Eis uma relação entre o terceiro ser vivente e o terceiro cavaleiro, uma relação muitas vezes implícita, mas teologicamente muito rica.
A relação entre o terceiro ser vivente e o terceiro cavaleiro
- O ser vivente com rosto de homem: símbolo de humanidade e de razão
O terceiro ser vivente representa a dimensão humana: inteligência, discernimento, capacidade de medir e organizar. É o ser vivente que encarna de modo mais direto a condição humana.
- O cavaleiro do cavalo preto: fome medida e racionada
O terceiro cavaleiro traz a fome, não sob a forma de destruição brutal, mas sob a forma de racionamento, de cálculo, de medida — exatamente o que a balança simboliza.
- Uma relação de coerência simbólica
O fato de ser o ser vivente com rosto de homem quem introduz o cavaleiro do cavalo preto não é por acaso:
- A fome atinge o homem em suas necessidades vitais.
- O homem é aquele que conta, pesa, raciona, o que corresponde perfeitamente à balança do cavaleiro.
- O juízo atinge a fragilidade humana, e é o ser vivente que representa a humanidade quem o anuncia.
- Uma pedagogia divina
Deus usa o ser vivente que simboliza o homem para anunciar um juízo que visa diretamente a humanidade:
- A fome revela a vulnerabilidade humana.
- Ela põe em evidência a responsabilidade humana nos desequilíbrios econômicos e sociais.
- Ela lembra que o homem não controla realmente seus recursos, apesar de sua capacidade de medir.
Síntese
O terceiro ser vivente, que representa a humanidade e a razão, introduz o terceiro cavaleiro porque a fome atinge precisamente a condição humana, suas necessidades essenciais e sua pretensão de dominar os recursos.