6 mostra que essa organização continuou a se desenvolver à medida que a Igreja crescia prodigiosamente.

Poder-se-ia, assim, comparar os Doze não a pastores encarregados cada um de centenas de fiéis, mas antes a um colegiado apostólico encarregado de preservar a unidade, o ensino e o testemunho da Igreja nascente.